Casa de Criadores 3:: Quer saber mais sobre o último dia?

As meninas do Oficina de Estilo pularam o terceiro dia, mas foram até ao Clube de Estilo conferir o que dá para comprar dos estilistas da Casa de Criadores:

O último dia do Casa de Criadores pra gente foi bem diferente: não fomos aos desfiles, mas fomos atrás das coleções do povo na vida real. Diz que nos desfiles a gente ia perceber os mesmos elementos de que falamos no primeiro e no segundo dia do evento: continua o tecido lustroso, continuam os neutros (preto, branco, bege, marinho, marrom) e as cores de pedras preciosas (que vão render post na semana que vem), continua o jérsei e as pedras preciosas em si (!!!) brilharam por lá de novo. LEIA MAIS

Luigi Torres comenta um a um os desfiles do terceiro dia, e concordo com a surpresa de Marcelu Ferraz, que tanto malhamos em coleções passadas:

A revelação da noite, porém, foi Marcelu Ferraz. Suas três últimas coleções pecavam em mau acabamento e má qualidade, o que diminuiu bastante nesta última coleção. Ainda foca em roupas de festa/noite, o estilista se inspira na cultura japonesa para seu inverno 2008. LEIA MAIS

Vitor Angelo relata sua visão plural com um post ótimo sobre o ponto de vista de um desfile:

Mas também o outsider pode ter um olhar diferenciado e menos comprometido com as relações que fizeram os jornalistas que conseguiram entrar na sala de desfile. Já li coisas incríveis de gente que “assistiu” o desfile pelas fotos. No fundo tudo se trata de uma questão de ponto de vista. LEIA MAIS

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Casa de Criadores: Moda masculina é o destaque do Inverno 2008

Eu me adiantei no balanço falando que a Casa de Criadores deveria rever seus conceitos para continuar a ter a importância e o lugar merecidos nestes últimos 10 anos.

Ponto positivo foi se adiantar no calendário, podendo assim, receber um público não tão cansado depois de sucessivas maratonas de semanas de moda, como vinha acontecendo nas últimas edições.

No geral, com tanta gente nova desfilando, além do Projeto Lab, o resultado foi bastante irregular, com altos altíssimos e momentos de puro constrangimento.

A surpresa da temporada foram as coleções masculinas. Sylvain Justum já havia comentado sobre isso no segundo dia. O streetwear confirmou sua importância para evolução do guarda-roupa dos meninos com as ótimas coleções de João Pimenta e Ash.

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ASH: Calças dhoti em alta com cós baixo (foto Alexandre Schneider/UOL)

A silhueta slim vai perdendo terreno aos poucos para um formas mais folgadas. Alexandre Herchcovitch e Johnny Luxo sinalizaram isso no primeiro dia, usando pantalonas jeans. As calças dhoti, apostas de vários estilistas tanto nacionais como internacionais continuam em alta.

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João Pimenta: grandes bolsos para quem não quer bolsas (foto Alexandre Schneider/UOL)

Calças cargos com bolsos utilitários também comparecem, já que a bolsa masculina aparece mais em passarelas e editoriais. Bolsos e mais bolsos fazem sentido para o dia-a-dia masculino, para aqueles que não querem carregar nem mochilas.

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Walério Araújo: homens que brilham (foto Alexandre Schneider/UOL)

Walério Araújo, Gustavo Silvestre apostaram em homens mais arrojados, com materiais como o couro metalizado de primeiro e as túnicas de Gustavo.

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Gustavo Silvestre: homens soltos e desencanados (foto Alexandre Schneider/UOL)

Vale a pena começar prestar atenção na marca Valencio Lemes de Karen Lemes, mas com tantas desconstruções ainda não sei por onde ela vai caminhar…De qualquer forma, mais vale uma ousadia na passarela do que muitas certezas.

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Valencio Lemes: até onde vai seu homem? (foto Alexandre Schneider/UOL)

Enquanto isso, usando um termo bem Oficina de Estilo, os homens da vida real têm várias opções de uso em Ivan Aguilar. Deixando de fora algumas modernices desnecessárias, é opção de roupa cool e com a cara do inverno brasileiro:

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Ivan Aguilar: a experiência que fez diferença (foto Alexandre Schneider/UOL)

Só espero que este bom anúncio de inverno masculino se torne realidade nas proximas semanas de moda, que começam em janeiro!

Casa de Criadores 3:: Ivan Aguilar se despede do evento

O estilista capixaba Ivan Aguilar desfilou pela última vez na Casa de Criadores. Na primeira semana de janeiro, ele começa a fazer parte do line up do Fashion Rio:

A organização do evento confirmou minha participação somente nas últimas semanas, eu já havia me comprometido com André Hidalgo e não achei justo deixá-lo na mão. Fiz um acordo com o Fashion Rio e vou desfilar uma coleção diferente da apresentada aqui“, declarou o estilista em entrevista minutos antes de entrar na passarela.

