Moda e celebridades: uma parceria histórica

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Se o Fashion Rio começou sob o signo da cópia, por causa da matéria da Revista Piauí, o SPFW começa com o signo da celebridade, tema que provoca uma série de controvérsias no meio. Muito se falou da presença de Gisele Bundchen – sim, ela hoje é mais celebridade do que modelo – no casting da Collci, a diferença entre as magras modelos e as curvas e altura da Miss Brasil Natália Guimarães, no desfile da TNG.

Para o SPFW, as atenções das coleções serão divididas por Ivete Sangalo, (Néon), Chloé Sevigny para Ellus, Luiza Brunet encerra o desfile de Tereza Santos, entre outros. NO lounge da FIAT, a apresentação da banda Bloody Social, promete frisson por causa de Jamie Burke, atual de Sienna Miller, ex de Kate Moss e Lindsay Lohan. Ele também estrela a campanha da CK Jeans com a russa Natalia Vodianova.

A relação entre moda e celebridade não é nenhuma novidade. Audrey Hepburn foi a estrela que melhor encarnou o espírito de Givenchy. Na despedida de Yves Saint Laurent foi Catherine Deneuve que apoiou o estilista. O cinema e moda sempre andaram de mão dadas, mas hoje, mais do que atrizes, são as celebridades que estão no alvo do mercado da moda.

Os anos 80 foram a década das top models, que substituíram no imaginário popular as divas do cinema. No começo do século XXI, as celebridades tomaram conta do mundo da moda. Se antes, era importante ter convidados ilustres na primeira fila, hoje um rosto famoso pode ser a imagem de uma coleção.

Em 2005, várias marcas decidiram que era a hora e a vez das celebridades. Chanel deu o grande recado nesse ano. O desfile começou com a entrada de todas as supermodels da década de 80. Em looks pretos, elas surgiram do lado contrário da passarela, vindas do pit dos fotógrafos.

O cenário era um grande red carpet, onde paparazzis perseguiam as modelos. Mas o que causou mais comoção, foi quando ao final do desfile o estilista da marca, Karl Largefeld, pára em frente da atriz Nicole Kidman, garota propaganda do perfume Chanel Nº 5 e a convida para passarela, ao som de “Notorious”, do Duran Duran. Naomi Campbell conclama as top models a se retirarem e a história está criada, a nova imagem de glamour retorna à sua origem, o cinema.

O descoladíssimo Marc Jacobs, estilista da Louis Vuitton, nos lançamentos de verão 2005, convocou a atriz Christina Ricci para abertura de seu desfile e para atuar na campanha da marca, ninguém menos do que Uma Thurman. No passado o posto coube a Jennifer Lopez.

A marca francesa Lancôme teve como imagens marcantes os rostos de Isabella Rosselini e da atriz brasileira, radicada na França, Cristiana Reali, a própria Uma Thurman, Drew Barrymore, assim como Gwyneth Paltrow fez para Estée Lauder.

A premiada atriz Charlize Theron protagonizou um comercial de 45 segundos para o perfume J´Adore de Dior, inspirado na imagem das divas do cinema, como Marylin Monroe.

E não somente mulheres são as eleitas, Ermenegildo Zegna já teve no ator Adrien Brody (“O Pianista”) seu ícone, assim como o jogador de futebol inglês e ícone metrossexual, David Beckham foi o escolhido para as marcas Police e Adidas.

O mundo da música também tem seus representantes no mundo fashion. Viviane Westwood foi a idealizadora do look punk dos Sex Pistols. A estrela-mor Madonna já desfilou para Jean Paul Gaultier e foi escolhida para campanha da Versace, lançada no começo do ano. Repetiu a dose para a americana GAP com Miss Elliot. Franz Ferdinand já foi fotografado por Heidi Slimane, estilista da Dior Homme. Britney Spears lançou a fragrância Curious pela Elizabeth Arden.

