Fashion Rio, na dúvida eu vou!

Depois de muito pensar e pensar e pensar, acabei decidindo que vou para o Fashion Rio. Na época do credenciamento, eu estava até o pescoço com o fechamento simultâneo de 3 edições da PLAYBOY e a última coisa que eu queria pensar eram coleções de inverno 2009 e maratona de desfiles.

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Depois, cada vez mais estou procurando me concentrar na moda masculina e começar a deixar de lado as coleções femininas. Claro que tem as contradições neste meio de caminho.

1. Já que está lá…

As marcas que desfilam moda masculina no Rio são: Redley, Ivan Aguilar e Complexo B, TNG. Ou seja, tenho desfile na segunda e na sexta. O que fazer neste meio tempo? Então, marcas como Sta. Ephigênia, Walter Rodrigues, Coven, Melk Z-Da, Rio Moda Hype, eu acabo vendo porque acompanho há tanto tempo, que vejo.

2. Blog

Meu blog não é dedicado somente a moda masculina, como perceberam. Então, tenho que alimentar meu filho caçula com matérias, notas, comentários, então, já que está lá… Por outro lado, são dias que estamos imersos, pensando, vendo, respirando moda de uma maneira muito intensa, o que é muito bom para o exercício da profissão.

3. Fila C

O mapeamento do Rio é uma coisa! Já começa na fila C, exceto nas marcas que tem assessoria de São Paulo. No próximo ano resolvi que não tem bafo certo.  Se a marca é importante, veio fila C, vou no backstage e resolvo por lá mesmo e tá ótimo.

Aí vem aquela história de sempre, mas por que esta histeria da fila A, etc etc. Bom, a primeira coisa que faço é dar uma olhada no mapeamento geral. Se tem veículo com 6 lugares ou se tem a assistente da assistente de produção da figurinista, então acho que meu lugar não é na C. Mas o que eu acho, não importa.

Como cada marca e cada assessoria tem suas prioridades quem sou eu para discutir, não é mesmo? Se eu não sou o público-alvo da marca para que se estressar?

4. Network

Uma semana de moda também é lugar de network, palavra que odiava, mas não tem jeito. Na vida adulta, estar numa revista comercial de grande circulação significa fazer contatos para seu trabalho fluir. Também é a hora de boas  conversas, trocas de idéias,  de verificar as pautas que estão por vir.

5. Sonhos futuros

Tudo bem, temos alguns desfiles memoráveis a cada estação. Num desfile certas coisas que podem passar batido no backstage, ficam mais claras na passarela. Mas meu sonho é trocar a passarela pelo show room mesmo. Menos desgaste, as marcas estão mais disponíveis, vemos exatamente o que irá para as lojas e tudo é mais simples.

Enquanto este dia não chega, entre 11 e 16 janeiro, estaremos em mais um Fashion Rio.

E ouvir umas 40 vezes: Este é um depoimento exclusivo para… rs

Novos Criadores de Vitória: uma visão geral

O evento organizado pelo Ivan Aguilar e com curadoria do André Hidalgo, aconteceu nos dias 16 e 17 numa antiga fábrica de Juta, conhecida como Fábrica 747, onde acontece a exposição 200 Anos de Indústria no Brasil. A idéia de fazer o desfile nesta exposição foi boa, mesmo porque a moda, como podemos ver na exposição, faz parte da história industrial do país.

De um modo geral, não foram poucas as surpresas entre os 20 desfiles e a escolha do estilista que iria desfilar na Casa de Criadores em São Paulo foi bem apertada. No line up teve uma mistura entre estilistas com uma carreira consagrada no Espírito Santo e novos talentos. Isso foi levado em conta, além, é claro, do perfil do evento paulistano. Cada um dos estilistas apresentou 6 looks de suas coleções, que teve o styling talentoso do Thiago Ferraz. A beleza ficou a cargo da Agência Hit Make-up, cabelo do Rogério Santana.

