FASHION RIO ::Desfiles externos são necessários ou pílulas douradas?

 

Chega de Paris, porque o circo já está se armando novamente.

Como todo mundo da moda já sabe, saiu o line up do Fashion Rio e já começo com um velho de batido tema: a tortura dos desfiles externos

Segunda-feira de madrugada no horário fashionista, 10 horas da manhã, a Redley desfila no Forte de Copacabana e a Sta Ephigenia no Parque das Ruínas, logo após ao meio dia. Vai atrasar tudo, vai ser aquele inferno denovo denovo.

Sim, são duas locações inacrês, mas fica a pergunta: para quê? Para inglês ver? Já reparam em foto de desfile? É close, meu bem, é close puro. Nem cenário você vê. A maioria das revistas todas querem mostrar roupa. A maioria limpa a foto para melhor editar suas visões, concorda?

As marcas investem tanto em cenários mirabolantes, que podem ser boas para TV, mas logologo viram notícias que perdem importância em pouco tempo. O fotógrafo mais importante de moda, Marcio Madeira, em várias conversas, em Paris, não se lembra de nenhum cenário. Ele se preocupa com a luz e a roupa, mais nada.

Para quem está cobrindo, pode ajudar a entender um pouco mais a idéia central da coleção, pode dar um efeito mais emocionante, porém, vamos combinar, que o que importa, é que a estrela única e absoluta e nosso olhar se dirige para isso: roupa roupa roupa.

Um dos desfiles mais inesquecíveis, as roupas de papel do Jun Nakao, alguém lembra do cenário? Não. As roupas rasgadas, sempre.

Nesta hora, vem sempre alguém dizendo, que “lá fora” (estou adorando usar este termo, de forma irônica, novamente), as maiores marcar sempre tem cenografias lindíssimas, etcetcetc. Pois é, Chanel, Dior, Paris, Milão, tem história de moda. Nós, somos recentes, quase adolescentes no terreno. Temos que afirmar nossa qualidade real e não ficar dourando a pílula de coleções de idéias requentadas vindas de “fora”, sabe como?

Meu sonho de consumo como jornalista de moda? Seria um line up continuo, com cada marca com direito a x números de looks, luz boa e um contínuo… juro!

Tá na hora desta gente bronzeada (ou não) mostrar seu real valor. E sua mercadoria deve ser roupa de qualidade, idéias originais, porque imagem vende, mas o consumidor no fim das contas, quer produto.

Uia, nunca imaginei que escreveria isso um dia… Está aberto o debate.

Confira abaixo o line up do Fashion Rio, de onde você poderá acompanhar o balanço diário do melhor e pior que aconteceu, por aqui mesmo…

03/06 – domingo

16h30 – Coletiva de Imprensa (Marina da Glória)
18h30 – Lilica Ripilica

04/06 – segunda-feira

10h – Redley (Forte de Copacabana)
12h – Sta. Ephigênia (Parque das Ruínas)
16h – Virzi
17h – Mara Mac
18h – Layana Thomaz
19h – Salinas
20h30 – Tessuti
21h30 – Cavendish – Salão Corcovado

05/06 – terça-feira

15h – Têca – Novos designers
16h – Juliana Jabour
18h – Graça Ottoni
19h – Maria Bonita Extra
20h30 – Victor Dzenk
21h30 – Colcci

06/06 – quarta-feira

11h – Sommer (Cine Odeon)
15h – Caroline Rossato, Luciana Galeão e Kylza Ribas – Novos designers
16h – Chiaro
17h – Cantão
18h – Eliza Conde
19h – Márcia Ganem
20h – Lenny
21h30 – TNG

07/06 – quinta-feira

10h30 – Walter Rodrigues (Arquivo Nacional)
14h30 – Rio Moda Hype
16h – Reserva
17h – Animale
18h – DTA
19h – Luiza Bonadiman
20h – Sandpiper
21h30 – Blue Man (Copacabana Palace)

08/06 – sexta-feira

14h30 – Rio Moda Hype
16h – Melk Z-da
17h – Totem
18h – Complexo B
19h – Elisa Chanan
20h – Alessa

PARIS 8 :: MODA

Estar em Paris e não ver moda, é impossível. Vamos então um resumão daqueles de memória, porque já escrevo daqui de São Paulo.

