Verbo na Galeria Vermelho


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Rapidinho. Acabei de tirar as fotos, com o queridón Ricardo Keuchgerian, para minha performance “Saindo do Armário”, dia 10 de julho, às 20h30, na abertura da Verbo, semana de performances da Galeria Vermelho.

Você poderá escolher a roupa e a música que eu vou dançar para você, em troca de uma confissão.

Depois, conto mais detalhes, ok?

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Balanço Moda Masculina :: Milão/Verão 2008

A temporada de lançamentos masculinos para o Verão 2008 terminou em Milão com 26 marcas, entre elas, Prada, Jil Sander, Valentino, Emporio Armani. Hoje, já começou Paris. Não vou comentar uma a uma, porque estou, como todos sabem, em fechamento e com desejo de estar lá e não aqui…

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Emporio Armani: paletó de 1 botão, com silhueta marcada na cintura e calça folgada

De uma forma geral, as primeiras impressões nos levam a crer que se a silhueta slim ainda domina o pedaço, a mais larga e confortável já dá sinais de grande avanço. Como Lula Rodrigues já havia adiantado, é a hora e a vez do paletó de 2 botões, assim como o de 1.

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Alessandro Dell’Acqua terno de 2 botões, com silhueta slim

A barra das calças sobem, porque se é verão, o estilo pescador sempre retorna. Até, então nenhuma novidade no front, concorda?

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J. Linderberg encurta a barra …

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… até chegar no meio termo entre a calça e a bermuda

O que chamou atenção é que muitas marcas ensaiam novas formas para esta peça do vestuário, mas pelo visto ainda vai levar alguns milênios para que algum homem (de verdade) queira usar.

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Calça jodphur do Emporio Armani

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Ceroulas da Prada

O esporte sofisticado continua firme e forte, como na moda feminina. Enquanto que no Brasil, as sungas continuam largas, na Europa, eles continuam tentando emplacar a versão micro. Própria para Mikonos e Sitges, talvez. Porque na Farme, é gongo certo.

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Micro-sunga do Emporio Armani

A grande novidade é que certos tecidos, próprios do guarda-roupa feminino, como musseline e organza com suas transparências, apareceram bem fortes. Será que Pepeu Gomes, estava certo em dizer que “ser um homem feminino, não fere meu lado masculino?”…

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Fendi: a maior defensora do estilo feminino/masculino…

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… espirrou em Alessandro Dell’Acqua…

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…e chegou forte em Dries Van Noten

Minha teoria sobre este “fenômeno” tem origem no “efeito Slimane”. O ex-estilista da Dior Homme, que a partir do rock criou a silhueta slim para o público masculino, tinha em grande parte de sua clientela mulheres que adoravam o corte de suas roupas. Se deu certo com a Dior, porque não poderia colar em outras marcas?

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Jil Sander: para lembrar que nem só de transparências vive o feminino no masculino

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Prada: também aderiu de modo delicado ao novo homem, já identificado pelas amigas dos 2 neurônios no seu texto “O homem é a nova mulher”, no Folhateen de 25/06

E dentro deste movimento, as bolsas masculinas vivem seus dias de glória, como bem apontou Hyper Cool. Palavra de Oliveros: Graças a Deus!!!!

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Bolsão e tênis da Burberry Prorsum: quero ver quem vai gongar meu tênis de neoprene e minha maxi bolsa de vinil Ivan Aguilar

Para não sairem dizendo por aí que sou tendencioso, que eu gosto destas modernidades todas, meus desfiles preferidos foram os que trouxeram uma moda masculina retrô. Homens elegantes, finos, destes que fazem as mulheres ( e as bees, claro!) suspirarem. Em alguns momentos do SPFW, eu mesmo apostei neste look, como o da Bottega Veneto, com sapato branco de bico fino e tudo.

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Neste quesito, o desfile de Valentino foi imbatível, trazendo de volta, o que parecia inviável: a volta do jaquetão. E ainda por cima, sapato sem meia, que ficou muito charmoso, concordam???

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FOTOS DE MARCIO MADEIRA E EQUIPE / STYLE.COM

 

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Sylvain Justum adere a onda dos blogs!!!