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Na Casa de Criadores ele apresentou uma coleção mais jovial, o que não deixa de ser uma boa iniciativa, dentro do universo da moda masculina brasileira. Homens não tem tantas opções quando se trata de uma alfaitaria bem acabada na forma de jaquetas e bermudas com tecidos de primeira qualidade.

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Aguilar apresentou na primeira parte do desfiles looks em cores claras, como na combinação cinza e rosa, beges e camelos. Silhueta rente ao corpo, com boas opções de trenchs leves, ideiais para nosso inverno ameno. Destaque para ótimo conjunto florido. Na segunda parte, ele aciona os xadrezes e os tons mais escuros, com uma leve inspiração militar, reforçado pelos acessórios antigos de uso militar garimpados em brechós de Paris e Berlim.

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No Rio de Janeiro, ele adianta que vai apresentar uma linha mais formal:

O que posso adiantar é que vou desfilar ternos de linhas minimalistas, muito cleans, bem estruturados, com paletós de um e dois botões. A silhueta também é slim e as barras das calças mais curtas, seguindo os padrões de evolução da moda masculina internacional“.

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Estaremos lá para conferir!

Fotos: Alexandre Schneider/UOL

Casa de Criadores 2 :: Saiba mais sobre o segundo dia

O Luigi Torres fez uma cobertura completa de to-dos os desfiles do segundo dia:

“É impressionante como João consegue variar o tema e ainda sim manter elementos típicos e recorrentes de seu trabalho, sem parecer repetitivo, sem déjà vu fashion. Estava tudo lá, as influências punks, a androgenia, a sobreposição de camadas, referências étnicas, as desconstruções e a alfaiataria re-editada”. LEIA MAIS

Ainda, com fôlego, escreveu sobre o Projeto LAB, seu abre é uma prévia do que aconteceu:

“O segundo dia da Casa de Criadores começou com sangue novo. Mais novo ainda do que os jovens talentos que integram o line-up do evento. E vamos combinar, que muitos dos participantes nem são mais tão jovens assim, né? Só ainda não fazem parte do mainstream. Enfim, voltando ao assunto, quem abriu o dia foram os quatro integrantes do Projeto Lab – que hoje mais pareceu um desfile de formatura”. LEIA MAIS

A Fernanda e a Cris do Oficina de Estilo, fizeram um post procurando o que dá para usar na vida real nos desfiles, e não é que encontraram?

“O luxo do primeiro dia fez o nosso olho brilhar também no segundo, que a gente ainda viu um monte de pedras preciosas e mais paétes e tachinhas aplicadas nas roupas, mais plumas e também franjas (eeeee!). Hoje à noite termina e amanhã tem post dessa gente toda com suas coleções de vida real, com serviços e tudo!”. LEIA MAIS

Já Vitor Angelo tem um ponto de vista singular sobre o segundo dia:

Tudo começou no primeiro dia, logo no início. A intervenção/performance do Tudi Confusi não conseguiu se apresentar na abertura por problemas técnicos. André Hidalgo, o idealizador da Casa de Criadores, não se fez de rogado e no microfone falou que: “o problema era da mesa de som… DELES”, isto é, da marca. LEIA MAIS

Casa de Criadores 2 :: João Pimenta mostra a verdadeira raiz do streetwear

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Desfile de João Pimenta Inverno 2008 Casa de Criadores (foto: Alexandre Schneider/UOL)

As inspirações de João Pimenta para o inverno 2008 não são poucas. Em entrevista ao Fora de Moda, ele explica que a colaboração com a tecelã Silvia Ribeiro foi fundamental para que as roupas tivessem o impacto que alcançaram.

“Foi um trabalho de parceria. Ela desenvolveu os dreads com lãs e crina de cavalo, que foram usadas em várias peças. Escolhemos as cores, tingimos outras, e incorporamos este trabalho que não comparece somente nos mantôs. É um trabalho único que ela desenvolve, todo mundo deveria conhecer o trabalho da Silvia”.

Ao misturar no mesmo caldeirão — artesanato, presente também no incrível trabalho de palha africana que foram usadas em casacos, índios navarros, cultura maori – na verdade ele está fazendo uma coleção de streetwear na mais pura essência da palavra.

“Tem uma imagem dos índios navarros que me impressiona, que eles começaram a trocar sua peças, por roupas ocidentais, inclusive militares. É uma imagem de decadência, de morte de uma cultura”.