Você pode bater perna durante todo dia, toda semana e vai descobrir sempre coisas incríveis, desde as marcas mais conhecidas, as mais novas, tudo está lá. Então vamos começar pelos magazines.

BONS COMPRADORES, BONS MAGAZINES

Um magazine é uma síntese de desejos e por aqui você pode escolher Printemps, Laffayette, Bom Marché, H&M e até Colette. As duas primeiras estão lotadas de turistas e a seleção não é tão impecável quanto do Bon Marché. A H&Mtem que escolher bem a loja e estar disposto a uma pesquisa daquelas, com olho clínico, mas o preço compensa.

Seleção é a alma do negócio. Comprador na Europa e EUA deve ser uma profissão de alto-risco. Escolher antes de todos o que vai vender, o que vai agradar, não é tarefa para qualquer um, não e é um job super bem pago por aqui. Foi esta a minha primeira conclusão: bons compradores, bons magazines.

Aí que entrou meu problema com a Colette. Sempre foi uma loja-ícone, com escolhas únicas, um fresh…mas confesso que me decepcionou. Para que ter a mesma bolsa Prada de franjas que está em todo lugar, ou mesmo Nike Air, ou o mesma jaqueta-paletó cinza da Dior Homme???

O lugar mais legal em termos de escolhas foi  de longe o Bon Marché. Afe, afe, afe!!! Masculino e feminino. Chloé, Balenciaga, Dior Homme, Kenzo, tudo muito bom e sim, inacessível… Mas para pesquisa é ótimo. Não tem tanto turista, sinalização  clara, a se perder de tanta coisa. Era tudo o que a Daslu queria ser, não é mesmo???

BRECHÓS VALEM A VISITA

Agora, bom mesmo é dar uma visitada nos brechós. Começar pelo Didier Ludot, que tem a melhor coleção vintage de Paris. Lanvin e Balenciaga originais, dignos de museus de moda. No Marais tem vários, e as bolsas de crocodilo, que sim, voltam, estão com preços ótimos, desenhos incríveis, bem antigas, meio Hermés, valem a pena. Casacos de veludo alemão, também. Você encontra um, em ótimo estado, por 40 euros.

Tem que ter disposição, olho e informação, mas até Yohji você encontra. Ou o chapéu que o John Galliano fez uma de suas entradas dramáticas no fim de algum desfile, também. E a minha adorável capa de chuva meio trapézio da Burberry. Pechinche sempre, mostre interesse, desejo, e diga que não vai levar e faça uma cara triste…dá super certo, garanto.

Misto de brechó e loja de roupas novas, que vale várias visitas, está a minha preferida: Killiwatched. É alemã e tem um acervo de chapéus baratíssimos por 20 euros, suspensórios por 10 euros, bolsas lindas entre 20 a 120 euros. Pena que as botas de cowboys em couro de cobra não tinham meu número…

DESEJO DE BRANCO

As vitirnes das principais lojas da Rive Gauche estão cobertas por branco. Esqueça os desfiles ultracoloridos da Dior, lá uma saia, camisa e bolsas brancas. Kenzo, que por causa de Antonio Marras, ganhou mais appeal, a vitrine começou com os verdes e pretos, e quando eu estava saindo, já estava branca…

Sim, o desejo do verão é esse. Mas a febre são bolsas de tamanho médio. A diferença está nos detalhes. Sanfonadas, com detalhes dourados, não importa, a  bag desejo é white. Isso vale também para os meninos, que estão usando muitos sapatos brancos de bicos ultrafinos. Será que a Glória Kalil vai mudar de opinião sobre o item? Eu já aderi e comprei um de verniz, lindo, meio inglês, na versão tenis….

Claro, que as cores aparecem, como o azul klein e o verde. Os dourados e prateados continuam, principalmente nos tenis. Porém, a Vogue Paris, já decretou que cor vai ser mesmo no próximo inverno 2008, principalmente o rosa, já que na sua edição especial de coleções, colocou todos os modelos em todos os tons possíveis desta cor…será?

