PENSE MODA 3 :: Fotógrafos fazem a tempertura subir no terceiro dia

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Mario Daloia pede mais foco na fotografia de moda

O sol abriu e o tempo literalmente esquentou no Pense Moda. O painel sobre fotografia de moda no Brasil com Bob Wolfenson, Daniel Klajmic, Mario Daloia e André Passos, sob a mediação de Ricardo Van Steen, foi sem papas nas línguas.

Muito foi falado de forma bem aberta. Vários assuntos foram tratados desde a diferença entre o trabalho autoral x comercial, limites de criação, a multiplicidade que os fotógrafos têm que assumir, porém, resolvi colocar a questão mais central do debate, que acabou sendo as relações entre fotógrafos e editoras de moda. O assunto rendeu.

Pelo tempo de experiência e por ser co-criador e co-editor da revista S/N, Wolfenson tinha muito a dizer sobre o assunto, numa mesa que ele mesmo chamou de “Calça Justa”, numa ótima alusão ao programa Saia Justa:

A moda brasileira está engatinhando, agora que estamos começando a formar uma massa crítica. É preciso lembrar que o pensamento de moda é feito por uma elite e editada por uma elite. Só que estamos defasados sempre 6 meses dos principais lançamentos de moda. Sobre esta questão de imagem da moda brasileira, fico com o que o Herchcovitch disse uma vez, estou no Brasil, portanto o que faço é brasileiro“.

Acho que a maioria presente não sabia que a formação do Wolfenson é em Ciências Sociais, portanto, além da experiência, tem bagagem para esta afirmação: “O que temos de material humano, esta beleza brasileira, não tem acesso às publicações. Toda vez que tentei retratar isto, o resultado ficou caricatural, patético“.

Mario Daloia concordou com a afirmação: “Não tem como voltar para trás e fazer fotografias de sertão ou imagens-clichês do Brasil”.

A coisa começou a complicar quando Daniel Klajmic disse que o problema também está no receptor do trabalho, no caso, as editoras de moda: ” A imagem de moda no Brasil é construída por referências internacionais óbvias. Quantas editoras estão preparadas para receber algo novo?

André Passos colocou mais lenha na fogueira: “Quando damos sugestões de algo mais autoral, geralmente elas dizem Mas vamos fazer isso aqui? Minha leitora não vai entender isso…

A revista W, por exemplo, que tem os melhores editoriais do planeta, é a mais fútil de todas, com assuntos muito superficiais, mas não deixa de publicar editoriais ousados,com medo que a leitora não entenda. Já que a maioria das revistas no Brasil estão voltados para serviços, então se ela tem 40 páginas de moda, que reserve 10 que avancem na questão, que dêem mais espaço para subjetividade“, dá a fórmula (muito interessante, por sinal) o mestre Wolfenson.

Jussara Romão (ex-editora de moda da Elle) reclama: “Mas não tem uma editora de moda para ouvir isso aqui”. Aliás. como muito bem lembrou o Sylvain sobre as perguntas que não querem calar do evento, ou seja, muita gente que deveria estar presente, não está. A sugestão do André Passos foi muito boa neste sentido, de ter mais cruzamentos nas mesas. Se o assunto é fotografia de moda, convidar algumas editoras de moda para debater, pode enriquecer a conversa. Opinião devidamente anotada pela Camila Yahn.

Van Steen a uma certa altura perguntou (reclamou?) sobre esta tendência do fotógrafo já mandar para o diretor de arte, tudo editado, com lugar para legendas, sequencias, etc.

Wolfenson respondeu: “É a vingança dos fotógrafos. Quantas vezes nós vimos nosso trabalho multilado? Se o combinado foram 10 fotografias, a minha história é contada por 10 fotografias e não 7, por que caíram 3 páginas na revista“. André confirmou: “Aí você liga para fulana para discutir, e a fulana nunca está lá“.

Depois no particular com o Ricardo, comentei sobre isso. “Falta também um pouco de tempo e diálogo entre o briefing que a editora e o diretor de arte dão para o fotógrafo, a edição e o resultado final. Tudo é tão corrido neste meio, que não há tempo para a discussão quando caem as páginas, de se consultar o fotógrafo, etc“.

Ao final, Bob Wolfenson resolver amenizar as tintas que estavam pintando “as diabas”: “Esta história é uma via de duas mãos. Os fotógrafos também tem responsabilidade neste processo. Eu chamo isso de muro das lamentações da fotografia. Os fotógrafos sempre se acham injustiçados. Mas tem uma hora que você pode propor uma solução, uma outra alternativa para as editoras. Se for algo concreto, garanto que elas vão aceitar“.

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Blog do Pense Moda

3 Comentários

  1. Que legal. Pena que perdi hoje…deve ter sido bem interessante. E o objetivo do evento está sendo alcançado: pensar as diversas facetas da moda. Ponto positivo!

  2. […] de quem cria moda no país. Marni e Chloé são as campeãs das cópias. No evento Pense Moda, fotógrafos e stylists reclamaram muito dos briefings das editoras de moda, que se baseiam em editoriais […]

  3. […] por partes. No ano passado, uma grande reclamação de fotógrafos e stylists recaiu sobre as editoras de moda. Na matéria sobre a mesa dos fotógrafos está […]


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