Assim como aconteceu em Brasília, me sinto bastante confortável no backstage. Além do Thiago e do Rogério, tinha Claudio Santana que fez a direção dos desfiles, o Edge Schaydegger responsável pela coordenação do backstage e o Thiago Bonssois, responsável pela direção de produção. O Max Blum fez as trilhas dos desfiles, mas não pode estar aqui.

Como é o primeiro evento, claro que as falhas aconteceram pontualmente aqui e acolá. Algumas bem fáceis de consertar, como a ordem do line up. Não sabíamos quem estava desfilando. O anúncio feito por microfone antes de cada um dos blocos não substitui a informação impressa. Tanto que estou aqui com um monte de releases numa tarefa ingrata de organizar tudo de novo.

A mistura entre novos criadores e gente que está na estrada há muito tempo deveria ser revista. Não vejo nenhum problema em apresentar o trabalho de gente bem estabelecida no mercado, mesmo porque eu sendo de fora, acabei conhecendo vários outros estilistas fora do eixo Rio-São Paulo, o que é muito bom. A questão é a fórmula. Eles poderiam ter feito apresentações especiais, como abertura dos blocos,por exemplo.

O local escolhido de fato é lindo e pertinente, como escrevi anteriormente, mas deve ter sido uma das causas da distribuição muito pequena de convites para o evento. Muitas peças históricas na mostra intensificou o cuidado com a segurança e a presença de um público maior. O público total nos dois dias foi por volta de 350 pessoas, o que é muito pouco, considerando que eram 20 desfiles. Só de staff, amigos, patrocinadores de cada marca dariam fácil-fácil mais de 500 pessoas por dia.

Segundo soube, os convites foram distribuídos pela Findes. Sabemos que uma Federação de Indústria tem um mailing muito específico e que um desfile de moda tem outras questões envolvidas. Deveria existir uma assessoria de imprensa da área também envolvida no mapeamento e distribuição dos convites.

Outro dado que deverá ser observado nas próximas edições, e sim, espero que venham outras, é a relação com os profissionais locais, especialmente imprensa. Todos nós convidados, incluso Lula Rodrigues, Adélia Lopes e Yuko Suzuki temos muito a acrescentar com suas respectivas visões, além de tornar o evento (re)conhecido nacionalmente. Porém, santo de casa pode não fazer milagres, mas é quem faz a engrenagem funcionar no dia-a-dia. Senti falta da fala e da presença local nos debates e mesas redondas.

Mas isso tudo, nem de longe, tira a importância do evento. Vi muita coisa boa, vi muita vontade do Espírito Santo consiga se estabelecer como um pólo de moda que não fique conhecido apenas pela “modinha” e pelo jeans e sim pela moda que produz. Meu querido amigo Ivan Aguilar está de parabéns, e ele sabe, que as críticas feitas aqui são para que cada vez mais tenhamos eventos como este espalhados pelo Brasil todo.

Novos Criadores agora em Vitória ES

O Ivan Aguilar é mesmo um empreendedor. Um dos grandes nomes da moda vindo de Vitória, conseguiu seu lugar na moda masculina depois de participar da Cada de Criadores em São Paulo e no Fashion Rio. Como todos sabem eu sou super fã do trabalho dele, ao lado de outros jornalistas como o Sylvain Justum e o Lula Rodrigues.

Há algum tempo ele vem desenvolvendo um trabalho com o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (Findes) e do SEBRAE para descobrir novos talentos da moda capixaba. Nos dias 16 e 17 de outubro acontece o evento “Novos Criadores”.

Os desfiles vão acontecer no meio dos objetos e obras expostos na mostra “200 anos de indústria no Brasil”, e promete dar visibilidade ao trabalho de 20 novos estilistas, selecionados por André Hidalgo e Ivan Aguilar, entre mais de 400 trabalhos apresentados.

