Entrevista com Heloisa Buarque de Hollanda

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Por causa da matéria  Blogs e livros são tema de exposição multimídia no Rio publicada no UOL, fiz uma entrevista com a responsável pela mostra Heloisa Buarque de Hollanda.

Ela é professora titular de Teoria Crítica da Cultura da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC/UFRJ). Foi ainda diretora da Editora da UFRJ, do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro e coordenadora da Coordenação Interdisciplinar de Estudos Culturais (CIEC/ECO/UFRJ).  

Apesar de toda esta vida acadêmica, a conversa com ela tem um tom bem coloquial. Leia a entrevista completa abaixo.

1. Nesta exposição você utiliza o conceito que parte da junção do conceito de Blog com Book (livro) = Blooks. Poderia explicar como chegou a esta nova forma de produção e difusão da informação e leitura?

 Ele é até relativamente antigo e apenas me apropriei porque achei uma noção instigante. Ou seja a pergunta tradicional “a internet matou o livro?” se mostra desatualizada. O que existe é uma enorme produção literária na rede que usa o recurso interativo do blog e o ambiente descentralizado da internet para desenvolver a criação literária. Do blog ao book é um pulo.

2. Temos os mais diversos tipos de blogs, tratando dos mais diferentes assuntos. Todavia, um traço marcante em muitos deles é a dissolução entre os limites da vida privada e pública. Como os antigos diários que escrevíamos sobre os fatos que marcavam nossa vida, agora perdem a questão da privacidade e entram no domínio da esfera pública. Podemos considerá-los como uma nova forma de crônica da vida cotidiana?
Podemos. O que parece mais flagrante é a necessidade do criador e do produtor de cultura de pertencer a comunidades de troca e de compartilhamento de saberes e textos, ambiente que a vida literária não facilita em função de seu mercado reduzido especialmente aquele da poesia. Agora essa questão que você coloca da privacidade tornada pública merece uma tenção maior e é tão complexa quanto fascinante. Não foi tratada na exposição que se ateve aos blogs especificamente literários.

3. 11 de setembro é um marco ou um dos pontos de inflexão da história comtemporânea. Um dos fatos que chama a atenção é que nesta época os blogs foram responsáveis por divulgar diferentes pontos de vista sobre um fato, descentralizando (pulverizando?) a informação, que antes era privilégio dos órgãos oficiais de imprensa. De lá para cá este fenômeno tem aumentado vertiginosamente. Poderia comentar esta descentralização da informação ou esta nova forma de produção de informação
Essa novidade que é a possibilidade de qualquer pessoa se tornar autor ou jornalista é recente e parece em fase de boom com a chegada da tecnologia WIKI e da Web 2.0 É interessante porque ela é aberta, viral mas traz consigo uma certa insegurança quanto a apuração dos fatos. Entretanto num recente artigo me surpreendi com o fato de que a WIKIpedia empata em credibilidade da informação com a Enciclopédia Britânica e seus códigos fechados e científicos. A informação portanto ganhou agilidade e em certas situações é nevrálgica para a defesa do cidadão e dos direitos humanos. Já em outras, pode gerar grandes problemas éticos.

4. O flâneur de Baudelaire é considerado um arquétipo da modernidade. Se considerarmos que o projeto moderno não atingiu seus objetivos; que a vida pública se tornou cada vez mais privada; que o encontro com o Outro, o diferente foi paulatinamente considerado perigoso, e por conseguinte o espaço público foi sendo privatizado, como nos shopping centers, por questões de segurança. Você considera que a internet não seria uma metáfora de um novo modo de via pública? Em caso afirmativo, não seriam os bloggers os novos arquétipos da contemporaneidade, que poderiam recriar a experiência do choque, descrita por Benjamim? Ou seja, não seria o espaço virtual, que nos traz uma outra noção de tempo e de espaço, a possibilidade de encontrarmos com o Outro?
Nota dez para esse caminho que vc aponta!!!! Isso me aprece central inclusive no caso em pauta que é a produção literária. Ou seja o acesso ao Outro, o encontro, o choque e a necessidade urgente nos dias de hoje de desenvolvermos uma estratégia de “tradução cultural” para um encontro mais respeitoso e eficaz com o diferente. .Mas isso também me lembra uma opção que a internet te dá de ser o seu próprio Outro como é o caso de alteração de identidade, genro, aparência etc nas comunidadess e blogs ou seu caso mais concreto na experiência do Second Life. Vou paar por aqui porque vc mexeu num vespeiro e eu adorei. Não paro nunca mais.

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