Bafo da crítica continua rendendo pano para manga

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Revistas dependem de anunciantes para sobreviver…

Isaac Über escreveu um comentário em meu momento desabafo: Ctrl C+Ctrl F

“Me intriga muito mesmo esse comprometimento no jornalismo de moda. Por que será que as pessoas simplesmente não podem dizer o que realmente acham? Comprometimento com os veículos, que por sua vez precisam de seus anunciantes? Política da boa vizinhança? É chic ser ignorante? Mera satisfação do ego? Retribuição à idéia de prestígio?”

Ivi Brasil
por sua vez:

“DNA e perfume são o truque pros jornalistas que gostam de inventar modinhas na linguagem pra ter de omitir a verdade. mesmo que a verdade seja a falta de talento pra escrever. ou o atoleiro em que as grifes se enfiam pra ter a cada seis meses – ou menos – uma nova coleção com novas roupas, novas concepções de mundo. parece pouco tempo, né? acho que a glória kalil disse na tv que era melhor aquele tempo que se tinha um belo vestido de noite e repetia-se o modelo nas melhores ocasiões e ninguém vinha com papo de fora-de-moda”

Então para completar o raciocínio, vamos aos fatos. Temos um problema de mercado. As revistas dependem de anunciantes para existir. Revistas de moda têm como anunciantes naturais as grifes que desfilam no Rio e em SP. Sorte daquelas que têm anunciantes internacionais.

O velho dilema: uma marca pode sim deixar de anunciar se ela ficou descontente com um comentário feito sobre sua coleção. É um direito da grife, concordam? Nosso mercado editorial não é tão grande assim, e o mesmo pode se dizer dos anunciantes.

Os jornais e sites, que não estão atrelados as revistas, têm mais indepedência de colocar suas opiniões mais claramente. São eles os responsáveis pela massa crítica que envolve as engrenagens da moda. Uma boa crítica deveria servir para nortear os estilistas para suas próximas coleções e não serem tomadas como ataques pessoais.

Isso não é só um problema daqui. Quem não se lembra que a Suzy Menkes já foi proibida no passado de entrar em vários desfiles importantes, por que estilistas não gostaram do que ela publicou? É claro, que ainda temos muita passarela para percorrer em termos de crítica de moda. Estamos numa nova fase, de amadurecimento de mercado, que esperamos que surta efeitos em outros campos.

Os blogues de jornalistas de moda, fora dos blogues de redação, têm ganhado muito destaque, exatamente pelo seu exercício de livre-pensar. Eu mesmo passei pela experiência de uma cobertura online na L´Officiel e meu blogue pessoal. O tom na revista com certeza foi mais ameno. Tão mais ameno, que a Silvana Holzmeister disse que o texto poderia ser mais crítico.

É um aprendizado. E como tal, todos temos direito a tropeços, escorregões, falhas… Quem decide pela informação que quer ter, no final das contas, é o leitor. Ele sim, continua livre para escolher o que quer ler.

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3 Comentários

  1. Eu vejo esse movimento de crítica à crítica como um ótimo sinal. Um começo. Aquela velha história de “já sabemos o que não queremos, agora precisamos descobrir o que queremos”.

  2. é isso mesmo, tem de falar a verdade, doa a quem doer. mesmo que o jabá tenha sido bom!

  3. Discussão complexa essa…Claro que todos os fatores tem de ser levados em conta, mas acho que dá pra dizer que não gostou de forma elegante sim, sem chutar o pau da barraca. É delicado, mas é possível. Por outro lado, é muito fácil pra quem tá de fora apontar o dedo e chamar tudo de incompetência. A roda fashion gira igual no mundo todo. Pergunta pra Anna Wintour…


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