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Mais um! Mais um! Mais um! O jornalista e figurinista do GNT Fashion, Sylvain Justum, também aderiu a onda dos blogs, com seu Hyper Cool. O nome do blog é perfeito, porque neste meio da moda, pouca gente é tão cool quanto ele.

Rápido no gatilho ele já fez o balanço da moda masculina de Milão. Pode incluir nos seus favoritos, que vale a pena!!! Assino e garanto.

Pergunte que eu respondo: Alessandra Carvalho – Lain

Quando vc estiver a fim, gostaria que falasse sobre o streestyle. Eu vejo alguns poucos sites (uns 4) e um de Stocolmo me parece o melhor. O caderno Ela do Globo neste fim de semana publicou sobre o modo de vestir dos japoneses de Shibuya, de como eles tem inspirado “tendências” etc e tal. Eu não consigo achar aquilo bacana, sabe? Parece que estão arrumados pra ir ao um “baile do cafona”, pq é muito montado, muita coisa usada pra chamar atenção mesmo. Alessandra Carvalho – Lain

OI ALESSANDRA

Vamos lá. Eu não sou a melhor pessoa do mundo para comentar isso. Quem me conhece sabe que eu gosto de brincar com roupa. Outro dia, conversando com a Fe do Oficina de Estilo, fiquei questionando o que é roupa para vida real e o que não é.

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É claro, que a sociedade impõe certos códigos de condutas, incluso o vestuário. Roupa para trabalhar: o que pode e o que não pode. Roupa para sair: barzinho (jeans e camiseta), club fino: esporte sem tênis, festa formal: terno e por aí vai.

A roupa faz parte destas convenções. Mas, se toda regra tem exceção, as convenções de tempos em tempos são quebradas, porque a sociedade evolui e novos paradigmas surgem. Por força do hábito li aqueles manuais de se vestir, como o Chic da Glória Kalil ou Elegância do Fernando de Barros.

Todos trazem regras gerais, que são aceitas pela maioria. Mas vamos combinar que a vida pode ser bem mais divertida?

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Nesta temporada tive um modelo super gongado: shorts curtíssimo floral, blazer, camiseta e tênis de neoprene com polaina. Saí de casa, achando a coisa mais normal do mundo, afinal era uma semana de moda, e não é lá que a gente pode??? Ledo engano.

Chamou muita atenção, minha chefe me xoxou penkas e muita gente comentou. Uns amaram, outros acharam realmente forte demais. Confesso, que não estou nem aí. Já usei saia, vestido, peruca e continuo frequentando os lugares desta forma. E sem parecer uma drag queen. (kkkkkk, eu acho, nhé?)

Considero os japoneses de Shibuya ou HaraJuku, os jovens mais antenados do planeta. Eles têm uma noção única de mistura de estampas e estilo, que pouca gente no mundo tem. Eles são alvo dos principais caçadores de tendência, e muito do que eles usam, vão para passarela algum tempo depois.

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Porque isso acontece lá? O Japão era um país semi-feudal antes da Segunda Guerra. Depois de derrotados, eles se re-inventaram. Imagine o que não é passar da Idade Média para o mundo contemporâneo, num piscar de olhos? Então, antigo-novo, tradição e ruptura. Existem os grandes conflitos por causa disso, porém este jovens são os melhores representantes de um mundo em mutação em velocidade nunca vista em nenhum outro período histórico.

Eles firmaram o conceito de cosplayer, que é se vestir de personagens de ficção, que nós vimos na passarela da marca Sommer. O estilo boneca, tão evidente em Chloé, Marni tem suas raízes nas lolitas japonesas. Não podemos esquecer que são eles, os maiores consumidores de moda do mundo. A Chanel teve que fazer modelos em numerção menores só para atender esta demanda.

Querida Alessandra, sei que ao nosso olhar brazuca, conservador, tudo isso pode parecer um baile a fantasia. Todavia, olhar sem preconceitos o mundo a nossa volta, aceitar as diferenças e saber aceitar o outro, faz parte de um aprendizado maior da vida. Porque é exatamente, que temos as diferenças que o mundo vive neste estado de guerra. E as guerras começam por pequenas coisas, sabia?

Escolhi alguns looks absurdos do meu guarda-roupa para te ajudar. Pense, a mesma pessoa que você lê aqui no mundo virtual, é essa pessoa que você vê nas fotos. Mudou o carinho que se sente por mim???