“Queremos mostrar aos empresários que em Vitória existem pessoas criativas, que podem impulsionar ainda mais o mercado da moda com seus talentos. Eles precisam de espaço para mostrar suas peças, assim como eu tive” explica Ivan Aguilar. Quando estive em Vitória, fui ver a montagem da exposição e ele havia me contado sobre o projeto, que como amigo, prometi não revelar nada. O lugar é incrível, assim como a exposição.

André Hidalgo, idealizador da Casa de Criadores, ajudou Ivan a escolher não só o casting como também selecionou todos os outros profissionais envolvidos no evento. Todos os estilistas são capixabas, já têm alguma experiência na área e são conhecidos do público. Eles também vão concorrer ao 1º Prêmio Novos Criadores de Vitória – Novos Estilistas, o vencedor será selecionado por André Hidalgo para participar da próxima edição da Casa de Criadores.

Bom, além disso, vão acontecer duas palestras: uma minha no dia 16 às 15h30. Vou falar sobre os desafios da moda brasileira no cenário da moda mundial. Depois, meu outro amigo querido, o Lula Rodrigues vai falar sobre os “Caminhos do Streetwear / Urbanwear”. Ueba, como diz o Lula.

No dia seguinte, Adélia Lopes e a Yuko Suzuki vão discutir o design, a produção e o futuro da moda no Brasil.

A lista dos novos estilistas selecionados é:
Juliana Altafim e Najla Dib
Juliana Fernandes
Luana Falcone
Ludymila Araújo e Flavia Manhone
Luisa Mendes
Maira Gama
Nathalia Schneider
Samira Matos
Thalita Maria

Os esilistas convidados são:

Gabi Lima
Humberto Guaracy
Josué Vasconcelos
Kessy Borges
Lamartine Neto
Nina Presan
José Edson
Carla Micher
Letícia Serafim
Milena Porfírio

Claro, que o FM vai contar tudo sobre o evento!

VIX: Comentários do segundo dia do VFS

Vamos começar com uma piada interna, então. Como em qualquer evento, os jornalistas são convidados para almoços e jantares. Aqui foram pelo menos 4 e como o prato típico e orgulho da região é a moqueca capixaba, todos resolveram oferecer o mesmo prato. Eu só fui em um, então adorei. Ontem tinha gente surtando por um bife, um McDonalds da vida… O apelido pegou: Moqueca Fashion Week.

Tudo brincadeira, porque todo mundo está adorando a cidade. Foi uma surpresa para muita gente que veio pela primeira vez. Os erros acontecem, mas ninguém liga. Pior é quando depois de mais de 10 anos, alguns erros re-incidentes acontecem no SPFW e no Fashion Rio. Fizemos uma listinha ótima ontem, que não vem ao caso…

No stress: vista da sacada do quarto do hotel

Ivan Aguilar anuncia sua mudança para São Paulo

Fruto da terra, Ivan Aguilar estava em casa ontem. Eu acompanho o trabalho do estilista desde 2006 quando ele fez sua estréia fora do Espírito Santo na Casa de Criadores. De lá para cá, seu conceito entre a crítica especializada vem só aumentando, tendo conquistado pessoas como o Lula Rodrigues, Sylvain Justum, e elogios do Michael Roberts no seu desfile de Verão, que fez questão de ir no backstage do estilista.

A idéia de fazer um casual elegante é o golpe de mestre dele. Ele tem uma clientela fixa aqui que consomem seus ternos ultrabem cortados, em lã fria 120 importada. Nos desfiles, ele sempre preferiu mostrar o outro lado, onde sua alfaiataria está a serviço de uma moda menos formal. Ou seja, bem afinado com os novos tempos, em que muitas empresas já assumiram o contigente de homens sem-gravatas.

Já tinha comentado do desfile do estilista no balanço que fiz do Fashion Rio e da questão do casualwear. Aqui ele resolveu apresentar suas peças mais comerciais que não tinham entrado no desfile carioca. Eu sou fã de suas jaquetas, da camisaria, do bom corte das calças, que pouco a pouco trazem um avanço no guarda-roupa masculino.

