Tendências Contemporâneas:imagens que valem por 1000 parábolas

No meio de um começo de semana atribulado para todo mundo, a gente se espremeu na agenda para o encontro organizado pela namidia, Tendências Contemporâneas. Foi um encontro atípico, na casa da psicanalista Andrea Naccache, que está finalizando seu livro sobre processos criativos. Ela convidou o grupo para assistir o documentário de Wim Wenders sobre Yohji Yamamoto, “Anotações para Roupas e Cidades”. Presentes na sessão: as meninas da Oficina de Estilo, Mercedes Tristão (namidia), Vitor Angelo (Dus Infernus), Biti Averbach (Moda Sem Frescura) e eu.

Moda. Eu não tenho qualquer envolvimento com ela. Pelo menos esta foi minha primeira reação quando o Centre Georges Pompidou, em Paris, pediu que eu fizesse um curta metragem no contexto da moda. O mundo da moda. Eu sou interessado no mundo, não na moda! Mas talvez fosse precipitado descartar a moda. Por que não, olhá-la sem preconceito? Por que não examiná-la como outra indústria qualquer, como os filmes, por exemplo? Talvez a moda e o cinema tenham algo em comum. E além disso, este filme me daria a oportunidade de conhecer alguém que já havia despertado minha curiosidade, alguém que trabalhava em Tóquio (O estilista Yohji Yamamoto).

Este é quase o começo do documentário realizado em 1989. Tem antes ainda um discurso lindo sobre a identidade. Aliás, são vários os discursos. Diferente de outros documentários sobre moda, como “Unzipped” sobre Isaac Mizrahi ou “Karl Largefeld Confidential”, Wenders quer discutir mais do que a moda: estão no documentário um debate do diretor consigo mesmo sobre o futuro do cinema com a era digital que já está batendo a porta, a fotografia, a futuro das cidades, no caso Toquio e Paris, o processo criativo, e sim, a identidade.

É bom ver que o despertar o interesse dele, Wenders pela moda, se dá quando ele compra uma camisa e um paletó do estilista. Há algo nelas que o lembra da infãncia. O cineasta fica intrigado em saber como aquele estilista sabia tanto sobre ele. Com isso ele estabelece uma ponte com Yohji e o modo como ele consegue conceber a roupa com esta identidade.

Assim, ele vai revelando para todos, interessados em moda ou não, o pensamento do estilista japones. Ele tem um livro de cabeceira desde o ginásio, o do fotógrafo August Sanders, sobre o qual o Vitor Angelo escreveu um artigo Da Espiritualidade das Roupas, que ajuda muito a entender o por quê de Yohji gostar tanto dele.

Bom, não dá para ficar contando o filme por aqui. Procure a assista, porque vale a pena. Um dia me perguntaram se eu pudesse escolher uma roupa para usar o resto da vida, respondi: uma túnica negra do Issey Miyake, uma camisa branca da Rei Kawakubo e uma calça de Yohji. No filme há a cena do desfile do Yohji que deve ser ou de 88 ou 89. Continua tão atual, como se fosse feito hoje. Ele persegue o tempo, mesmo não acreditando no futuro. Eu continuo acreditando nestas 3 peças de roupas até hoje.

Anúncios

3 Comentários

  1. que lindo, oliveros! quase tão bom ler seu texto quanto assistir ao filme ‘em si’! a gente achou a parte em que ele explica a quantidade de preto incrível – e também quando ele fala de estilo (da gente ser guardião da cela e não prisioneiro! – isso foi libertador, não?!?? amazing. todo mundo tem que ver. =)

  2. e a gente nem conversou depois, mas o filme é muito sobre cinema também, néam? não é inacreditável como as imagens interagiam loucamente com o texto?!?? (ai, queria ter conversaaaaado!)

  3. será fácil de achar este filme? fiquei curiosa!


Comments RSS TrackBack Identifier URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s