RESPOSTA: Fenômeno do Revival

damals_-_sue_ellen.jpg Sue Ellen  lanvin.jpgLanvin

Mariana Ramogida pergunta :: estou adorando esse espaço!
e já que é pra perguntar..o que vc acha do fenômeno revival? está para além da moda? está por toda parte..em todos os âmbitos..é uma tendência estético comportamental?
é dada a hora de se olhar pra trás?

Oi Mariana

Eu pessoalmente não gosto muito de revivals, gostaria que a moda apontasse para o desconhecido, para o novo. Agora, profissionalmente, eu entendo esta questão de revisitar as épocas.

O importante é observar que este vai-e-vem da moda, não significa exatamente ter as roupas do jeito que elas eram. Vamos pegar um exemplo bem atual, que apareceu na temporada passada dos desfiles de Verão e que invadiram com força as passarelas de Outono em Paris: a volta das ombreiras, que eu estou chamando de “Invasão de Sue Ellen”. Para quem é novo, Sue Ellen é uma personagem da série Dallas, a típica perua da época, e é claro, sua marca registrada eram as ombreiras.

As ombreiras para as mulheres era símbolo de seu novo status e poder. Os yuppies eram a tribo que definiu um período. Se a década de 70 foi a época do “ser”, os anos 80 e 90, foram do “ter”. Foi neste período que as mulheres fizeram suas conquistas mais efetivas, em termos de mercado. Muitas chegaram a postos de comando, diretoria, presidência. Margareth Tatcher foi primeira-ministra da Inglaterra.

Muitos não acreditavam que este enchimento pudesse um dia voltar a ser moda, mas dentro do revival da década de 80, ela não poderia faltar. Na última coleção de Lanvin, o talentoso estilista Alber Elbaz, fez uma verdadeira apoteose ao ombro. Toda a silhueta foi montada sobre eles.

A inteligência do designer está na forma como ele atualiza esta questão, evitando a junção do triângulo invertido, típico dos anos 80, e dar uma suavizada nas estruturas das ombreiras, neste caso, estrutura de pregas e volumes e não de enchimento.

O revival também é muito comum em grandes maisons, como Chanel, Saint-Laurent, Dior. Como perteceram a grandes e geniais criadores de moda originalmente, estas grifes desenvolveram seu DNA, que as faz distintas de todas as outras.

A cada temporada é um esforço de Lagerfeld de atualizar o espírito Chanel, assim como Stefano Pilati paraYSL ou Galliano para Dior. Eles estudam os arquivos, pensam em novos tecidos, usam tecnologia, para que, o desejo contemporâneo de compra seja constantemente renovado, sem perder as características da marca.

Vendo o fenômeno do ponto de vista social, há um certo conforto e mitificação do passado, porque representam certezas já vividas, e para muitos, a incerteza do futuro assusta, ainda mais que as previsões não são nada alentadoras: aquecimento global, possibilidade de guerras. O passado está lá, aparentemente imóvel e imutável.

Quantas vezes a gente já não ouviu “Ah! Eu queria ter vivido na década de 40”, ou outra qualquer. E porquê? Porque a história é contada por aqueles que venceram, e não pelos derrotados. Tudo parece melhor no passado. O que sabemos não é verdade. 

Em tempos de crise econômica mundial, o mercado da moda quer apostar no que vai vender, e se o passado confiável vende, porque não usá-lo????

Espero ter respondido sua pergunta.

1 Comentário

  1. Nossa!! Com foto e tudo! que luxo..obrigada mesmo pela resposta. Sue Elen é maravilhoso..ahahahaha
    sabe..eu fico pensando nesse fenômeno como algo que está para além da moda…no design de uma maneira geral, na música, no marketing….como se os revivals fundassem tb uma tendência de comportamento humano.
    Não sei se exagero e é claro que precisamos andar pra frente não é mesmo?rsrs, mas não deixo de acreditar que essa sim é a maior e mais marcante macrotendência na sociedade.
    É ótimo ouvir suas histórias..e sua opinião profissional sobre esse e quaisquer temas.


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