Foi muito bom ver mais peças dele neste sentido. As cores entram pontuando a coleção que se centra nos tons brancos, areia e cinza claro e pinceladas de azul, a cor da estação. Suas camisas floridas em algodão anarruga já nasceram hit da coleção. As mulheres amam, como a Denise Dahdah e eu também. Ele me disse que foram feitas pouquíssimas desta camisa. Finíssimo que ele é, me deu de presente uma assim que eu cheguei em Vitória e me pediu para usar no desfile. Usei e claro, foi um sucesso total.

No último bloco, entraram os tradicionais clientes da marca usando costumes pretos com camisas brancas e gravatas pratas. Tenho gostado destes momentos homem-da-vida-real, porque em modelos, claro, que uma roupa bem feita caem muito bem. Melhor ainda se gente normal usa e fica bem. Não tem imagem melhor, assim como faz o Ricardo Almeida em seus desfiles.

Antenado, além dos paletós de dois botôes, hit absoluto das próximas estações, Aguilar colocou o de um botão, que se não é para todos os corpos, pelo menos, já existe alguém aqui que faça. Depois, ele me disse em primeira mão que está mudando de Vitória para São Paulo e pretende concentrar sua produção por estas bandas. BEM-VINDO!!!!!


Entrada final do desfile do Ivan Aguilar. Você pode conferir os looks no site da marca

Poltex faz desfile conceitual com estudantes de moda

A Poltex é uma malharia que existe desde 1993 e conta com 72.000m2 de área contruída que abriga os setores de tecelagem, beneficiamento, acabamento e estamparia, que podem produzir 600ton/mês de malhas em diversas estruturas.

Como tecelagem acharam melhor fazer uma apresentação conceitual convidando estudantes de moda da FAESA para desenvolverem micro-coleções com os tecidos deles. Isso foi feito com maestria pelos alunos da UDESC para a Renaux View no SCMC. Ao todo foram 40 looks desenvolvidos por 8 estudantes.

Quem me conhece, sabe que não sei mentir. Todos os que desfilaram são estudantes de moda, mas o que me espantou mais é como eles lidaram com esta possibilidade. Foi uma experiência que ficou no meio do caminho. Muitos ficaram entre fazer um desfile portifolio e outros enveredaram para uma experiência conceitual que não chegou a lugar nenhum. Uma delas, apresentou o tema Collant e o desfile era somente collants, sem que isso se revertesse num aprofundamento das formas desta peça, uma experiência de modelagem.

Penso que quando você é aluno, seu compromisso é com a pesquisa, com as possibilidades que o tecido apresenta, com o que você pode modificar a matéria-prima que você se propõem a trabalhar. Faltou ousadia e conhecimento técnico. Mas como é o primeira abordagem deste tipo, não tomem este comentário como um balde de água fria, ok? Em tempos globalizados a informação está por aí paa todos. O mercado está cada vez mais competitivo, centenas de escolas de moda espalhadas pelo país formam milhares de novos estilistas a cada dia. Ou seja, não dá para brincar em serviço. Se você tem uma oportunidade destas, aproveite ao máximo, se esforce ao máximo, porque se não…

Missbella tem clima de superprodução para uma moda volúvel

A Missbella já desfilou no Teen Fashion em São Paulo e para o Verão 2009 apresenta o tema Nice Trip, inspirado no Mágico de Oz. Vamos combinar que o segmento teen não é dos mais fáceis, mesmo porque esta idade é complicada mesmo.

No recente passado da moda brasileira, tivemos bons momentos deste segmento, principalmente na década de 90, quando a Triton, Zapping já fizeram coleções muito superiores as das marcas-mães. A Ellus 2nd Floor é um case também muito interessante para se estudar, tanto no primeiro momento quando o Ricardo Gonzales fez uma micro-revolução com a contratação de gente jovem super talentosa e nas coleções da Rita Wainer. Hoje, penso que o melhor exemplo de uma moda teen bem pensada e amarrada é a Yamê Reis para Cantão.