Eu recomendo: texto da Oficina de Estilo

E não é que a Cris, do Oficina de Estilo, aderiu com tudo a onda Piauí??? Para quem não sabe é uma gíria criada pelos blogueiros-unidos do BlogView para designar textos reflexivos sobre a moda. Fiquei super Huis Clos (bege) com o texto: “Toda forma de expressão é contemporânea”. Leitura obrigatória.

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Para pensar no futuro da moda e em dilemas do tipo ” As pessoas usam laranja porque tá na moda laranja tá na moda porque as pessoas usam?” (adorei), a Cris constrói um texto para lá de inteligente sobre estas relações, longe da superficialidade que rondam as discussões sobre tendências.

Cultíssima começa com a citação do Jean Claude-Carriére, roteirista dos filmes de Bruñel, e termina com o texto síntese da temporada, o do Ricardo Guimarães, publicado na ffwMag. Para ler e refletir já.

É tempo de fechamento da Caras Moda

Mal acabou a temporada de moda, nem tempo pra descansar a gente arranja, porque o fechamento da Caras foi adiantado, e surpresa boa, ela não sai em setembro, deve chegar nas bancas em agosto. Então a correria tá grande. Entreguei hoje os textos do Rio de Janeiro. Amanhã começo os de São Paulo. Regina Guerreiro promete mudanças nesta edição de Verão. Não posso contar nada, mas aguardem!!!!

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Lenny Verão 2007/8: o melhor da temporada carioca

Rever com mais calma os desfiles têm seu lado bom. Na correria muitas coisas passam despercebidas e os grandes impactos não ficam tão grandes. O Rio não foi lá grandes coisas, todo mundo sabe, todo mundo comentou. Mas teve a Lenny, o que não foi pouco.

A moda jovem foi a surpresa pelas bandas do balneário, onde marcas tradicionais resolveram sacudir a poeira e dar a volta por cima. Anos atrás, a Osklen saiu do universo surfwear e criou um esportivo chic. Resultado: se tornou a marca preferida de muita gente descolda, que vive muito longe das areias escaldantes. A moda jovem vive de mudanças.

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Masculino da DTA desenhado pelo talentosíssimo Martielo Toledo

A mineira Disritmia virou DTA e contratou gente jovem de talento, e acabou trazendo muita novidade e ousadia, principalmente na sua linha masculina. Sandpiper fez 25 anos, deixou de lado o jeito largadão adolescente, cresceu e apareceu antenada com uma nova elegância tropical. E por falar em neo elgância, vale prestar atenção na hiperjovem Reserva, com sua mistura de alfaiataia e surfwear.

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Momento cosplayer gueixa do desfile da Sommer

A marca Sommer, sob o comando de Thais Losso, ataca de Japão, mangás e filmes B, como Godzilla e cosplayer. Bem bom para a geração new rave. A Cantão, que tem a experiemente Yamê Reis no comando criativo, conta a história da chita e acerta mais uma vez. Redley continua a procurar seu caminho, e importou diretamente de NY, o novo diretor criativo da marca, o alemão Jurgen Oeltjenbruns, que apostou numa imagem calma, quase zen.

Aos poucos vou postando os comentários sobre cada um dos desfiles, combinado?

P.S. As fotos são minhas, neste momento fotógrafo outsider do PIT

As tendências na moda morreram?

“Nossa moda tem sido ‘invadida’ por nossa sociedade e por nossa cultura, e essa invasão tem solapado e transformado a moda de tal forma que hoje não há mais moda ‘per se’, e, de um modo mais preciso, pode-se dizer que há um retorno à condição do estilo, mas com um novo enfoque, no individual em detrimento do grupo, da tribo”. Ted Polhemus

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Foto feita da Fila A, sem tratamento

Ao final de cada temporada de moda, a pergunta mais freqüente do consumidor final é o que vai estar na moda. Se você ler os blogs, como o antenadíssimo e profissional Oficina de Estilo, ou as revistas e as colunas de jornais especializados, vemos que a lista é tão grande, que praticamente tudo está na moda. Quando o vestido pode ser longo, médio, curto, curto-curtíssimo, balonê, bubble, franzido, de um ombro só, plissado, amassado, justo, largo, o que define o “vestido de verão”?

