PENSE MODA 5 :: Conheça Natalie Betito, a dona da pata de bode

Quem acompanha a cobertura do Fora de Moda, sabe que a coluna Pense Bem literalmente pegou no pé de uma menina que usava a famigerada pata de bode.

Nunca mostrei a foto dela, porque a intenção não era ridicularizar a pessoa em si, mas falar de algo que para os fashionistas de plantão, e que já foi até tema do GNT Fashion, é um terror. Claro, que a pata de bode perdeu seu lugar para as sandálias Crocs.

Depois, a dona da bota postou vários comentários mais do que deliciosos sobre o fato. Seu bom-humor e a leveza com que tratou o assunto, me encantou.

Com a palavra, Natalie Betito e seu manifesto pela liberdade de usar o que bem entender. Adorei!!!!

PENSE MODA 5: A tua presença…

 Caetano Veloso em “A tua presença” canta:

A tua presença
Transborda pelas portas e pelas janelas
A tua presença
Silencia os automóveis e as motocicletas
A tua presença
Se espalha no campo derrubando as cercas
A tua presença
É tudo que se come, tudo que se reza
A tua presença
Coagula o jorro da noite sangrenta
A tua presença é a coisa mais bonita em toda a natureza
A tua presença
Mantém sempre teso o arco da promessa
A tua presença

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A presença de Chiara Gadaleta e Thais Losso já foi motivo para uma pausa refresco para Babu e Cami…

O último dia do Pense Moda foi estrelado! Muita gente que não tinha aparecido, deu o ar da graça. Que bom, porque o evento merece todo o apoio de quem faz moda. Querendo ou não, a simples presença no evento significa muito mais do que nossa vã filosofia pode supor.

A Lilian Pacce veio um dia, fez pergunta e sim, foi uma presença mais do que notada. O Chic sempre esteve presente, com o povo se revezando, fez a cobertura, entrevistas. Carol Vasone do UOL, deu um tempo nas coisas que tinha que fazer e chegou lá. Doris Bicudo apareceu hoje, pedindo desculpas, porque está lá no Estadão e ainda se acostumando com sua nova rotina. Alice Ferraz foi hoje. Mercedes Tristão e Marcia Fonseca da namidia também. São assessorias que não representam o Pense Moda, mas seus clientes estavam lá, sabe como?

Ciro Midena poderia ter feito a mágoa, porque não foi convidado para a mesa de stylists, mas elegante que é, não negou presença. Thais Losso recém-chegada em São Paulo foi dar seu alô. O que eu quero dizer, é que cada uma destas pessoas representam uma parcela significativa do mundo da moda brasileira.

Sorry, não custava nada dar uma passadinha por lá. Gente que trabalhou e trabalha com a Camila Yahn, nem tchuns! Sim, estas ausências foram sentidas e comentadas por muita gente, menos pela Camila, Babu e Marcelo, estes sim muito elegantes e recebendo a todos, todos os dias de braços abertos!

pronto.falei.com.br 

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… para um conversê colorido de comadres de longa data! 

PENSE MODA 5 :: Stylists encerram com look de ouro o Pense Moda

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Minha musa Chiara Gadaleta veste Tarântula, of course!

A última mesa do Pense Moda, que já vai deixar saudades, foi dedicada aos stylists. Achei a escolha muito boa, porque um muito da informação sobre a moda passa pela imagem. Com a palavra nossos fabricantes de imagens: Daniel Ueda, Mauricio Iânes, David Pollak, Thiago Ferraz, Paulo Martinez, Flavia Lafer e Chiara Gadaleta, com mediação de Jackson Araújo, que levantou de novo a bola do papel de mediador.

Como sempre aqui no Fora de Moda, pesco as pérolas de cada um. De uma forma geral, o debate foi muito bom, com todos muito articulados. O único senão, é que como em qualquer debate, às vezes, é difícil um convidado conseguir terminar seu raciocínio. Como dissemos entre amigos depois, Pense Moda e Fale Suscinto, senão alguém pode atropelar você.

A “vítima” da vez foi o Thiago Ferraz quando estava dizendo que os stylists devem procurar educar o olhar do leitor brasileiro, que não tem o hábito de usar a moda como meio de expressão. Foi massacrado injustamente pelo Gayegos e Paulo Borges. Ele não conseguiu desenvolver o raciocínio, porque a discussão foi para outro lado. Tudo bem.

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Thiago Ferraz querido: eu e mais gente entendeu o que você queria dizer, viu?

