Balanço: fatos que marcaram a moda em 2007

Já reparou como todo mundo quer que o ano acabe na sexta? Eu sou um deles, e acho que vou conseguir. Só tenho mais 3 trabalhos e fim!

Este é o meu primeiro ano de blogueiro de moda e confesso foi bem especial. Como todos os veículos, um balanço é bem-vindo. Claro, que é uma visão bem particular, e isso que foi a tônica do Fora de Moda nestes 8 meses de vida, 330 posts, 922 comentários, 78 links diretos para cá e mais de 155000 visitas. Teve matérias de Paris e Buenos Aires e assim fui ficando entre os 50 blogues mais acessados da WordPress, graças a você internauta-fashion!

Vamos aos fatos que fizeram a moda andar! Para frente e para trás, claro!

Reconhecimento dos blogues de moda

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As anotações secretas de 2 blogueiros-queridos: Maria Prata e Sylvain Justum

Não querendo puxar a sardinha pro meu lado, mas os blogues de moda fizeram a diferença na forma como a informação é difundida na web. Tanto que foram alvo de diversas matérias, pequenas comunidades entre blogues foram se formando, e uma nova forma de escrever sobre moda vai surgindo. O auge deste ano é a criação do Prêmio Chic 2007 especial para categoria.

Um dia vamos chegar lá e sermos convidados para cobrir as semanas de moda exclusivamente pelo nossos blogues, como já acontece em NY, Londres e Paris.

Cópias baratas

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Juliana Jabour x Stella McCartney

O ano começou agitado no Fashion Rio com a matéria da Piauí sobre as cópias na moda brasileira. Todo mundo falou, todo mundo comentou, mas parece que o fenômeno Zara continua assolando as cabecinhas de quem cria moda no país. Marni e Chloé são as campeãs das cópias. No evento Pense Moda, fotógrafos e stylists reclamaram muito dos briefings das editoras de moda, que se baseiam em editoriais internacionais.

Sou feia, mas estou na moda!

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Febre internacional: Ugly Betty

Não exatamente a feiúra em si, mas novos padrões entraram para moda em 2007: LoveFoxx e Beth Ditto provam que ter atitude ainda é a melhor coisa que você pode ter; Ugly Betty virou mania tanto nos Estados Unidos, quanto aqui, e Marc Jacobs (para mim, a grande personalidade fashion do ano) fez o desfile mais feio da temporada e nem por isso deixou de ser notícia. Sem contar as modelos Carol Pantoliano e Daiane Conterato com suas belezas ímpares e super cotadas aqui e lá fora. Por outro lado, quem prevalece soberana sobre todas as modelas do mundo é a belíssima Raquel Zimmermann eleita a número 1 do Models.com

DNA Brasil

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Fernanda Takai e Ronaldo Fraga no final do desfile homenagem a Nara Leão

DNA brasileiro continua sendo discutido no meio da moda. Nossa cultura apareceu bem em vários desfiles, como Lenny Niemeyer com Oscar Niemeyer e Adriana Varejão, Ronaldo Fraga e Nara Leão, os carnavais de Glória Coelho e Do Estilista, Maria Bonita e movimento neoconcreto, Cori e Maria Bonita, João Pimenta e a Congada. Claro, que ninguém está pedindo que a moda brasileira seja uma colcha de retalhos folclóricos, mas se vamos combinar que se inspirar em nós mesmos, é muito melhor do que na vitrine da Chanel, não é mesmo?

Porém, 2 personalidades da moda internacional deram aulas de brasilidade: Judy Blame e Rei Kawakubo. Judy deu um puxão de orelha dizendo que a gente não valorizava nossas coisas e Rei Kawakubo fez uma série de camisetas inspiradas no Geraldo de Barros, e contou tudo numa (rara) entrevista incrível para o Alcino Leite e Vivi Whitemann

Um fato que acendeu o debate entre os blogueiros foi se tínhamos uma moda de rua e porque os blogues não se dedicavam a fotografar este tema, já que vários internacionais vivem disso. O estopim foi uma matéria do Alcino Leite e a discussão deu pano para manga.

Moda Verde

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Lilian Pacce foi curadora da exposição “Eu não sou de Plástico”

Não sabemos até que ponto a preocupação com o meio ambiente é instrumento de marketing ou realidade. Mas este ano presenciamos uma tomada de consciência da moda e seu papel para as questões ambientais. Tecidos ecologicamente corretos, eco bolsas para substituir os saquinhos de plásticos das compras, foram assuntos importantes dentro da moda.