A liberdade de escolha é tão grande,  que resta para a maioria de quem escreve de moda é tentar organizar este balaio, para facilitar a vida de quem quer se vestir “na moda”. Dá-lhe uma sucessão de nomes criativos, que parecem saídos de um concurso de fantasia de carnaval: “mulher guerreira urbana”, “mulher techno romântica”, e por aí vai.

Na vida real, ninguém usa fantasia (infelizmente, confesso), usa roupa. E o que todo mundo quer é estar bem na fita. Ao contrário da moda passada, que a ditadura da moda passava por algumas poucas escolhas, depois da década de 90, parece que tudo pode.

Este processo foi identificado pelo antropólogo norte-americano Ted Polhemus, que cunhou o termo “supermercado de estilos”:

“Quando estava fazendo a exposição Streetstyle no Victoria & Albert Museum nos anos 1990, estive convencido de que, no futuro, assim como há 50 anos atrás, o vestir, os adornos, as escolhas musicais, etc. estariam organizados e facilmente identificáves nas subculturas ou “tribos urbanas”. Entretanto, o que realmente aconteceu é muito mais complexo. Ninguém é atualmente identificável simplesmente como “um techno”, um rapper”, etc.. Os movimentos na música pop e alternativa, na dança, no estilo de rua, etc. criam vocabulários a partir daquilo que as pessoas inventam. Porém, isso hoje é feito de uma maneira muito mais pessoal: misturas que formam nossas próprias, originais e únicas indicações de estilo em identidades pós-modernas. Portanto, mesmo que complexo e confuso, é sempre muito importante desenvolver esse olhar porque é esta busca pessoal de sentido que certamente afeta as identidades que consomem as indústrias do design´, declarou Polhemus para Cristiane Mesquita, responsável por sua vinda ao Brasil em 2006.

O que vemos hoje é exatamente isso, a “no-rules” (sem regras). Cada pessoa pode escolher aquilo que mais lhe convém, da maneira que ela quiser. Na década de 90 houve o boom da customização, onde o indivíduo podia intervir diretamente na roupa, inventando um novo modo para aquela peça que todo mundo tinha, algo como “estilista de si mesmo”.

“Com a pulverização de estilos que passa a existir nessa época, a própria idéia de tendência, é posta em cheque. E a moda, tradicionalmente um fenômeno quantitativo e massificador, definido pela estatística ‘como o elemento mais freqüente de uma mostra’, passa então de homogenizadora à uma das maiores produtoras de subjetividade dos nossos tempos.

O que acontece é que, ao longo dos anos 90, esse desejo de pertencer a um grupo, até então o apelo maior na construção da imagem, é substituído por uma nova sensibilidade, que se concentra no indivíduo. A importância das subculturas ou tribos urbanas, fenômeno dos anos 80, diminui e em lugar do grupo aparece o sujeito”. Sílvia Barros

A definição desta “sem regras” já vem sendo debatida por vários especialistas, porque o que estamos falando é de um novo comportamento e o mercado não quer perder este filão. E adivinhem quem é o maior responsável por isso? A internet que possibilitou o acesso a informação instantânea, e com a era dos blogs, todo mundo pode opinar sobre tudo e isto causou um verdadeira revolução, que nós mesmos ainda estamos presenciando. Ou seja, cada um passou, dentro de macro códigos, é claro, a ter sua própria voz e procurar seus próprios parâmetros. A informação não é mais bi-lateral com seu emissor-principal e vários receptores.

Por exemplo, um editor como o meu querido Alcino Leite, editor de moda da Folha de São Paulo, publica a lista dos melhores desfiles, mas uma googada rápida, você vai ver que muito antes, vários blogues já tinham dado sua opinião. Umas coincidem, outras não, mas todos tem sua importância, por que são tão acessados, quanto a Folha de São Paulo.

O mercado já detectou este novo comportamento e segundo Giovanni Sartori jeito de consumir mudou:

“Com a informação e os desejos do mundo moderno, as pessoas saem às ruas não para comprar roupas ou calçados, mas para comprar estilo de vida e atitude. Elas querem decifrar de que maneira aqueles produtos podem estar relacionados à sua vida. Para isso, as marcas não podem mais meramente vender objetos. Elas precisam se reinventar e oferecer relacionamentos“.

Está aberto mais um debate a la Piauí