Papel do stylist

“Eu costumo dizer que eu conto mentiras e dependo de aliados para contá-las, como o fotógrafo, make, cabelo, modelo, produtor. Numa revista eu não mostro um vestido preto. Eu conto uma história em que este vestido faz parte” Paulo Martinez

“A realidade todo mundo conhece. Nós propomos coisas que no fundo ainda não existem e que queremos que aquilo um dia exista”. Chiara Gadaleta

“Nós somos intérpretes da moda. Temos que saber para quem estamos trabalhando. O nosso trabalho não deve se sobrepor a fotografia ou a roupa no caso de um desfile. É um conjunto que funciona para comunicar o que a marca oferece ou o editorial se propõe”. Flavia Lafer

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Minha antiga admiração pelo “vizinho” Paulo Martinez só fez crescer ++++

Ossos do Ofício

Jackson Araújo lançou a pergunta “quando você diz não para um trabalho?”

“Quando me chamam uma semana antes para um desfile. Para mim um trabalho de stylist de desfile precisa de 2 a 3 meses. Entender a proposta, adequar a imagem. Eu chego respeitando a marca, mas muitas vezes não somos respeitados por ela”. Mauricio Iânes

“Os estilistas antes de um desfile estão muito inseguros, expostos. Então, chegar de última hora e dizer olha a coleção não está boa, é complicado. Por isso, precisamos de tempo. Durante este processo a gente vira psicólogo até”. Flavia Lafer

“Eu sempre digo stylist não é santo milagreiro. Se a coleção não é boa, não se sustenta, não tem trabalho de stylist que salve”. Daniel Ueda

“Tem o problema com a crítica de moda também. Se a crítica de moda cai matando, a culpa é do stylist. Então, na temporada seguinte, eles trocam de stylist”. Davi Pollak

Perguntam se a crítica de moda interfere no trabalho do stylist. Como na mesa dos fotógrafos que as editoras de moda foram a bola da vez, agorafoi a vez da crítica de moda ser criticada:

“Eu estou cansada de ler coisas, que a música era tão ruim, que não dava para assistir o desfile. Tem uma crítica de moda internacional, que quando a música não está agradando ela tira uns tampões da bolsa e continua a ver o desfile, para que isso não interfira na sua análise da coleção”. Flavia Lafer

Nesta hora, o Herchcovitch soltou da platéia: “E assistir desfile com óculos escuros? Como ela vai ver a coleção? É uma atitude muito antiga”.

“Eu fico muito impressionado que os críticos de moda vão com a mesma fúria (e eu posso dizer por que já fiz crítica de moda) num desfile do Alexandre e outro de jeans. Não dá para comparar”. Paulo Martinez

Crítica que crítica? 

A Carol Vasone preferiu se manifestar no particular: “Estamos lá para ver um desfile e o trabalho de stylist é escolher a música, a sequência das roupas, o modo que ele apresenta a coleção. Não é só a roupa que está em jogo, é o conjunto de todas as coisas. Eles estão atirando no próprio pé. Se fosse para ver somente roupas, não precisávamos do trabalho do stylist, oras!”

Para Paulo Borges não temos crítica de moda. As redações deveriam investir na formação de críticos. Colocar o cara só estudando para entender o que ele está falando”.

Eu pensando com meus botões, que concordo com o Paulo. Eu nem sei que crítica de moda eles estavam falando. Nós temos no Brasil reportagem de moda e em alguns casos análises de desfile. Um dos pontos que o Pense Moda está colocando é formação de uma massa crítica sobre a moda. Faculdades de moda são um fenômeno recente. A bibliografia e estudos sobre moda no Brasil também estão engatinhando. Não se faz um crítico de qualquer assunto da noite para o dia. Tem que criar ambientes, criar mais foruns de discussões, cursos. Não dá para queimar etapas.

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Alguém falou em sobreposições? Não tente fazer isso em casa sozinho: mais que querido Daniel Ueda sabe e faz bem

A Cópia

“Numa reunião de pauta, muitas vezes a referência do editorial já está lá com a página marcada e tudo. Eu queria assim”. Thiago Ferraz

“Só que a gente não tem o Steve Meisel, não temos o casaco de pele Gucci, então fica tudo meio tosco”, Paulo Martinez

“O difícil é que nós pensamos visualmente, muias vezes é complicado explicar a idéia”. Flavia Lafer

“Eu gosto do inesperado. Do improviso. Eu sou meio caótico, tenho uma imagem na minha cabeça. Então prefiro que as pessoas me digam o que acha desta luz, e juntos chegarmos ao produto final”. Maurício Iânes

Carta para um jovem stylist

“Eu fui assistente por sete, oito anos, Comecei com o Paulo Martinez. Vejo que as pessoas têm muita pressa hoje em dia. São assistentes por 6 meses e já saem dizendo por aí que são stylists. É muito pouco tempo. É bom passar por vários stylist antes”. Daniel Ueda

“Assistentes são importantes. Eles que nos atualizam, nos alimentam com coisas frescas. E não ficar vendo só Vogue Italia, mas entender de onde partiu e entender aquela imagem”. Paulo Martinez

FRASE DO DEBATE: É uma pergunta ou uma colocação? Jackson Araújo

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