O evento organizado pelo Ivan Aguilar e com curadoria do André Hidalgo, aconteceu nos dias 16 e 17 numa antiga fábrica de Juta, conhecida como Fábrica 747, onde acontece a exposição 200 Anos de Indústria no Brasil. A idéia de fazer o desfile nesta exposição foi boa, mesmo porque a moda, como podemos ver na exposição, faz parte da história industrial do país.
De um modo geral, não foram poucas as surpresas entre os 20 desfiles e a escolha do estilista que iria desfilar na Casa de Criadores em São Paulo foi bem apertada. No line up teve uma mistura entre estilistas com uma carreira consagrada no Espírito Santo e novos talentos. Isso foi levado em conta, além, é claro, do perfil do evento paulistano. Cada um dos estilistas apresentou 6 looks de suas coleções, que teve o styling talentoso do Thiago Ferraz. A beleza ficou a cargo da Agência Hit Make-up, cabelo do Rogério Santana.
Assim como aconteceu em Brasília, me sinto bastante confortável no backstage. Além do Thiago e do Rogério, tinha Claudio Santana que fez a direção dos desfiles, o Edge Schaydegger responsável pela coordenação do backstage e o Thiago Bonssois, responsável pela direção de produção. O Max Blum fez as trilhas dos desfiles, mas não pode estar aqui.
Como é o primeiro evento, claro que as falhas aconteceram pontualmente aqui e acolá. Algumas bem fáceis de consertar, como a ordem do line up. Não sabíamos quem estava desfilando. O anúncio feito por microfone antes de cada um dos blocos não substitui a informação impressa. Tanto que estou aqui com um monte de releases numa tarefa ingrata de organizar tudo de novo.
A mistura entre novos criadores e gente que está na estrada há muito tempo deveria ser revista. Não vejo nenhum problema em apresentar o trabalho de gente bem estabelecida no mercado, mesmo porque eu sendo de fora, acabei conhecendo vários outros estilistas fora do eixo Rio-São Paulo, o que é muito bom. A questão é a fórmula. Eles poderiam ter feito apresentações especiais, como abertura dos blocos,por exemplo.
O local escolhido de fato é lindo e pertinente, como escrevi anteriormente, mas deve ter sido uma das causas da distribuição muito pequena de convites para o evento. Muitas peças históricas na mostra intensificou o cuidado com a segurança e a presença de um público maior. O público total nos dois dias foi por volta de 350 pessoas, o que é muito pouco, considerando que eram 20 desfiles. Só de staff, amigos, patrocinadores de cada marca dariam fácil-fácil mais de 500 pessoas por dia.
Segundo soube, os convites foram distribuídos pela Findes. Sabemos que uma Federação de Indústria tem um mailing muito específico e que um desfile de moda tem outras questões envolvidas. Deveria existir uma assessoria de imprensa da área também envolvida no mapeamento e distribuição dos convites.
Outro dado que deverá ser observado nas próximas edições, e sim, espero que venham outras, é a relação com os profissionais locais, especialmente imprensa. Todos nós convidados, incluso Lula Rodrigues, Adélia Lopes e Yuko Suzuki temos muito a acrescentar com suas respectivas visões, além de tornar o evento (re)conhecido nacionalmente. Porém, santo de casa pode não fazer milagres, mas é quem faz a engrenagem funcionar no dia-a-dia. Senti falta da fala e da presença local nos debates e mesas redondas.
Mas isso tudo, nem de longe, tira a importância do evento. Vi muita coisa boa, vi muita vontade do Espírito Santo consiga se estabelecer como um pólo de moda que não fique conhecido apenas pela “modinha” e pelo jeans e sim pela moda que produz. Meu querido amigo Ivan Aguilar está de parabéns, e ele sabe, que as críticas feitas aqui são para que cada vez mais tenhamos eventos como este espalhados pelo Brasil todo.



