Moda: o novo velho homem

A moda masculina avança a passos de tartaruga, pelo menos para meu gosto pessoal, sabe como? Mas foi o tema do Verão, seja para homem, como para mulheres, então, vamos fazer algumas considerações.

As mulheres saíram ganhando com a volta do masculino na moda. Coleções impecáveis sugeriram esta relação, como Herchcovitch, por exemplo. O masculino na moda feminina rendeu belas imagens no inverno, continua firme e forte no Verão. Faz lembrar a frase de Coco Chanel: “Sou contra uma moda que não dure. É o meu lado masculino. Não consigo imaginar que se jogue fora uma roupa, só porque é primavera”.

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Desconstrução do masculino por Herchcovitch (Alexandre Schneider/UOL)

A qualidade da moda masculina reside nisso, no que é durável. Um homem é capaz de usar uma mesma camisa de qualidade por anos. Este lado masculino no feminino ainda não chegou a este “requinte”, mas é sempre bom ver que a alfaiataria está a serviço cada vez mais de uma consumidora exigente.

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Homem da VRom e DTA (Alexandre Schneide/UOL)

O moda masculina teve grandes momentos, com Herchcovitch (de novo, de novo), DTA, Rerserva e VRom. Porém, é sempre aquela mesma história, ganha uma estampa mais arrojada aqui, um cor mais ousada acolá. Os grandes avanços de fato, demoram décadas para acontecer. No blog do Lula, leia o artigo da evolução do Terno Executivo, por exemplo.

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Regata de jersey de Herchcovitch e decote na DTA por Martielo Toledo (Alexandre Schneider/UOL)

Têm ítens que não adiantam, não pegam nunca. O homem tem medo de parecer gay, é um fato. Aliás, como foi muito bem lembrado no artigo de Vitor Angelo, na Revista da Folha, O Travesti e a Travesti , o próprio gay tem medo de parecer gay.

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Cartaz da exposição com saia de Gaultier fotografada por Paolo Traversi

Talvez, por causa disso, a saia masculina nunca emplacou, apesar dos esforços, desde 1987, de Jean Paul Gaultier, que lançou a primeira saia masculina dos tempos modernos. Tanto que em 2003, o estilista patrocinou a exposição Bravehearts: Men in Skirt, no Metropolitan Museum of Art. A lista de designers na mostra é grande: Miguel Adrover, Giorgio Armani, John Bartlett, Ozwald Boateng, Bodymap, Burberry, Roberto Cavalli, Christian Dior Haute Couture, Comme des Garçon, Dolce & Gabbana, Dries van Noten, John Galliano, Jean Paul Gaultier, Tom Ford for Gucci, Tommy Hilfiger, Donna Karan, Kenzo, Alexander McQueen, Paul Smith, Anna Sui, Walter van Beirendonck, Vivienne Westwood e Yohji Yamamoto.

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E mesmo assim, quanto homens aderiram???Acho engraçado, terno num calor de 40 graus ninguém acha estranho…

Voltando ao guarda-roupa masculino de verdade. O que pegou aos poucos, foi mesmo a silhueta skinny, em ternos e calças. Apesar de muitos (já) anunciarem o retorno a uma silhueta mais confortável. Porque é o que o homem médio quer e pode usar no final das contas.

Nos lançamentos para o Verão 2008 em Paris e Milão, o que vimos de novo (?) no front, foi a calça dhoti, que já teve uma versão por aqui, pela Osklen e uma bermuda lançada pelo Maxime Perelmuter, que eu uso até hoje.Quem gosta também é o Marcelo Sommer, que manda apertar na canela suas calças jeans. Igor de Barros, agora na VRom, também já havia feito as suas. É uma evolução da calça cenoura, de qualquer forma, que nem bem chegou por aqui.

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Calça dhoti em alfaiataria por Galliano (foto: Marcio Madeira)

Muito se comentou das bolsas masculinas, como a matéria Vai Encarar? no site da Vogue RG e no BlogView, em Bolsas Masculinas , escrita pelo Glauco, com mais dúvidas quanto ao uso, do que certezas. Quem sabe, com tanta insistência, elas pegam?

O cuidado com a beleza também foi alvo de comentário em Make up escrito por Luigi no BlogView. Make up acho que ainda é coisa de ator, apresentador, astro de rock ou emos. Já, cuidado com pele tem muito marmanjo aderindo. A Natura lançou uma série de produtos, que eu uso e garanto são incríveis.

Homem tem preguiça de passar creme, então tudo tem que ser prático, rápido, e não pode ter aspecto gorduroso. As linhas tipo 3 em 1 saem na frente. Por isso, a Natura deve ter sucesso, como por exemplo, seu Fluído Facial, que dá um aspecto incrível depois de usado. Melhor, dá para comprar pela internet.

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Sapatos, que nunca foram minha grande paixão, ganharam impulso na moda com os tênis e seus lançamentos especiais como os da Adidas, Vans, Nike, All Star e Puma. Deve ser por aí, o segredo do sucesso. Avançar aos poucos, sem muita bichice. Vale lembrar que o hype do tênis é coisa de pouco tempo. Quantos lugares não proíbem a entrada de pessoas calçadas assim, ainda? Outra que embarcou na onda masculina, foi a sapateira de luxo, Constancia Bastos, que lançou uma linha masculina, meio careta, confesso, alvo de post do Silvayn Justum.

Na linha de clássicos revisitados, o stylist Ciro Midena tem a melhor coleção deles, está a marca inglesa Swear London . Vale a pena dar uma olhada nos seus tênis, com desenho de sapato inglês, que são febre no velho mundo.

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Eu trouxe o meu branco de vinil, que faz sucesso em qualquer lugar. A minha coleção de saias, continuo usando de vez em quando, em ocasiões especiais. Elas continuam causando tanto alvoroço, quando usei pela primeira vez em Santos, em 1987. Mas como dizem, eu não sou parâmetro. Ou até seja, de um desejo de mudança e liberdade, para que as pessoas usem o que elas desejam, e não o que é imposto, sabe como?

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Saia André Lima para dançar o carimbó, parte do meu acervo de saias. (Fabio Motta/MixBrasil)

6 Comentários

  1. Arrasou! Resumiu tudo o que os blogs andam querendo dizer sobre a moda masculina… =)

  2. eu sabia que eu conhecia esta saia de algum lugar. Sou paraense, nunca dancei carimbó, mas usei saias idênticas para dancinhas juninas. 🙂

  3. Muito bom! Quanta informação não?? Mas é bem por aí…Bjs!

  4. quero um sapato branco desses!!!!

  5. […] O Oliveros falou na semana passada : “as mulheres saíram ganhando com a volta do masculino na moda. Coleções impecáveis sugeriram esta relação, como Herchcovitch, por exemplo. O masculino na moda feminina rendeu belas imagens no inverno, continua firme e forte no Verão. Faz lembrar a frase de Coco Chanel: ‘Sou contra uma moda que não dure. É o meu lado masculino. Não consigo imaginar que se jogue fora uma roupa, só porque é primavera.’” […]

  6. Gostava só de esclarecer que apesar da marca se denominar Swear-London, é de origem portuguesa. E sim, vale muito a pena espreitar a colecção deles.

    Apesar de portuguesa, só agora vai apostar no mercado nacional, depois de ser um sucesso a nível internacional.

    Podem aceder ao site deles através do nosso blog, e já agora de tiverem curiosidade e tempo, dêem uma vista de olhos às marcas fantásticas que decidimos disponibilizar ao mercado português.

    Cumprimentos do pessoal da AboutFace.


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