Pergunte que eu respondo: Alessandra Carvalho – Lain

Quando vc estiver a fim, gostaria que falasse sobre o streestyle. Eu vejo alguns poucos sites (uns 4) e um de Stocolmo me parece o melhor. O caderno Ela do Globo neste fim de semana publicou sobre o modo de vestir dos japoneses de Shibuya, de como eles tem inspirado “tendências” etc e tal. Eu não consigo achar aquilo bacana, sabe? Parece que estão arrumados pra ir ao um “baile do cafona”, pq é muito montado, muita coisa usada pra chamar atenção mesmo. Alessandra Carvalho – Lain

OI ALESSANDRA

Vamos lá. Eu não sou a melhor pessoa do mundo para comentar isso. Quem me conhece sabe que eu gosto de brincar com roupa. Outro dia, conversando com a Fe do Oficina de Estilo, fiquei questionando o que é roupa para vida real e o que não é.

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É claro, que a sociedade impõe certos códigos de condutas, incluso o vestuário. Roupa para trabalhar: o que pode e o que não pode. Roupa para sair: barzinho (jeans e camiseta), club fino: esporte sem tênis, festa formal: terno e por aí vai.

A roupa faz parte destas convenções. Mas, se toda regra tem exceção, as convenções de tempos em tempos são quebradas, porque a sociedade evolui e novos paradigmas surgem. Por força do hábito li aqueles manuais de se vestir, como o Chic da Glória Kalil ou Elegância do Fernando de Barros.

Todos trazem regras gerais, que são aceitas pela maioria. Mas vamos combinar que a vida pode ser bem mais divertida?

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Nesta temporada tive um modelo super gongado: shorts curtíssimo floral, blazer, camiseta e tênis de neoprene com polaina. Saí de casa, achando a coisa mais normal do mundo, afinal era uma semana de moda, e não é lá que a gente pode??? Ledo engano.

Chamou muita atenção, minha chefe me xoxou penkas e muita gente comentou. Uns amaram, outros acharam realmente forte demais. Confesso, que não estou nem aí. Já usei saia, vestido, peruca e continuo frequentando os lugares desta forma. E sem parecer uma drag queen. (kkkkkk, eu acho, nhé?)

Considero os japoneses de Shibuya ou HaraJuku, os jovens mais antenados do planeta. Eles têm uma noção única de mistura de estampas e estilo, que pouca gente no mundo tem. Eles são alvo dos principais caçadores de tendência, e muito do que eles usam, vão para passarela algum tempo depois.

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Porque isso acontece lá? O Japão era um país semi-feudal antes da Segunda Guerra. Depois de derrotados, eles se re-inventaram. Imagine o que não é passar da Idade Média para o mundo contemporâneo, num piscar de olhos? Então, antigo-novo, tradição e ruptura. Existem os grandes conflitos por causa disso, porém este jovens são os melhores representantes de um mundo em mutação em velocidade nunca vista em nenhum outro período histórico.

Eles firmaram o conceito de cosplayer, que é se vestir de personagens de ficção, que nós vimos na passarela da marca Sommer. O estilo boneca, tão evidente em Chloé, Marni tem suas raízes nas lolitas japonesas. Não podemos esquecer que são eles, os maiores consumidores de moda do mundo. A Chanel teve que fazer modelos em numerção menores só para atender esta demanda.

Querida Alessandra, sei que ao nosso olhar brazuca, conservador, tudo isso pode parecer um baile a fantasia. Todavia, olhar sem preconceitos o mundo a nossa volta, aceitar as diferenças e saber aceitar o outro, faz parte de um aprendizado maior da vida. Porque é exatamente, que temos as diferenças que o mundo vive neste estado de guerra. E as guerras começam por pequenas coisas, sabia?

Escolhi alguns looks absurdos do meu guarda-roupa para te ajudar. Pense, a mesma pessoa que você lê aqui no mundo virtual, é essa pessoa que você vê nas fotos. Mudou o carinho que se sente por mim???

12 Comentários

  1. hahaha… Querido Oliveros, adorei o seu visual gueixa! Ah, desse lado aqui não mudou nada, eu sou fã dos seus textos. Qtos às roupas, apenas não consigo não rir das produções over demais à luz do dia… Obrigada por ter parado por um momento para comentar sobre os japoneses (eu sou fã dos desenhos animados, Lain é meu avatar). bjs

  2. Oliveros,
    Voce sabe, este artigo/resposta me fez lembrar da minha coleção inverno 2006, que foi inspirada nos super-heróis, e alguns eram japoneses. Vou mandar umas fotos para voce.
    Super abraço.

  3. nossa!!!…esqueci de dizer que adoro ver suas performances.

  4. Sou mega fã desses jovens japoneses. Toda aquela excentricidade e forma de expressão no vestir são incríveis. E o assunto é bem complexo, pq ao mesmo tempo que cada um deles se distingue do resto, com um modo único de vestir (super supermercado de estilos, sem pertencer a nenhum grupo específico), se inserem dentro de um grupo específico que sabe melhor do que ninguém se identificar com a roupa e expressar a essência da personalidade… parece meio paradoxal, mas é isso mesmo… até complicado de explicar…

  5. É isso! A primeira regra do streetstyle é…quebrar regras. Acho ótimas todas as convenções e hábitos adquiridos ao longo dos séculos na moda, mas, hoje em dia acho fundamental segui-las imprimindo seu toque pessoal quando for possível. Quanto aos japoneses…é surreal, mas funciona lá, né? Sou sempre a favor do bom senso em primeiro lugar. Ah! Virei leitor assíduo, tá? bjs.

  6. é aquela coisa, né, msm que eles tentem ficar diferentes e únicos, ainda estão procurando por identificação em um grupo, através do processo de imitação. :p
    adoro o blog e seu jeito de pensar moda. se me permite, estarei postando dois textos (com os devidos créditos) no http://community.livejournal.com/eglabrasil/
    é recém-criado (não por mim) e ressuscitado (teoricamente por mim rs), mas nós estamos sempre discutindo em outras comunidades lolitas (tribo importada desse contexto harajuku) as “regras”, “tendências” (hj em dia td tem que ter aspas :p), e os “limites” do que é fantasia, moda, roupas e de quando é exatamente o lugar e hora pra se vestir tão montadas do jeito que gostamos. afinal, qualquer coisa que vc coloca (não precisa do shorts de floral, basta uma saia. em mulher msm. :/) chama mta a atenção na rua, e eu meio que faço o “sacrifício”. tem dia tb que a gente quer ficar invisível, e coloca uma calça jeans. rs
    e é um saco, né? oahoahiuahe gente, brasileiro é mto caipira. digo, td bem, ninguém é obrigado a gostar de td, de um visual lotado de coisas, mas poxa, abre um pouco a mente, se não gostou, pelo menos admira, olha um pouco mais, e com respeito.
    sucesso pra vc! :*

  7. O povo se leva muito a sério… extravase sempre , você é ótimo nisso!

  8. Mister Oliveros, que prazer em lê-lo e vê-lo. Ainda hoje, no caminho do trabalho alguma coisa na rua me fez pensar na pergunta da Alessandra. Pensava: puxa, os japoneses são tão tradicionais, com uma cultura que limita tanto a personalidade. Suas vaidades são tão diferentes das ocidentais e como podem os jovens serem tão ousados? Sua explicação tão certeira mudou muito meu carinho por você: admiro-o! Muito obrigada pelas informações e pela generosidade de usar de fotos suas para ilustrar a resposta.

  9. oi alexandre onde posso baixar o serial experiments lain

  10. fala portuges

  11. you serial experiments lain

  12. tankio


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