Rogério Canella abre 30M na Vermelho

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Linha 4 # 16 (2006) 

Para quem frequenta as salas de imprensa das semanas de moda, conhece o Rogério Canella. Ele é quem coordena a equipe de fotógrafos do UOL. Depois de anos da Folha de São Paulo, ele tem sua própria agência de fotógrafos e presta serviços para vários veículos.

No mundo das artes, ele pertence ao casting da Galeria Vermelho e usa a fotografia para revelar aquilo que nas cidades não está onde a vista alcança. A partir de amanhã (14), na Galeria Vermelho, é uma boa oportunidade para conhecer o trabalho do Canella. Desta vez ele fotografa as obras da linha 4 do metrô.

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Linha 4 # 26 (2006)

SERVIÇO:

30M – Rogério Canella
Galeria Vermelho
Rua Minas Gerais 350, São Paulo – SP
11-3257-2033 ou info@galeriavermelho.com.br
www.galeriavermelho.com.br
Terça a sexta, 10-19h; sábados, 11-17h
Exposições até 6 de setembro de 2007

O texto abaixo escrevi para a Revista Simples há algum tempo atrás, mas ainda é um guia para entender o trabalho do artista.

Rogério Canella: a fotografia do espaço e do tempo
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Se na gravura a discussão já foi superada, a fotografia ainda permanece com incertezas dentro do mercado das artes. Devido à facilidade técnica para reproduzir imagens, parece não fazer sentido comprar uma fotografia. Se por um lado vivemos num mundo repleto de imagens impressas ou exibidas em meios eletrônicos, nosso convívio com a fotografia de arte ainda é pequeno, se comparado a sua produção.

Com ou sem mercado, a produção artística com base na fotografia é uma realidade. Uma geração de novos artistas têm provado seu valor, presentes em coleções importantes como a de Gilberto Chateaubriand. Um desses artistas, que fará individual, Maio, na Galeria Vermelho em 24 de maio e outra coletiva, Alegoria Barroca na Arte Contemporânea, no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, a partir do dia 27 de maio, com curadoria de Alfons Hug, é Rogério Canella.

Rogério Canella nasceu em São Paulo em 1973, formou-se em artes plásticas pela Faap, em 2000. Seu trabalho atualiza os gêneros clássicos de retrato, paisagem e natureza-morta fotografando latões, terrenos baldios, respectivamente, além de fotografar escombros urbanos em busca de simetrias e outros aspectos plásticos.

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Na sua trajetória, o artista começa a se interessar pela fotografia em 1998 ainda no curso de artes plásticas da FAAP, mesmo ano que ingressa na Escola do 3o. andar, de Eduardo Brandão. A “escolinha” como ficou conhecida na época é responsável pela formação da maioria dos fotógrafos-artistas da nova geração, que tem como característica principal a pesquisa a partir de uma fotografia inconformada com seus limites e que busca, no hibridismo com outras modalidades artísticas novas possibilidades de percepção, segmento da produção brasileira.

No começo do seu trabalho, Canella buscava questionar uma fotografia moderna e suas “leis” em torno do instante fotográfico. Para ele: “o objeto na fotografia já chega morto, pois representa um instante que não vai ser repetido. Fotografia representa um hiato entre aquilo que já cumpriu sua função e sua transformação em outra coisa”.

Na busca destes objetos obsoletos o artista se deparou muitas vezes com lugares que estavam em transformação. Inicia, então, uma série de fotografias de paisagens que são lugares abandonados a espera de uma revitalização. Este trabalho acaba por definir o tema central do trabalho do artista.

Em 2004 ganha a bolsa da Cité des Arts, da FAAP, onde pode aprofundar não só tecnicamente, mas conceitualmente seu trabalho. “É muito importante quando o artista pode olhar seu trabalho sem ter que lidar com o dia-a-dia. Em Paris, além de poder ver obras que só conhecia por livros, pude em outubro estar no mês da fotografia. Eram 75 exposições com os mais diferenciados enfoques. Pude perceber como a moda e a publicidade estão influenciando uma nova abordagem para o campo da fotografia”.

Além do seu trabalho como artista, Canella se dedica a fotojornalismo, só na Folha de São Paulo, ficou 4 anos e agora tem uma agência de fotógrafos, o Escritório Fotografia. Será que ter como tema a cidade, seu trabalho artístico não acaba tendo uma influência do trabalho jornalístico? “O fotojornalismo é um trabalho que tem uma certa objetividade, uma pauta a ser cumprida. É uma foto que não existe sem legenda. Já no meu trabalho artístico, pode até se perceber uma certa narrativa, quando vistas em conjunto, mas o principal é uma subjetividade, uma ligação com a pintura, com o tempo que temos para fazer uma única foto, que no jornal não é possível”, comenta o artista.

A fotografia tem muito a ver com o que o filósofo alemão Walter Benjamin escreveu sobre a perda da aura artística na época da reprodutibilidade técnica, ou seja, já que a obra de arte pode ser reproduzida, não perderia seu status artístico? “Acho que o processo se inverteu, o que era a fraqueza da fotografia, agora é sua força. Num meio em que todo mundo tem uma máquina fotográfica, tem seus diários digitais, a fotografia é um meio forte de comunicação. Aproxima as pessoas, é um meio acessível, é fácil das pessoas conseguirem uma boa imagem. Isso desperta os sentidos em direção a fotografia, ao interesse, e conseqüente aprofundamento das suas questões”.

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Por sua relação com a tecnologia, a fotografia deixou de ter o seu papel como documento. Qualquer pessoa hoje sabe que a imagem pode ser manipulada, modificada, ou seja, ela não é mais somente a representação do real. É como explica o teórico e curador Arlindo Machado: “O que hoje está começando a compreender é que fotografar, da mesma forma como pintar ou escrever, significa construir um discurso a partir dos recursos oferecidos pelo sistema expressivo e isso não tem nada a ver com reprodução do real, pelo menos não no sentido mais ingênuo do termo. A eletrônica, de um lado, e também as novas idéias sobre imagem e representação, estão forçando a fotografia a viver a sua hora da verdade e a livrar-se das convenções e das idéias preconcebidas que entravam o seu pleno desenvolvimento como arte e como meio de comunicação.”

Talvez esta seja uma das explicações possíveis do trabalho do artista. Ciente que a fotografia é um meio híbrido de comunicação e arte, mais do que subjetividade ou narrativas, suas fotos sempre frontais, em grandes dimensões, mostram lugares em que o tempo não está congelado e sim estendido, como a espera de algo a ser feito, um lugar que mais se parece com o tempo. A presença humana, mesmo não estando lá, é a força que pode destruir ou construir uma nova história.

1 Comentário

  1. quero saber tudo sobre solo de quantos metros preciso para chegar ao solo


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