PENSE MODA 4 :: Paulo Borges desenha novo cenário da moda brasileira

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Paulo Borges mostra toda sua expertise no Pense Moda (foto: Fernanda Rezende) 

Paulo Borges é o homem que organizou o calendário de lançamentos de moda e colocou o Brasil no mapa da moda mundial, graças ao SPFW. Hoje no quarto dia do Pense Moda ele falou sobre o novo momento da moda brasileira:

“Nos próximos 2 anos muitas coisas vão acontecer, por causa dos grandes conglomerados. Por enquanto conhecemos o processo como as aquisições da Rosa Chá, Colcci, Sommer, Zoomp, porém este processo vai crescer muito mais, transformando o modo como nós enxergamos a moda”.

Não duvidem, o conglomerado italiano que comprou a Zoomp ainda não anunciou quais as marcas ela pretende adquirir, mas o próprio Herchcovitch que está dando uma consultoria sobre quais marcas o grupo pretende adquirir, disse que não serão concorrentes entre si.

Corre nos bastidores da moda, que dá como certa a venda da Forum e da Triton para a AMC Têxtil. A Ellus teria sido vendida para o grupo de investidores do Banco Pactual. Mesmo não revelando nomes, Paulo Borges adianta que é um processo irreversível. Aliás, este é um dos temas recorrentes em várias mesas do Pense Moda.

Dentro deste cenário, Borges diz que o grande desafio para as marcas é responder para quem ele está fazendo moda, qual o perfil do seu consumidor, dado que o público hoje não é tão fiel quanto no passado.

“A palavra tendência não faz mais sentido hoje, porque tudo está mudando por causa da era digital. A acessibilidade a informação modificou o comportamento do consumidor. Hoje uma marca lança 10 coleções ao longo do ano, para conservar sua posição dentro de um mercado ávido por novidades”.

O jornalista Colin MacDowell já tinha falado disso quando esteve por estas bandas em abril. É bom que fique claro que não é somente de Cruiser Collections que está em debate. Estas são apenas um lado da moeda. Sabe quando você vai numa loja e eles avisam da coleção de verão, alto-verão?? É isso, mas agora com mais freqüência. Esta é uma prática de grandes redes como a Zara e H&M que as marcas estão adotando.

“Isto acaba influenciando no conceito e na imagem do que vemos de Primavera/Verão e Outono/Inverno. A revolução tecnológica do setor têxtil, faz com que tecidos finíssimos consiga aquecer tão bem quanto os antigos tecidos mais pesados, ou seja, a estética e a imagem das estações também estão se modificando”, explica Paulo Borges.

Não foi comentado isso na palestra, mas isso de alguma forma colabora com nossos estilistas que apresentam suas coleções em outros países, como Herchcovitch, porque como lembrou ontem Bob Wolfenson, estamos sempre defasados em 6 meses. Ou seja, se desfila um Inverno por aqui, pode apresentar esta coleção como Verão no Hemisfério Norte e assim por diante.

Para a sobrevivência de uma marca neste cenário que vai se desenhando, Borges alerta a necessidade, além do talento criativo, para a capacidade de gestão e empreendedorismo: “Uma marca além de atender as questões que o consumidor exige em matéria de conforto, tecnologia. custo e imagem, tem que oferecer qualidade de produto, qualidade de relações. Para isso tem que ter planejamento de metas, seja de 2, 4 ou 10 anos. Claro, que este planejamento tem que ser flexível, sendo re-estruturado a cada 2 anos, corrigindo suas ações“.

Para os jovens que pretendem entrar no mercado, Paulo também faz suas advertências. A primeira é mais um conselho: “Um jovem que sai da faculdade deveria antes passar por um estágio em uma grande empresa, e não necessariamente na área da criação. Tem outras áreas de atuação que é bom que um jovem conheça“.

O segundo ponto é a necessidade do desfile. Borges apresentou 2 planilhas que demonstram os valores para um desfile pequeno. Entre a coleção e todas as áreas envolvidas na produção das roupas e o desfile são cerca de cem mil reais: “Já vi muito jovem vender um carro para produzir um desfile, o desejo de abrir uma loja e depois fechar. O mercado não é romântico. Ninguém compra roupa porque o estilista é inteligente ou bacana. Nem tampouco é uma obra de arte que você pendura e fica esperando valorizar. Ou vende ou não vende“.

Outro tema recorrente no Pense Moda, a abordagem coletiva na moda brasileira, Paulo Borges falou sobre a necessidade de convergências de atuação: “A China, Índia não é um problema só nosso, é mundial. O Caribe exporta 10 vezes mais que o Brasil. Muitas empresas brasileiras produzem na China ou importam tecidos de lá. Temos que descobrir uma maneira de inserção no mercado. A Itália, por exemplo, resolveu na década de 70 que não seria somente uma centro de produção de moda para Paris. A China vem trabalhando para alcançar seus objetivos há 50 anos“.

Ele continua seu discurso, abordando os problemas de produção no Brasil e nosso modelo de mercado: “Infelizmente no Brasil a indústria trabalha como nos tempos de economia fechada e inflacionária. Faço hoje para vender amanhã. Não tem planejamento. Hoje se uma grande rede de lojas procurar no Brasil uma fábrica para produzir 50000 peças, não vai encontrar. Por isso que temos que ter uma abordagem coletiva dentro das relações de produção, distribuição, exportação dos produtos. E principalmente descobrir pelo quê, nós queremos ser reconhecidos“.

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3 Comentários

  1. ótima cobertura com tema super atual que nenhum site epecilizado tem dado muita importância. parabéns.

  2. […] Borges já tinha cantado a bola no Pense Moda, no novo cenário da moda brasileira, os conglomerados de moda vão dominar o mercado […]

  3. […] No começo era a AMC Têxtil com Colcci e Sommer, depois os italianos da Aureate e M.A.C Investimentos com a Zoomp+Zapping, agora o Banco Pactual que adquiriu a Ellus e pelo que se especula, Isabela Capeto também já estaria sendo negociada. Outra especulação do mercado é a venda da Forum e Triton para a Marisol. A moda brasileira, enfim, ruma para a profissionalização. Ponto para Paulo Borges que cantou a bola. […]


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