O que não se transforma, o que não se adapta, morre. É uma lei da natureza. O que se vê nas ruas de qualquer lugar do planeta é isso. De um lado, a convivência com o diferente, com o outro, que não são os nossos pares, e por outro, a sobrevivência possível daquilo que um dia se entendeu por moda.

Moda vem palavra modal, que em matemática quer dizer um determinado modelo que se repete dentro de um determinado universo. É nas ruas, não nas passarelas, nem nas revistas, que a moda completa seu ciclo e para estar lá que ela existe. A moda vem das ruas e para lá que ela volta. É o ciclo da existência deste universo, que tanto gastamos linhas e linhas, páginas e páginas para tentar entender.

Ouvi nos bastidores uma frase, tipo é tão Galliano, como um elogio mesmo, não como deboche. Entendo o que está por trás desta afirmação. Nas coleções masculinas de John Galliano tem este mesmo espírito de misturar elementos de culturas diversas, para expressar um streetwear. Assim como Herchcovitch, outro mestre do streetwear masculino.
A mesma operação, de modo muito singular e muito coerente com sua trajetória, foi o que João Pimenta propôs ontem, na Casa de Criadores. Suas peças chaves, como sua alfaiataria bem acabada em tecidos como moletons, malhas e jeans estavam ali. Sua ligação com a música, seu espírito rock’n’roll também. O que poderia ser um tempero étnico estranho como a cultura maori, passa a ser tão contemporâneo como uma música de rock.

Porque ele está falando de uma mesma coisa, da moda enquanto cultura. Se na coleção passada os exus compareceram, o espírito maori desceu de forma quase religiosa na segunda parte do desfile. As cores frias como os marrons e azuis escuros, cederam lugar para os pretos densos. Foi um momento que perdi a respiração, um momento de suspensão.

Entra o modelo com uma pintura que lembra as tatuagens maoris, com um manto de tecido preto com flores em devoré também negras, nas costas um arranjo de flores vermelhas já secas.

Sim, neste caldeirão cultural, neste melting pot, cabe tudo, porque as ruas não excluem nada, ao contrário dos shoppings, dos conjuntos habitacionais chiques cercados por grades e segurança, de lojas finas, todos estes lugares que habitamos e freqüentamos e achando que entendemos de moda…

Nós, na verdade é que somos pobres de informação de moda e não sabemos de nada. Nós que no final perpetuamos esta noção de moda que mira lá fora. Porque no fundo, sonhamos com Marc Jacobs e acordamos com Raia de Goya.

Acho corajoso, único e lindo, o desfile de João Pimenta. Tenho elogiado ele nas suas últimas 3 coleções e confessei para ele, que nunca tinha pisado na loja dele. E tava na hora de mudar isso, urgente.

VEJA O VÍDEO

Casa de Criadores 2:: PAUSA PARA PENSAR

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Eu ia fazer este post no último dia, mas resolvi adiantar um pouco as coisas. A Casa de Criadores está fazendo 10 anos de existência e muito já se falou sobre ser “o berço de vários estilistas de sucesso hoje”.

Sim, é a mais pura verdade. Neste 10 anos com certeza, a moda brasileira deu um salto. Semanas de Moda pipocaram Brasil a fora, a moda passou de frivolidade de alguns poucos para ser de fato um assunto sério, em termos culturais e mercadológicos. Escolas de moda foram criadas e uma nova geração foi sendo formada.

Hoje, temos várias marcas que contratam jovens estilistas para participarem de suas equipes de criação. Já temos gerações de moda. Dani Jensen foi assistente da Maria Cândida na Maria Bonita. Walter Rodrigues e Wilson Ranieri da Clo Orozco. Fábia Bercsek do Alexandre Herchcovitch.

É com este processo que podemos começar a pensar em construir nossa moda brasileira. É um trabalho de acumulo de saberes e fazeres. Infelizmente não dá para queimar etapas. Precisa tempo e amadurecimento.

A importância da cópia

Tanto se fala da cópia, de importar modelos, que nunca vamos ter uma moda brasileira se continuarmos assim… Vamos ter, não se preocupem, mesmo que seja de tanto copiar, chega uma hora, já que cópia nunca é igual ao original, vamos achar nosso caminho.

Os japoneses nunca tiveram problemas com cópias. Eles vão assimilando tudo, retrabalham e devolvem as coisas do jeito deles. Por mais que a gente copie, não adianta nosso corpo não é igual a de ninguém

O que é moda hoje no Brasil? É o que está nos Jardins? Nas revistas? Nas novelas? No Bom Retiro e Brás? O Brasil é muito maior do que tudo isso. Mas como qualquer adolescente, quer pertencer a um grupo, então começa a querer ser parecido com o grupo que ele se identifica. É normal.