A Missbella apresentou tantos e muitos looks que acabou não conseguindo amarrar uma cara para Verão. Eu tenho problemas quando um desfile começa a apresentar as famosas variações sobre as mesmas peças, com tecidos diferentes, sabe como? Então, dá-lhe o mesmo tecido florido em vestidos, tops, shortinhos. Depois vem o listrado e assim por diante.

Atirar para tudo quanto é lado não é solução. Tem que achar uma linha e ir em frente com ela. Depois, a coleção comercial vai se desdobrando a partir disto. Esta é diferença entre desfile e look book. A Colcci sofre do mesmo problema. Depois de ver tanto look, nem a crítica nem o público consegue assimilar uma idéia, uma imagem.


Entrada final do desfile da Missbella. Você pode conferir os looks no site da marca

P.S Aliás, por falar em Colcci, sabe quem era o modelo-celebridade na passarela? Rodrigo Hilbert que acabou de fotografar ao lado de Gisele Bündchen para o catálogo da marca catarinense. Jutiça seja feita, A Missbella não teve culpa. Segundo comentários nos bastidores, a Globo fez uma mega convocação para que todos os atores que estão atuando em alguma novela fizessem um mutirão de gravação porque os cronogramas estão atrasados. A marca capixaba tinha um outro ator em mente, mas com isso, ele cancelou sua vinda, e acabou sobrando para o Hilbert, para delírio da platéia feminina que adorou.

EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO VERÃO PASSADO

A Carolina Vasone resumiu numa frase o que aconteceu nos lançamentos de Verão 09: não vimos moda, só roupa, sobre a falta de novidades na temporada que tinha tudo para ser incrível. Afinal, temos conhecimento de causa de verão, temos uma das melhores relações com o corpo do mundo e no final das contas, quase morremos na praia… Se não fossem algumas bravas marcas.


A melhor coleção do Verão: Maria Bonita

Como não estou preocupado se a saia vai ser mais curta ou se o vestido é o grande must da estação, porque no fim das contas, o que a gente vai ver na rua é o mesmo que vimos no verão passado, só que com muito mais babado.


A melhor moda da praia do mundo: Lenny

O que eu gostei de perceber é que duas linhas principais dominaram as imagens do Verão: água e terra. Várias coleções trabalharam sobre estes temas, de modo diverso. Os aquáticos foram Maria Bonita, Lenny, Ellus, Osklen, Ronaldo Fraga, por exemplo. Os de terra, temos as bonecas de Reinaldo Lourenço e os guerreiros/as de Alexandre Herchcovitch, Animale. Vão dar editoriais bem bacanas, estes temas.


As melhores flores e babados do Verão: Alexandre Herchcovitch

Uma coisa que dominou muito as conversas de bastidores desta temporada é se o que as marcas estão fazendo são uma repetição do que elas já fazem há muito tempo ou se o que estamos vendo de fato é uma afirmação da identidade de cada uma.


O melhor do bom sempre: Huis Clos

Isto tem seus aspectos positivos e negativos, claro. Entre as marcas que você imediatamente reconhece e tem grande qualidade estão Alexandre Herchcovitch (masculino e feminino), Maria Bonita, Huis Clos, Lenny (Fashion Rio), Ronaldo Fraga, Lino Villaventura, e Gloria Coelho.


A melhor história de todas: Ronaldo Fraga

Outras estão procurando novos caminhos e continuam em alta, como Osklen, Redley, Cantão e Reinaldo Lourenço. Vale a pena reconhecer, entre elas, o trabalho de Priscilla Daurolt na Animale. Afinal, ela aos poucos transformou os prints de onça, numa moda muito sofisticada e sexy ao mesmo tempo.


Um ótimo novo caminho: Reinaldo Lourenço

Entre marcas menores e que podem ousar mais e propor novos ventos para a moda e ainda assim já tem uma assinatura, tivemos Marcelo Sommer (Do Estilista), Fábia Bercsek, Luisa Bonadiman, Priscilla Daurolt. E por causa da linha do final do desfile, a Neon pode investir em uma outra direção.


