SPFW: Balanço do primeiro dia

Calor e nervosismo, são as duas palavras que podem resumir meu dia. Uma vez caxias sempre caxias. Mas mesmo me esforçando muito o meio de campo embolou. A coisa aqui pega fogo. Muitos desfiles, muito mais difícil conseguir uma entrevista. É tanta gente atrás da mesma coisa, que cada palavra que você consegue de algum estilista, modelo, editora, deve ser comemorado no final do dia ou da madrugada, como agora.

Backstages são uma loucura, você ganha em informação e perde muito tempo. Entrar, esperar o estilista ser cumprimentado por todos, a prioridade das TVs, tudo é estafante, confesso. Como fazia revista, para a cobertura online eu estava completamente enferrujado.

O bafo começou na hora ao 12h30 com o desfile disputadíssimo na casa de Tufi Duek. Celebridades poucas: Adriane Galisteu, Gisele Itié, Não-sei-quem Fernandes, atriz linda e loira. Não sei fazer primeira fila. O culto a celebridades me cansa. Celebridade para mim, era a Clo Orozco e Lenny Nimeyer. Saí de lá com 3 entrevistas: Tufi Duek, numa disputada coletiva de imprensa. Clo Orozco, claro e Izabel Goulart, que me reconheceu de uma outra entrevista e ela parou para falar comigo. Fui honesto com ela, disse que era tanta gente querendo uma frase dela, que tinha desistido. Para sorte minha, ela parou, conversou, e foi ótimo.

SUGESTÃO PARA COLETIVA DE IMPRENSA

Todo mundo quer saber a mesma coisa: qual a inspiração da coleção, que tecidos usou, qual o shape, etc, declarado pelo estilista. Não adianta estar escrito no release, pecisamos todos de uma aspas. Então, como na coletiva do Alexandre, ele começa a falar disso, das inspirações. Sobre o processo de aquisição da marca pela I´M, Vicente Bello, oops! Mello estava lá para responder.

Depois são abertas para questões mais específicas. Como fui o primeiro a chegar, consegui que ele respondesse e fui o primeiro a sair.

DESTAQUES DO DIA:

Herchcovitch pela construção mais sofisticada de roupa da história dele.
Osklen pela coragem de mudar em time que está ganhando

Então lá vai!

A geometria da sedução de Herchcovitch

A trajetória de Herchcovitch é muito interessante: primeiro fez uma marca conceitual, depois foi conquistando um público maior e sua caveira virou objeto de desejo em várias versões estampando camisetas. Depois, começou a desfilar fora do país. No seu primeiro desfile em Londres, todos perguntavam sobre sua alfaiataria. Foi lá que ele percebeu a importância dela para se posicionar no mercado.

De lá para cá, ele se empenhou muito tecnicamente para alcançar o patamar que ele sonhava para suas roupas. A cada coleção é visível como seu domínio técnico avança.

Na sua última coleção de Verão, ele desconstruiu o smoking, criando uma nova forma de entender o masculino no feminino. Agora para o Inverno seu foco se volta para a construção da roupa, inspirado na geometria.

Cada vestido, casaco ou calça é feito pela junção de vários elementos geométricos como triângulos e círculos, num intricado jogo de modelagem. O volume é dado simplesmente pelas pregas e justaposição de tecidos. Em único vestido, ele é capaz de usar 15 tipos diferentes.

Lembra muito o tangram, quebra-cabeça chinês que utiliza de sete peças para formar inúmeras figuras. E claro, Balenciaga original, reconhecido pela arquitetura complexa de seus modelos.

O que poderia ser um traje conceitual, pela explicação acima, por incrível que pareça não é. Aí reside o toque de mestre de Herchcovitch. Ele consegue fazer algo sensual e feminino a partir da rigidez da geometrias. Neste caso, a imagem vale mais do que mil palavras. Veja e reveja cada um dos looks do desfile e diga se não é verdade.

Osklen: aliste-se já!

Quem disse que em time que está ganhando não se mexe? A fórmula da Osklen parecia perfeita. Bom desenho, roupa esportiva para enfrentar qualquer calçada e acima de tudo cool, muito cool. Oskar Metsavaht faz uma reviravolta corajosa que deveria servir de exemplo para muita marca por aí. Ele não abandona o caminho que construiu, mas coloca mais asfalto e sinaliza muitas mudanças.
Surging City fala das grandes metrópoles urbanas. Ele sai da Amazônia, mas leva junto seu couro vegetal, abandona o discurso eco-correto das matas, e vai direto onde a militância verde precisa agir urgente: nas áridas cidades. Sem essa de exércitos.

No reino dos xadrezes\ninvernais, a marca carioca vai na contramão e vem toda listrada. Nada navy, diga-se de passagem. Largas e grandes. Finíssimas com efeito ótico. Bordadas\ncom microcanutilhos que mais parecem faróis de carros cortando a cidade. Coloridas, vibrantes, nada dos onipresentes tons areias do passado.

Nesta reviravolta, que sai ganhando são os meninos. A moda masculina é superlativa, avançada, moderníssima. Parecem saídos de bairros japoneses. Eles literalmente brilham nesta Osklen urbana.

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5 Comentários

  1. Sempre gostei mais dos homens da Osklen.
    Quero meu marido, meus amigos vestidos assim.
    Definitivamente a força da marca está na mistura de masculinidade com conforto e atualidade.

    Já no caso do Alexandre, nem é preciso falar.

    bjs

  2. MESTRE! texto incrível, didático e mega informativo. estamos todos tendo aula de novo. arrasante.

  3. Vi e revi Herchcovitch! Realmente impressionante os cortes e modelagens e respectivos resultados de volumes e movimentos em tecidos hora fluído, hora armado. Não só isso…repararam as cores? Amei as composições de listras + xadrezes coloridos e tudo isso ainda compondo com o fundo da passarela em tons vibrantes e a maquiagem… mestre! O turquesa+café+coral e toques de amarelos…muitos pretos…exercícios em mangas e decotes…só não gostei da bermuda de pontas (pessoalmente não gosto desse efeito de pontas com raras exceções). Ave, Alexandre! Sabe o que é meu sonho de consumo? Uma dia (bastava um dia!) de aula de corte e costura com Herchcovitch!!!

    Linda Osklen! Também achei que o masculino deu um banho no feminino (fiquei com ciúmes!). Pra mulher é mai sdifícil usar aquelas meias (ou leggings?) de listras horizontais (ñão dá!).

    Coragem e competência. Suas observações sobre os verdes do asfalto, o couro que veio da Amazonia e tal foram perfeitas! Acho que a equipe toda de estilo está de parabéns porque preservou o espírito ecologicamente correto da marca no mundo urbano. Achei bemmm moderna (como sempre), bemmm urbana (novidade) e a cartela de cores também me surpreendeu – menos clean, com mais misturas de cores… Notamos aqui que a marca parece que virá mais comercial e barata nas lojas – mais acessível pelas modelagens e tecidos usados. Tá mais básica…enfim…PS: As peruquinhas coloridas fizeram um superefeito com as cores das roupas, amei! PS2: Amei as blusas de manga longa masculinas! Cada uma com cores e composições de cores mais incríveis do que as outras!

    OBS: Comenta a Cori com a Neon!!!!

  4. só quero ver se a vitrine da loja de ipanema será tão boa quanto o que vc diz que viu na passarela da osklen!

  5. […] , 2008 Logo após as semanas de moda, fiquei impressionado com as coleções da Redley e da Osklen. O que elas têm em comum? Ambas eram marcas de surfwear e resolveram dar uma guinada fashion, cada […]


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