A arte transformadora de Claudia Andujar

Este artigo é uma declaração de amor e respeito a fotógrafa e artista Claudia Andujar e sua célebre foto Yanomani da séria A Casa de 1976, que teve o poder de transformar minha percepção da fotografia. 

 andujar.jpg

Você já se deparou com uma obra de arte que você não consegue tirar da cabeça? No meu caso, se trata da foto Yanomani da série A Casa (1976) de Claudia Andujar. É  uma imagem mundialmente conhecida e que tem a primeira vista este tom de mágico, em que tudo parece sagrado, ou para alguns, quase uma imagem de outro planeta. Mas a história de como esta obra me acompanha, trata da minha própria relação com a arte, e mais especificamente com a fotografia.

 

Depois de ver esta imagem, descobri que a artista nasceu em 1931, na Suíça. Em 1944 os alemães ocuparam o país e mais de 400 mil judeus foram mandados para os campos de concentração e boa parte de sua família, incluindo seu pai, foram mortos do campo de extermínio de Dachau. Claudia e sua mãe conseguiram fugir em um trem que transportava gado. Em 1955, veio ao Brasil e aqui se tornou brasileira. Trabalhou na extinta revista Realidade. Por lá conheceu os Yanomanis e se engajou na causa indígena.

Conversando com Eduardo Brandão, galerista da artista, sobre a questão técnica de Andujar, perguntei como ela consegue dar esta dimensão mágica na fotografia. Ele me explicou que uma de suas principais idéias foi a substituição de equipamentos de flash pela distribuição de lampiões de querosene no interior da oca. Com isso, a imagem exibe uma espécie de “deslocamento” dos elementos à volta do índio, sugerindo a migração de sua consciência: focados em primeiro plano, e por conseguinte o índio parece flutuar sobre um fundo de luzes.

Quando finalmente conheci a artista e perguntei qual o motivo que a leva a querer fotografar, para talvez entender meu próprio fascínio pelo seu trabalho: “É através da imagem do Outro que cheguei a me conhecer e cheguei a entender o amor que nutro pela vida; a angústia de poder penetrar e captar o ser em seu íntimo; uma imagem que acaba de se refletir em mim”.

Tudo o que procuro ver na arte tem este aspecto transformador, de alteridade. Quanto mais aprecio, estudo e me aprofundo nas artes, mais me modifico como pessoa.

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