Duas coleções incríveis numa estação? Priscilla Daurolt

Na linha repeteco, sem contar as infindáveis revisões da década de 70, temos a Isabela Capeto, Forum, Colcci, Iodice, e quase todas as marcas que desfilaram no Rio: Mara Mac, Cavendish, Elisa Conde, Alessa, Juliana Jabour…


Cores foram as armas de várias coleções masculinas. Exemplo: Reserva

Os homens não foram os grandes favorecidos no Verão, ainda assim, Ivan Aguilar (Fashion Rio), Igor de Barros (VROM) e Reserva fizeram da cor e conforto suas armas para que o guarda-roupa masculino não ficasse a ver navios. Eu particularmente adorei mesmo foi a coleção do Herchcovitch que de longe conseguiu a mais criativa visão de streetwear da temporada. 


A imagem relax me conquistou mais que a Osklen: Redley

Fizeram uma boa figura, até melhor do que a linha feminina, os meninos da TNG e Sandpiper. Mas foi na Redley que eles marcaram um gol de placa, ofuscando as meninas. Já as mulheres se saíram melhores, principalmente na Ellus. Nada que seja UAU! Tudo na linha roupa-roupa.


Assim como o caminho casualwear do Ivan Aguilar

A grande decepção da temporada foi a estréia da linha masculina da Rosa Chá. Fui fazer o backstage e entrevistei o stylist do desfile Matheus Mazzafera e não acreditei. Qual a imagem que você pensou para homem Rosa Chá? perguntei para o stylist. Ele respondeu: “Um homem que trabalha”. Retruquei: Mas não é linha praia? Matheus: “Ah! Um homem atual que vai para Saint Tropez…”. Toca o celular do fofo. Ele olha pra mim e disse que tem que buscar um Fulana de Tal e depois responderia minhas perguntas.


E não vamos perder tempo com coisa feia e ir direto ao assunto. The best: Herchcovitch

Ao contrário dos outros stylists que estavam o tempo todo preocupados com os looks que iriam entrar na passarela, ele estava mais preocupado com as amigas sem convite que estavam chegando na Bienal. Enquanto isso, vários assistentes tentavam dar conta deste “homem-atual-que-trabalha-e-vai-para-Saint-Tropez-e-que-gosta da DSquared, imagem mais forte do desfile, no fim das contas.

Ah! E a cor do Verão? Eu apostei no azul em todas as fotos, percebeu?

FASHION RIO:: Poucos e bons homens

Quem cobre moda masculina no Brasil já está acostumado aos poucos desfiles. Aqui no Rio tivemos Chiaro, Ivan Aguilar, R. Groove. Nas marcas mistas os meninos se saíram melhor na Sandpiper, TNG e Redley, já na Adpac não funcionou tão bem assim. Tem a Totem também, mas aquela performance desnecessária da Bia Lessa me deu uma preguiça imensa.

R.Groove investe em luta livre e pesa na mão

Aos muitos jovens cabe a tarefa de buscar novos caminhos e propostas para o enxuto guarda-roupa masculino. As experimentações da R. Groove não deram muito certo. O estilista Rique Gonçalves que fez um desfile divertido no Inverno, voltou suas atenções para a luta livre mexicana e vamos combinar que tem que ter muita bala na agulha para não escorregar no ringue kitsch deste universo.


Quem faz uma camisa destas pode oferecer muito mais (foto: Charles Naseh/Chic)

Em algumas peças ele consegue realizar bem esta operação como na bela camisa-jaqueta da abertura, no agasalho listrado e no conjunto colorido. Mas no todo, com as peças de lycras agarradas aí não teve sorte. Acho que está na hora de dar uma guinada e deixar de lado este styling engraçadinho e investir mais na moda mesmo.


