SPFW: Balanço do terceiro dia

O terceiro dia foi marcado pela leitura luxo de Reinaldo Lourenço dando o início a onda cowboy que pegou a gente de surpresa. Gisele Nasser abandonou sua linha noite e aderiu a onda mística lançada por Fabia Bersek. Triton faz uma Chanel chatinha de doer. Huis Clos tem silhueta complicada. UMA deveria se concentrar no show-room e Lino Villaventura comemora 30 anos. Sábado é um dia ruim para mim. Sexta

Um novo olhar sobre o masculino de Reinaldo Lourenço

O terceiro dia do SPFW começa com Lourenço na FAAP. A coleção é inspirada nas roupas de cowboy, especialmente nas charrerias, aquele bordado típico das botas country.

A moda já namorou diversas vezes com este calçado, mas a idéia de Lourenço é usar os bordados como ornamento em casacos, barrados de saias, golas de maneira luxuosa, com cortes e acabamentos impecáveis, assim como faz a estilista mexicana Carolina Fernandez, new darling da moda, que vende na Colette.

A série que abre o desfile, em beges e pretos, valorizam a cintura atada com cintos fininhos usados em saias godês, que dão toque muito feminino a um tema com características masculinas. Este é o grande trunfo do estilista. Na onda masculina que vem batendo forte na praia feminina há três temporadas, ele inova ao olhar para o que há de decorativo no universo dos cowboys e consegue um efeito chic e urbano para um tema para lá de explorado.

Mitos femininos ganham roupagem hippie-chic em Giselle Nasser

Giselle Nasser já tinha avisado que nesta coleção ela queria trabalhar com vestidos que não fossem tão na linha festa, como vinha sendo seu foco nas últimas coleções. Promessa cumprida. O desfile contou com a trilha executada ao vivo pelo grupo Homem do Brasil, que usavam cabeças de animais, feitas pelas estilistas da Amapô, Helena Pimenta e Lívia Torres, que tocavam músicas que lembravam cerimônias pagãs.

Rituais celtas, deusas egípcias e indianas, cartas de tarô eram as fontes que a estilista pesquisou para o inverno. O resultado é hippie-chic, mas muitos anos-luz das visões óbvias que já foram apresentadas no Fashion Rio.

A habilidade de Nasser está em recortar diferentes tecidos, aplicá-los sobre outro, formando desenhos e bordados de flores estilizadas num rico patchwork colorido. Isso deu o toque menos glamuroso que ela queria, e ainda assim sem deixar de lado os acabamentos, arremates, debruns, aberturas diferenciadas, marca registrada de seus vestidos. Destaque especial para o tratamento rústico das peças em tricô.

Huis Clos apresenta inverno melancólico

Um desfile com muito cinza e preto, quase melancólico, inspirado na artista e fotógrafa Sara Moon, foi o leit-motiv para dar forma a já conhecida técnica invejável da Huis Clos, assinada por Sara Kawasaki, que assumiu na coleção passada a direção criativa da marca de Clo Orozco.

O tema da coleção é “Grande Circo Onírico” e os trajes de palhaços aparecem nos modelos de formas bem amplas, longe do corpo. O foco agora são as mangas que são formadas por tiras que dão voltas nos ombros e braços e terminam em laços. As calças são mais curtas, também largas e com afuniladas na barra.

É uma coleção de contrastes. Minimalismo na técnica e maximalismo na forma. Poucas cores e muitas texturas. Numa mesma roupa são empregados até sete diferentes tecidos para formar um patch monocromático, algumas vezes iluminados por amarelos, pratas e bronzes. O brilho pode surgir também do efeito da luz sobre o veludo especial usado pela grife. Tem uma silhueta complicada, envelhece o corpo, mas quem sabe não é sob medida para senhoras elegantes?

Lino Villaventura comemora 30 anos com desfile inspirado nas divas femininas

Criar um estilo que você reconhece independente de legendas é um feito para poucos. Lino Villaventura conseguiu criar um identidade única no Brasil, com sua marca que comemora 30 anos neste ano.

Seus desfiles são sempre dramáticos, assim como suas roupas atemporais, que não seguem nenhuma tendência da moda. Exuberantes, barrocas, oníricas, são alguns adjetivos que são usados para definir suas coleções.

A apresentação tem cenário de Graça Borges todo negro, com um patamar mais alto onde se vê três casulos feitos com tiras de borrachas negras. A idéia é ótima. Suas roupas parecem no começo com crisálidas, com a mistura de tecidos, bordados, plissados, que são impossíveis de descrever, dada a complexidade de formas e volumes que ele apresenta a cada modelo que surge.

As cabeças ganham chapéus imensos de tela dourada, destes que só se vêem em desfiles de couture. No final, o mesmo material é empregado em capas longas, que fecham a idéia da coleção de inverno. São como asas de borboletas e fadas recém-saídas de seus casulos.

Ame ou deixe-o, porque é o Lino de sempre. Ele não tem meios termos. Mas conseguir manter uma grife por 30 anos já seria motivo suficiente para a gente se orgulhar de ter um estilista assim.

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