Erika Palomino defende a cópia na moda

Desde a famosa matéria da Piauí sobre a cópia na moda brasileira, muitos blogues dedicaram posts e mais posts sobre o assunto. A cada temporada isto volta a tona e eufemismos são criados para dizer que fulano copiou sicrano. A palavra perfume foi a preferida nas últimas temporadas.

Quem resolveu reacender a fogueira foi a Erika Palomino na última edição da KEY, em “Pócopiá!”. Desde o Fashion Rio em conversas informais ela vem falando disso, que a cópia não tem problema. Agora, resolveu escrever um texto sobre isso. Eu pessoalmente gosto muito do pensamento que ela apresenta.

Em tempos de softwares abertos a cópia está liberada: “a autoria é cada vez menos relevante, tanto nas artes, quanto na vida. Perder tempo assumindo o caráter precursor da calça skinny, da estampa floral mixada, do primeiro xadrez ou do salto anabela é pura…falta do que fazer”.

Eu mesmo já escrevi o quanto me irrita as cópias na moda por certas marcas daqui, mas aí tem esta coisa “desde que a marca não venha pagar uma de criadora”, explica a certa altura do texto. Ufa, ainda bem. Este é o cerne da questão. Se o Bom Retiro copia, acho ok, mesmo. Afinal de contas, compramos ou não na Zara? Como reclamar da cópia se assuminos seu consumo?

Isto é um lado, o outro é quando temos marcas que se dizem lançadoras de moda e copiam deslavadamente. A minha reclamação é que porque elas mantém uma equipe de estilo? Poderiam dar mais espaço para elas. Deixá-las criar mais e pagar menos pelas “viagens de pesquisa”. Te digo: tem muita marca por aí que envia suas equipes de estilo para comprar peças que vão ser simplesmente reproduzidas. Aí, acho que é péssimo até para formação deles.

No final do texto, que vale a pena ser lido, Palomino escreve: “Hoje em dia, a invenção não tem mais patente. Tudo é de todo mundo. E ninguém é de ninguém”.

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14 Comentários

  1. eita!

  2. Corajosa a tia né?

    Quer saber, concordo com ela… só não vem fazer o criador perto de mim. Isso me irrita e muito, os pseudo criadores.

    Só que vamos combinar, para copiar tem que ter talento também. Olha só:

    1º Para escolher as peças certas a serem copiadas
    Esse talento só vem com o tempo mesmo. Não adianta largar um estilista récem formado em Londres e falar para ele comprar o que ele quiser, voltar e lançar a coleção. Para ver o que está lá fora e que vai ser sucesso aqui precisa de um feeling especial que só o tempo dá.

    2º Para se adequar ao timing
    Tanto a Zara como o Bom Retiro são a antítese hoje de todos os paradigmas contidos no manual da boa gestão de uma marca de moda. E dão certo!

    3º Para assumir a vocação copiadora
    No Brasil, talvez isso seja o mais difícil né? Nesse caso a matéria da revista Piauí foi especial. Porque expôs muitas coisas que muitos falavam nos bastidores, sobre a cópia entre os criadores. Aí eu acho feio sim!

    Beijos que eu to hiperativa!

  3. vamos fotografar vitrines na europa? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk isso é a viagem de inspiração dos (aspirantes) a estilistas daqui. mas de onde será que que os europeus copiam?

    bi, e a palavra mais bombada e chata da temporada passada foi DNA. alguém ainda vai usar esse termo? vc já inventou um melhor?

  4. concordo. na música hj em dia tb é assim, só ver a quantidade de mashups, remixes, reedits etc etc etc… o q não dá pra tolerar é pra nego copiar uma coleção ou conceito inteiros e pagar de vanguarda.

  5. Concordo em gênero, número e grau! Se a marca assume que copia, ok. Mas falar que tá lançando moda, criando algo novo, quando no fundo só está reproduzindo ai, não dá.

    Mas uma coisa não tem como negar: por mais que compramos na Zara, que aceitamos cópias quando assumidas e tudo mais, um original, algo totlamente novo, ou pelo menos diferente, é bem mais interessante!