É por aí o caminho da R.Groove (foto: Charles Naseh/Chic)

Chiaro acerta no clima hippie beira-mar


Atenção na nova calça-cargo (foto: Charles Naseh/Chic)

A Chiaro apelou para o xamanismo para dar um upgrade no seus meninos do Rio. Se não trouxe vários pontos de exclamação, pelo menos vai investindo em algumas pequenas mudanças no visual relax bem bom para o Verão. Como sabem, a moda masculina é feita de alguns detalhes que são introduzidos para dar uma nova roupagem para velhas peças.


Atenção na gola kimono (foto: Charles Naseh/Chic)

Por exemplo nas calças-cargo são ajustadas na parte abaixo dos joelhos que podem virar bermudas num piscar de olhos. Outra boa sacada são as camisetas meio kimono, e quando eles utilizam o floral como um detalhe nas golas e laterais de bermudas. O resultado foi um clima hippie que não ficou óbvio demais, como tantas coleções femininas vistas por aqui.


Esqueça o colar e atenção no detalhe florido (foto: Charles Naseh/Chic)

Ivan Aguilar encontra seu lugar no casualwear


O shape impecável de Ivan Aguilar (foto: Charles Naseh/Chic)

O capixaba Ivan Aguilar fez sua estréia nas passarelas na Casa de Criadores. Ele já tinha uma tradição na alfaiataria, mas para seus desfiles começou a buscar uma linha menos formal e não é que isso permitiu a encontrar um lugar no mercado masculino? Ternos bem cortados e bem feitos, no Brasil temos a excelência do Ricardo Almeida, a tradição da Vila Romana e VR, e mais recentemente os ternos semi-prontos da Alfaiataria Paramount.


O floral Liberty que até as mulheres querem ter (foto: Charles Naseh/Chic)

Como estão todos estabelecidos em São Paulo, com anos fazendo uma clientela fixa e fiel, seria muito complicado sua entrada por aqui. Ao rejuvenescer sua marca, ele preenche uma fatia do mercado cada vez maior de profissionais que buscam estar bem vestidos sem ter que apelar para o trio costume, camisa e gravata. É bom prestar atenção, que muitos profissionais liberais de sucesso não precisam mais deste tipo de uniforme. Ainda mais que somos um país tropical e que é bom buscarmos uma forma nossa de se vestir, mesmo para negócios, porque me dá aflição ver em pleno verão um homem de terno.


A jaqueta é a peça-chave do novo guarda-roupa masculino (foto: Charles Naseh/Chic)

A cada estação, Aguilar, vem transformando seus paletós em jaquetas bem cortadas e com caimento impecável. É uma ótima opção nesta linha casual. Seus xadrezes miúdos que lembram listras com um toque de cor lilás, seus florais também miúdos com fundo branco, dão o exato toque de cor que o homem precisa, sem pensar se é gay demais.


Edição esperta de Thiago Ferraz que faz dupla ótima com o Ivan (foto: Charles Naseh/Chic)

Aliás, esta é uma outra questão delicada para o homem brasileiro. Qualquer roupa que o faça parecer gay, ele foge correndo como o diabo da cruz. Neste quesito, o estilista soube também resolver bem. Dá informação sem avançar demais. Nada é justo demais, tudo está na proporção correta. Ele agora precisa de um sócio investidor para abrir uma loja própria em São Paulo. Porque não dá para ir para Vitória só para ter as peças dele, concordam?

Sandpiper e TNG trazem Navy para as massas


Bons contrastes na Sandpiper (foto: Charles Naseh/Chic)

Depois de um inverno sem uma imagem forte, investindo no que já tínhamos visto a exaustão, o verão da Sandpiper volta a fazer o que sabe fazer bem, uma roupa leve com bom preço, voltada para o consumidor carioca. No verão passado, quando o Ciro Midena fez o styling ele tinha definido uma imagem por aí, que tinha dado muito certo.