Não temos 50 anos de história da moda. Não temos bibliografia de moda brasileira que dê para encher uma estante. Muita gente boa, inclusive Ronaldo Fraga, estudou fora. Calma minha gente. Um dia o adolescente cresce, muda os parâmetros e ele consegue caminhar com seus próprios passos e fazer suas escolhas de modo mais consciente. Assim, será com a nossa moda.

E o que isso tudo tem a ver com a Casa de Criadores?

Não é novidade que eu apóio a Casa de Criadores e não é de hoje. Já pertenci até a um grupo de gente bem bacana que trabalhou com o André em um período, entre eles, a incrível Karlla Girotto e a fotógrafa Claudia Guimarães.

Sempre repetimos isso, então para o André não é novidade nenhuma. A Lulu Kennedy esteve no Brasil no Pense Moda para falar de sua experiência no Fashion East. É uma plataforma de lançamentos de novos estilistas para o mercado, assim como a Casa de Criadores, se pretende.

Alguém pode falar, mas Londres, tem muito mais dinheiro, tam mais infraestrutura, etc etc etc. Sim, pode até ser verdade, mas com quantos estilistas ela trabalha por temporada? 3. Quando tem 3, segundo ela. Ela acha cruel lançar um jovem designer no mercado que não esteja pronto para ser absorvido por ele.

Quantidade nunca foi sinônimo que qualidade

É essa a questão. Não quero comentar se fulano é bom ou se não é. Não é nem o caso. Mas quem de fato, nestes 3 dias, 19 desfiles, vão fazer a diferença como Jum Nakao, Ronaldo Fraga fazem?

Penso que o foco da Casa de Criadores está fora de lugar. Do jeito que está, parece desfile de escola de samba do grupo de acesso. A função da Casa de Criadores é ser o berço de novos talentos de moda. Mas como pensa Lulu, novos talentos que estejam preparados para o mercado.

Desfile de formatura de formatura de escola de moda? Já temos este espaço. Desfile de marcas que tem infraestrutura e loja mas querem aparecer na mídia e dão uma garibada no styling para parecer “moderninha”, será que a gente precisa disso? Muitas marcas jovens ficaram órfãs com o fim do Amni Hot Spot. Muitas continuam por aí, empenhadas na sua existência e descobrindo novas formas de divulgar suas marcas.

Novas formas de divulgação e circulação da moda esse é o próximo passo. O que estou colocando aqui não é um problema da Casa de Criadores, mas do Fashion Rio e do SPFW também.

Voltando ao Fashion East, depois do desfile Lulu começa a batalhar para que as novas marcas estejam em editoriais de moda, que compradores se interessem em ter um corner do estilista, e por aí vai, tocando a engrenagem. É isso que a gente precisa, que a engrenagem funcione como um todo.

Espero que a Casa de Criadores seja de fato a melhor semana de moda jovem e não a maior.

Casa de Criadores I:: Quer saber mais sobre o primeiro dia?

Por aqui, você pode saber como foram os desfiles de Walério Araújo, Gustavo Sivestre e ASH.

As meninas do Oficina de Estilo acompanharam tudo direto do backstage e dizem quais foram os destaques de roupa para vida real. E fizeram uma promessa:

A gente hoje vai super chegar cedo pra dar tempo de assistir tudo direitinho, sentadinhas na sala de desfile mesmo, e ainda conseguir conversar com os amigos que estão trabalhando no backstage hoje: tem o Max Weber no make do Rober Dognani, tem a Letícia Toniazzo no styling do Projeto Lab, tem João Pimenta que é sempre super elogiado (quase unanimidade!) e essa marca Prints I Like que tem tudo pra ser bem fofa. LEIA MAIS

No About Fashion tem a matéria sobre o desfile do Thiago Marcon:
A feminilidade, o tão falado girlie, só que re-editado para uma estética mais austera, sombria e, justamente por isso, mais adulta. Os tons escuros, os tecidos e matérias mais pesados e rígidos, remetem à uma imagem de mulher mais adulta, forte e segura, bem em sintonia à valores apresentados neste inverno europeu. LEIA MAIS

No Dus Infernus, Vitor Angelo faz um balanço sobre o primeiro dia pensando nas imagens que os desfiles nos deixaram:
Um evento como a Semana de Moda Casa dos Criadores é sempre instigante, pois mais do que surgir uma imagem de uma marca ou de uma coleção, é possível ver surgir “A” imagem de um estilista ou o embrião daquilo que será depois chamado pelos fashionistas como o tal do DNA da marca. LEIA MAIS