Shirley Paes Leme inaugura “Atitude: Desenho” amanhã na Nara Roesler

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A artista Shirley Paes Leme inaugura mostra amanhã na Galeria Nara Roesler (Av Europa, 655) com “Atitude: Desenho”. É uma boa ocasião para ver o delicado trabalho dela.

Tem um texto do Tadeu Chiarelli, “Shirley Paes Leme e a Captação do Fugaz”, que dá ótimas pistas para entender o processo criativo da artista.

“…Pode ser que para Jackon Pollock toda essa movimentação obedecesse a um método por ele concebido que melhor se adequava aos objetivos de sua pintura, por ele nunca concebida fora dos conceitos e pressupostos da “arte da pintura”, instituída pela tradição.

No caso de uma artista como Shirley Paes Leme que, como mencionei, surgiu após a história da arte dada – inclusive a do pós-guerra, que oficializou a performance como mais uma categoria artística entre as outras –, parece impossível prescindir da consciência de que, ao lançar-se no espaço real à cata de fumaças, picumãs e outros materiais frágeis ou evanescentes, “sai” da arte para, em seguida, nela reentrar a partir dos próprios suportes que utiliza para a captação daquelas substâncias.

Afinal, ao fixá-las em superfícies bidimensionais retangulares, a artista está certa, desde sempre, de que as deposita irremediavelmente na arte e na história da arte. Os resultados de suas ações nos espaços escuros das cozinhas do interior de Minas ou Goiás, ou em seu próprio ateliê paulistano, são percebidos, pelo menos em um primeiro momento, como figuras sobre o fundo branco da arte e sua história e percebidos, como formas delicadas, fechadas em si mesmas desenhos supostamente “abstratos” produzidos pela artista a partir de gestos sobre o papel, intermediados por qualquer instrumento (lápis, caneta ou mesmo um pincel).

Somente após um exame mais demorado é que o observador começa a perceber que aquelas formas à sua frente não são apenas (ou propriamente) pinturas ou desenhos convencionais. Algo nelas traz indícios de que não são apenas frutos da arbitrariedade, dos desígnios da artista. Guardam como que indícios de serem parte de um fluxo ou de estruturas (não importa) indiferentes a qualquer normativa da história humana.

Observando aquelas formas propostas por Shirley, se, de início, o espectador é levado a associá-las aos paradigmas da história da arte moderna e contemporânea ( refiro-me aos conceitos como o de “informalidade”, “gestualidade” e outros ),ao mesmo tempo pode associá-los às imagens que costumamos observar quando admiramos os fluxos das nuvens no céu ou os muros sujos de manchas ou construídos com pedras díspares.

O real transformado em documento, em história da arte, é o que são os trabalhos que Shirley nos apresenta. Mas não um real totalmente reificado, transformado em forma com pretensões ao absoluto, detentoras de um discurso absolutamente pautado na precessão dos conceitos da história da arte. Mas sim, um real que, transformado em índice de si mesmo, tenta resistir (mesmo que de maneira inglória, não importa) aos códigos da cultura instituída.

É isto: entre processo e resultado, entre arte e cultura, o trabalho de Shirley pulsa. Pulsa na indeterminação do texto poético”.

2 Comentários

  1. Não vi a entrevista no Estado (eu assino a Folha…..rs), mas isso significa que, sem querer, o timing do post foi perfeito! Bjo, centenária dos posts!

  2. Parabéns a Shirley pelo seu sempre Sucesso.
    Sinto-me orgulhosa!
    Abraços
    Juraci


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