A camisa jaqueta em chambray é um achado (foto: Charles Naseh/Chic)

A maior parte das peças são em azul e branco, que começam bem clarinhos e vão escurecendo numa alusão a um dia de verão, sem chegar no preto, que teria sido, neste caso, um erro. Peças fáceis e coordenáveis, como camisetas pólos com listrinhas, ótimos xadrezes em camisas confortáveis, bermudões com cara de praia que não fazem feio no asfalto. Tem até os shortinhos, mas confesso que depois de usar, causa ainda um certo desconforto por causa do olhar das pessoas. Hoje, sou um adepto das bermudas.


Navy sem complicações na Sandpiper (foto: Charles Naseh/Chic)

Nas mãos da Legendária Regina Guerreiro, a TNG masculina retomou os seus melhores momentos que já teve o talentoso Henry Alaver no comando. Muita gente me perguntou se os elogios que a imprensa especializada faz é em respeito a Regina. Respondo, talvez sim. Ela é uma editora e o que ela faz é isso, editar. Acha que o caminho certo é fazer uma moda esportiva sem grandes pretensões, resumida na frase: “É fácil fazer o difícil. Difícil é fazer o fácil”.


Alfaitaria em jeans da TNG (foto: Charles Naseh/Chic)

Ela consegue fazer exatamente isso. Pega os tecidos que a TNG dispóe, pensa no público que ela tem, e vai colocando uma informação aqui e acolá. Sem grandes pretensões. Por isso que a crítica pode falar bem. Aqui não é terreno de experimentações e imagens fortes de moda. É um desfile de uma marca que não é cara, que não tem tecidos incríveis, exceto o jeans. É o que é.


E por falar em jeans, bote reparo no efeito delave (foto: Charles Naseh/Chic)

Os destaques na onda navy da TNG são os paletós espertos com lapelas diferenciadas e comprimento mais curto, feitos em jeans e sarja. Bom também é ó efeito delave nas calças jeans. Para dar uma cor tem uns tricôs bem levinhos, camisetas básicas, que é o que homem precisa. Dá para ter várias peças no guarda-roupa sem ter que gastar uma fortuna. Precisa mais, kiridjinho???


Um detalhe faz toda a diferença (foto: Charles Naseh/Chic)

Com a Redley finalmente entendi o que quer dizer esporte fino


A Redley redefine o absurdo conceito de esporte fino (foto: Charles Naseh/Chic)

Conversando com os amigos jornalistas, todo mundo foi meio que unânime dizendo que mesmo bom o verão da Redley não foi tão impactante quanto o inverno. Será?


Quem disse que as pregas não voltariam nas calças? (foto: Charles Naseh/Chic)

Eu fiquei bem impressionado com esta coleção, juro. Achei esta coleção mais sofisticada em termos de recortes e junções formando uma outra organicidade, a partir de prints gráficos formadas por linhas retas. É uma das coisas que me fez prestar atenção.

 
Repare na parte interna do blazer. Construções sofisticadas (foto: Charles Naseh/Chic)

É um trabalho de construção impecável. Cada peça é construída por uma junção de outras, fazendo pequenas aberturas sem que isso altere o shape limpo. Ao usar uma paleta de cores menos contrastantes do que o inverno, este trabalho não apareceu com tanta força, mesmo porque às vezes é milimétrico mesmo. Um conselho? Todos deveriam ter ido ao backstage para ver com mais atenção.


Pequenas aberturas, fechamentos especiais (foto: Charles Naseh/Chic)

Ao pegar elementos esportivos, como os manjados conjuntos de jogging, por exemplo, a Redley vai conseguindo dar uma nova cara, sem aquele ar futurista, e assim, serem super usáveis. O lindo cenário feito de com piso de grama verdadeiro e um fundo branco, era um campo de futebol estilizado, reforçou bem a idéia de roupa esporte.


Versão contemporânea do velho agasalho de jogging (foto: Charles Naseh/Chic) 

Confesso que prestei pouca atenção no feminino, pois o masculino era meu foco. Até as calças com pregas, que eu abominava, fiquei com vontade de ter uma. Outra marca, que depois de muito buscar seu lugar, tendo passado por lá até o talentoso Maxime Perelmuter, está avançando a passos largos, e sem parecer com a Osklen.

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