No Brasil não é diferente. A Ellus, que já teve como convidadas a atriz Milla Jovovich, no verão e inverno de 99, Xuxa para verão de 2005 e Daniela Cicarelli para o inverno de 2005, escolheu a atriz Fernanda Torres para a campanha de verão 2006. Nos anos seguintes, o posto coube ao misto de modelo, atriz e celebridade, Letícia Birkheuer.

Nelson Alvarenga, diretor da marca, explica que rostos famosos trazem tanto a questão de visibilidade como uma identificação pelo grande público com a marca. “Os famosos agregam valor para a marca, porque são formadores de opinião”, completa Alvarenga.

O auge desta relação moda e celebridade pertence a Forum. Quem não se lembra do desfile da marca no inverno de 2004, quando ficção e realidade tomaram conta da passarela? Era o grande momento da novela Celebridade, de Gilberto Braga e os personagens Maria Clara Diniz (Malu Mader) e Renato Mendes (Fabio Assunção), presentes na platéia, fizeram uma gravação de cena, literalmente, de novela.

Vale ainda lembrar, que uma das dez imagens mais marcantes dos últimos dez anos de moda, eleitas pelo programa GNT Fashion, está a passagem arrasadora de Vera Fischer na passarela da Forum para o verão de 97, usando um vestido para lá de sensual azul com uma estampa de rosa vermelha.

Para Tufi Duek, o uso de celebridades por qualquer marca é muito delicado. “Usar uma pessoa famosa sem que ela tenha uma identificação com a marca, que não acrescente nada a idéia que o desfile apresenta, pode render várias páginas de jornais e revistas, mas a roupa e a própria marca ficam em segundo plano.

Para os dois momentos marcantes da Forum, o estilista justifica: “A idéia de sensualidade permeava toda a coleção de 97 e a Vera Fischer é um ícone brasileiro neste sentido. Já a estratégia com a novela Celebridade, também tinha a ver com o momento que estávamos vivendo. Se analisarmos, por exemplo, o desfile de inverno 2005, a Fórum apresentou exatamente o contrário. A coleção falava de um clima mais intimista, de encontro com os amigos, de estar com quem se gosta, porque um momento de super exposição, segue outro de recolhimento.”

Sempre antenada, esta postura da Forum se aproxima muito de uma pesquisa realizada pela filial inglesa da McCann Erickson, que diz que as celebridades como imagem que vende moda têm vida curta. A tendência para os próximos anos aponta para pessoas que de fato fazem diferença na vida do consumidor final de moda, como os heróis, por exemplo.

Enquanto este momento não chega, Ricardo Almeida, sempre misturou celebridades e moda, tanto na primeira fila, quanto no casting, como o falecido editor de moda, Fernando de Barros e os atores Marcelo Antony e Rodrigo Santoro, e outros sem ninguém conhecido, com um desfile em que todos os modelos apareciam encapuzados.

Sobre esta relação, o estilista afirma: “É claro, que sabemos que se não há famosos, há menos divulgação. Mas como em outros desfiles em que o casting foi formado somente por fotógrafos, outro com produtores, em vários desfiles já celebrei a diversidade masculina, de como o homem cresceu em termos de consumidor de moda e conseqüentemente a indústria deste setor nestes últimos dez anos.”

O debate continua e vamos sofrer com o furacão que as celebridades vão causar no SPFW, que sempre dificulta o trabalho da imprensa especializada, mas faz a festa das revistas e dos sites deste setor, que não pára de crescer.

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2 Comentários

  1. […] sua referência de universo infantil e de Barbies (!!!!!) com um time de globais no casting (tem post super super do Oliveros sobre elas todas). A Osklen vai fazer Rio – mais especificamente Ipanema – e a onda de […]

  2. […] por Ricardo Oliveros em 21 fevereiro , 2008 Já escrevi um post sobre a relação de moda e celebridades com um pequeno histórico destas […]


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