  6. Zara eh uoh – o fitting eh pesssssimoooo…

    Viva a Hering !

  7. Eu acho a questão bem delicada…
    incentivar este tipo de premissa ou pensamento é uma faca de dois gumes,é preciso muito cuidado, para que não se banalise esta ídeia pois interpretada de forma equivocada pode gerar consequencias desastrosas.
    existem varios seguimentos e posições de mercado na qual uma marca ocupa, a zara está numa extremidade e um design jovem (ou novo talento)está na outra, e entre estes dois pólos caminham posturas e açoes bem distintas, acredito que ver um designer novo copiando é um crime hediondo , ja estas lojas de fast fashion vivem disso, mas a grande questão é que se o Brasil só copiar, nunca terá realmente uma posiçao internacional grande, pela simples questão:
    Porque os gringos comprariam moda brasileira se ela é igual ou subproduto a proposta por eles?
    é preciso que se incentive um posicionamento de moda brasileira que contenham signos brasileiros , ou que possam ser vendidos como tal,este ideal de algria , sensualidade e cores que permeia o inconsciente gringo sobre o Brasil,(não falo clichês brasileiros obviamente) é claro que isso nao é uma receita de bolo , e existe muita coisa a ser discutida e desenvolvida, mas acredito que este seja o caminho mais apropriado a ser seguido, cito de exemplo a Rosa Chá, e faço questão de frizar que isso não se aplica somente a moda praia, só algo que exista fora deste eixo já construido é que pode realmente interessar aos grandes idealizadores de moda e então gerar tendências e consequentemente consumo, talvez seja realmente o momento de se mandar para lá ao invéz de só receber ou engolir e isso só se constroe com o tempo e consciência.

  8. “Nós temos esta coisa de bom humor nos desfiles. Mas quando vê as roupas nas araras nosso produto tem esta mistura de sexy e luxo. Trago isto do Brasil, a cor e o jeito como lidamos com o corpo. Os europeus não sabem lidar com cor tão bem como nós. O sexy acontece porque a brasileira é uma mulher linda e tem esse lado que é natural. Está na maneira de agir, de andar”.
    BRUNO BASSO.

    Fico feliz que o Bruno concorde comigo, nao necessariamente sobre a questão em sí, mas sobre o pensamento vigente.

    abraços pro blog que adoro!
    ;D

  9. [...] Outra matéria bacana é a da jornalista Erika Palomino no último número da revista Key, na matéria Pócopiá. A idéia, que também é compartilhada pelo editor de moda e blogueiro Ricardo Oliveros, é que não tem problema as marcas nacionais copiarem as gringas, o que irrita é fazer isso e ainda assim ficarem com ares de grandes criadores. Leia o post de Oliveros aqui. [...]

  10. Muito bom! Tah phino heim? Só não achei legal o gongo na Glória. Manda uma cartinha pra ela que é mais elegante. E no mais, com tantas marcas na manga, era mesmo necessário pegar os looks dela?

    Master kiss*

  11. [...] O Marcelo Cia da Revista Junior me ligou e resolvemos tudo. E para provar que não sobrou nada de ruim na história, topei fazer outra matéria para eles. Já nesta sexta vou fazer uma série de fotografias inspiradas no editorial do Alcino na sua última Revista de Moda. E claro, que continuo investindo na história da cópia! [...]

  12. Muitas vezes não se dão nem ao trabalho de ir até a Europa/EUA para fotografar vitrines ou outras coisas.
    Existem pessoas que fazem isso e vendem suas fotos para as grifes. Muitas dessas fotos são retiradas de internet, de desfiles internacionais e vendidos para grandes marcas. hehehehe…Difícil é assumir de onde veio a “inspiração”.
    abraços

  13. [...] Então leia o artigo de Ricardo Oliveiros sobre a matéria “Pócopiá”, que Erika Palomino escreveu para a KEY, em abril. Outra [...]

  14. [...] textos sobre a cópia que eu adoro são: Pócopiá! da Erika Palomino na Key e Veneza e as cópias do Vitor Angelo. Erika coloca: Em tempos de [...]


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