Conglomerados de moda aportam no Brasil

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Herchcovitch assumiu a criação da Zoomp e aposta no jeans da marca

No começo era a AMC Têxtil com Colcci e Sommer, depois os italianos da Aureate e M.A.C Investimentos com a Zoomp+Zapping, agora o Banco Pactual que adquiriu a Ellus e pelo que se especula, Isabela Capeto também já estaria sendo negociada. Outra especulação do mercado é a venda da Forum e Triton para a Marisol. A moda brasileira, enfim, ruma para a profissionalização. Ponto para Paulo Borges que cantou a bola.

Moda também se discute

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Três eventos discutiram bastante a moda este ano: Pense Moda, inciativa da Camila Yahn, Babu Bicudo e Marcelo Jabur (foto), Tendências Contemporâneas da namidia e Zigue Zague da Cristiane Mesquita. Cada qual ao seu modo e com suas particularidades, provam que a moda brasileira já tem muito assunto para ser debatido.

E PARA VOCÊ, QUAL O GRANDE ACONTECIMENTO DA MODA EM 2007?

Tendências Contemporâneas:imagens que valem por 1000 parábolas

No meio de um começo de semana atribulado para todo mundo, a gente se espremeu na agenda para o encontro organizado pela namidia, Tendências Contemporâneas. Foi um encontro atípico, na casa da psicanalista Andrea Naccache, que está finalizando seu livro sobre processos criativos. Ela convidou o grupo para assistir o documentário de Wim Wenders sobre Yohji Yamamoto, “Anotações para Roupas e Cidades”. Presentes na sessão: as meninas da Oficina de Estilo, Mercedes Tristão (namidia), Vitor Angelo (Dus Infernus), Biti Averbach (Moda Sem Frescura) e eu.

Moda. Eu não tenho qualquer envolvimento com ela. Pelo menos esta foi minha primeira reação quando o Centre Georges Pompidou, em Paris, pediu que eu fizesse um curta metragem no contexto da moda. O mundo da moda. Eu sou interessado no mundo, não na moda! Mas talvez fosse precipitado descartar a moda. Por que não, olhá-la sem preconceito? Por que não examiná-la como outra indústria qualquer, como os filmes, por exemplo? Talvez a moda e o cinema tenham algo em comum. E além disso, este filme me daria a oportunidade de conhecer alguém que já havia despertado minha curiosidade, alguém que trabalhava em Tóquio (O estilista Yohji Yamamoto).

Este é quase o começo do documentário realizado em 1989. Tem antes ainda um discurso lindo sobre a identidade. Aliás, são vários os discursos. Diferente de outros documentários sobre moda, como “Unzipped” sobre Isaac Mizrahi ou “Karl Largefeld Confidential”, Wenders quer discutir mais do que a moda: estão no documentário um debate do diretor consigo mesmo sobre o futuro do cinema com a era digital que já está batendo a porta, a fotografia, a futuro das cidades, no caso Toquio e Paris, o processo criativo, e sim, a identidade.

É bom ver que o despertar o interesse dele, Wenders pela moda, se dá quando ele compra uma camisa e um paletó do estilista. Há algo nelas que o lembra da infãncia. O cineasta fica intrigado em saber como aquele estilista sabia tanto sobre ele. Com isso ele estabelece uma ponte com Yohji e o modo como ele consegue conceber a roupa com esta identidade.

Assim, ele vai revelando para todos, interessados em moda ou não, o pensamento do estilista japones. Ele tem um livro de cabeceira desde o ginásio, o do fotógrafo August Sanders, sobre o qual o Vitor Angelo escreveu um artigo Da Espiritualidade das Roupas, que ajuda muito a entender o por quê de Yohji gostar tanto dele.

Bom, não dá para ficar contando o filme por aqui. Procure a assista, porque vale a pena. Um dia me perguntaram se eu pudesse escolher uma roupa para usar o resto da vida, respondi: uma túnica negra do Issey Miyake, uma camisa branca da Rei Kawakubo e uma calça de Yohji. No filme há a cena do desfile do Yohji que deve ser ou de 88 ou 89. Continua tão atual, como se fosse feito hoje. Ele persegue o tempo, mesmo não acreditando no futuro. Eu continuo acreditando nestas 3 peças de roupas até hoje.

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