FASHION RIO:: Do paraíso ao inferno em 13 horas

O penúltimo dia e foi bem tranquilo. Nenhum grande atraso, dava para assistir aos desfiles, escrever, conversar. Todos meio cansados de uma temporada fraquíssima, com idéias que já tem no mínimo 2 anos. Lembram da minha lista? Pantalona, xadrez, cintura marcada, anos 70 e 20, xadrez, shape menos volumoso, xadrez…Pois é. O problema do Rio é que a adrenalina não sobe. Temos um desfile pela manhã, que sempre atrasa, ficamos com um intervalo meio truncado e tudo recomeça tarde por volta das 16h e ontem se estendeu até meia noite e meia.

REDLEY: OÁSIS NO DESERTO ÁRIDO DE IDÉIAS

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Preto e Branco na Redley: coleção de contrastes ótimos

Pelo menos de manhã cedo tivemos o esperto desfile da Redley, o melhor desfile disparado do Fashion Rio. A marca está em outro patamar. É como escrevi na L´Officiel:

Uma aula de streetwear antenado. A coleção baseada em uniformes, sejam militares ou esportistas, alcançou um patamar de qualidade de coleção que ainda não tínhamos presenciado até agora no Fashion Rio. O alemão Jurgen Oeltjenbruns que iniciou a direção criativa no verão passado, conseguiu avançar em termos de coesão de idéias para o inverno.

A cartela de cores que mistura preto, branco, verdes militares fechados, são iluminados por lindos azuis e laranja. O trabalho na construção gráfica através de debruns e recortes, especialmente em bolsos utilitários, fazem bonito com contrastes bem marcados. Até o tricô, uma das peças-chaves da estação, ganha estratégicas tranças que seguem este mesmo raciocínio.

Jurgen realmente acertou a mão neste desfile. Ao pegar uma tendência forte do masculino, o militar, ele conseguiu dar uma cara leve, orgânica, sem afetações, bem easy-to-wear. Saí de lá bem querendo várias e várias peças. Um paraíso, ou um oásis no deserto de idéias da temporada.

Depois foi a vez do Rio Moda Hype, que não me empolgou nenhum pouco, exceto a apresentação de Le Parkour na ADPAC. De um modo geral os jovens se dividiram entre os que exercitam modelagem, como Noemy e Stefania, e outro que aposta num estilo meio retrô, no caso da cearense Melca Janebro ou nos anos 70 de Renata Veras e sua homenagem a Elton John.

CHEGADA AO PURGATÓRIO: Acquastudio, Márcia Ganen e Sandpiper

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Imagem datada: o padrão argyle já chegou até na Zara no inverno passado!!!

É visível a falta que Wilson Ranieri faz na Acquastudio. O minimalismo deve ser uma das tendências mais complicadas da moda, porque para se chegar no detalhe que diferencia toda uma peça, como Clo Orozco executa na Huis Clos, é um caminho árduo, quase zen. As atuais pregas e dobraduras da marca não conseguem atingir a síntese, parecendo pesadas, ainda mais quando acontecem nos modelos de paetês dourados.
Márcia Ganen que tem um trabalho interessante bem artesanal, com fibras trançadas, também errou feio na mão. Nada, nada salvou no desfile. A Sandpiper que fez um verão incrível, cool, agora veio mais datado do que nunca. As peças estavam mal acabadas, uma tristeza. Napoleão Fonyat declarou que sua “Grand Soul Station” representa um lugar onde ele pudesse ficar observando os estilos criados por cada pessoa. Não deveria ser ao contrário? Ele propor possibilidades de estilos para que as pessoas se encontrassem?
CHALAYANA THOMAZ: “DESFILE” DUS INFERNUS
O pior ainda estava por vir. Já de cara, a gente imaginava que ia ser uma roubada, mas estamos aqui para trabalhar não é mesmo? As vans saíram da Marina da Glória em direção ao OI Futuro por volta das 22h30, horário que estava previsto o começo da apresentação multimídia da Layana Thomaz. E demorou para começar…
Layana pretendia mostrar as etapas de um desfile, desde o croqui, a confeccão das roupas, maquiagem, cabelo, modelos prontas para entrar na “passarela”. Em tempos de reallity show, a idéia a princípio poderia render bons momentos, No palco do auditório uma tela de projeção encobria a cena que era revelada aos poucos. Uma costureira, araras com algumas roupas, músicos, maquiador, o stylist José Camarano e Layana Thomaz.
VJs se encarregavam de editar as imagens colhidas por diversas câmeras e jogar em ritmo frenético na tela. O que acontecia atrás da tela era transmitido para a própria tela. Não sei se para quem assistiu pela internet funcionou, porque para quem estava lá parecia um experimento de videoarte dos anos 70. E olhe que eles nem tinham toda esta tecnologia ao seu dispor.
O que presenciamos era uma certa sedução pela tecnologia, sem nenhum pensamento crítico sobre o meio explorado. As imagens projetadas no telão em vez de revelar, acabaram por encobrir o processo. No final, o telão sobe e alguém grita: Pose! No palco um tableaux vivant com as modelos paradas com roupas bem duvidosas. Deveriam continuar encobertas.
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Você preferia ver assim…
layana2.jpg
assim…
lay.jpg
ou assim???

3 Comentários

  1. gente, CHALAYANA foi tudo! por mim já leva o troféu de melhor apelido do ano!

  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    eu queria ter visto isso!!! paik tava rodopiando na tumba!!!
    e afinal, chalayana tem de ser “a” palavra da próxima temporada. sai daqui, chalayana! adogay o tubinho tricolor minimalista. parece que pegaram a cindy wilson, do b-52’s, e mergulharam numa tina cheia de líquido minimalista do sol lewitt, resultando no visual da foto.

    POSE!!!!

  3. […] em 25 fevereiro , 2008 Logo após as semanas de moda, fiquei impressionado com as coleções da Redley e da Osklen. O que elas têm em comum? Ambas eram marcas de surfwear e resolveram dar uma guinada […]


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