STREET WEAR

É nas ruas que a moda se confirma, mesmo. E o que as pessoas estão usando? Boys & girls usam calças jeans skinnies. Os japoneses daqui têm as mais colantes do planeta. O pois (bolinhas) estão voltando aqui e acola. Sapatilhas são o must, de todas as cores e prints possíveis.

Os hoodies com ternos e jaquetas já são itens diurnos, + os coletes e gravatas e jeans sequinhos para meninos, tudo justo, tudo muito Slimane rock’n’rol. As calças cenoura já conquistaram os mais antenados. O tenis preferido é o Nike Air. Porém, a Le Coq Sportif está tentando ganhar terreno de novo, e está com uma coleção bem desejável. A moda negra do rap e o skate tomaram conta da rua e da noite indie. Por brancos, claro.

E as fotos ficam para depois, por que minha máquina e meu computador estão se estranhando…

PARIS 7: EXPOS

Ja me conformei que não da para ver tudo mesmo, mas estou superfeliz com o que vi. O que pensei em cada exposição, que o melhor é estabelecer um dialogo com ela, seja o nivel que for.

Na do Gaultier e Chopinot foi uma sintese deste dialogo, porque fui por muito tempo dançarino e trabalho com moda, então, as duas linguagens são muito proximas. Entender como uma criação estah a serviço de outra e como uma amplia o significado de outra, é uma situação bem contemporanea.

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Assim acontece na do David Lynch, por mais que eu não goste de sua pintura, ou a forma como ele escolheu para mostra-la, é um grande exercicio pessoal de entender como sua visão de cinema, tão especifica, consegue ser tranposta para pintura, e vc consegue enxergar nelas, e no personagem Bob, todas as angustias e tormentos do cineasta.

As fotografias modificadas digitalmente a partir de postais eroticos são de fato o melhor da exposição, assim como seus desenhos e cadernos de notas. Dificel é ver toda a sessão de curtas, que fica localizada no meio da mostra.

Do passado ao futuro, Paris tem de tudo um pouco. Vi a exposição “René Lalique, Créateur d’exception 1890-1910” no Musee du Luxemburg, que tem peças que nunca foram mostradas ao publico e os projetos e desenhos que o designer fez para se chegar às peças. O detalhismo tanto do desenho qto das peças são admiraveis.

Ontem, acabei na vernissage no Palais de Tokio, para ver a retrospectiva do Steve Parrino, um artista que morreu em 2004, que misturou tudo o que podia no seu liquidificador artistico, sem nenhuma censura. Na verdade, são 3 expos em uma. Seleção de uma centena de obras suas; uma recriação de uma exposição feita por ele, em que sua obra dialoga com Warhol, Frank Stella e jovens artistas.

Aqui tres companhias mentais: Paulo Bruscky, artista revolucionario e experimental brasileiro, que teve seu atelie remontado na XXVI Bienal de São Paulo, curada por Alfons Rugs; Carmela Gross, artista, que começou no anos 60 e estah ainda em plena atividade artistica e de ensino, ela eh orientadora, por exemplo de Dora Longo Bahia, no seu doutorado. E por muitos VJs, especialmente o Duva, porque Parrino fez varias experiencias de sons e imagens.

Mas de todas, Air du Paris, no Centre George Pompidour foi a melhor. Partindo de uma obra de Duchamp, que dah o nome a mega exposição, é uma grande reflexão artistica sobre a cidade. Como sou mestre em Arquitetura e curador, é claro, que esta foi um presente inesquecivel.

Primeiro, porque sem querer me deparei com uma obra da Sophie Calle, delicada, linda, sobre a Tour Eiffel. Depois com uma centena de desenhos e duas esculturas de Louise de Bourgeois, e por ai afora. Sai daquele jeito, pertubado, silencioso, emocionado, mudado, como a arte deve fazer a gente sentir.

Por enquanto é isso, vou retomar depois com mais detalhes estas mostras. Mas quando vc for ver alguma exposição de arte, antes de gostar ou não, tente conversar com ela, seja o que for, seja do jeito que for. Pode concordar, discordar, brigar, amar… cabe tudo entre o gosto e o desgosto, sabe como?