Playboy # 1: Briefings do editoriais

Acabou o fechamento da Playboy. Como sabem fui convidado para ser editor de moda para um especial de inverno. Agora é só esperar a revista chegar nas bancas. Vi tudo no PDF e estou feliz com o resultado. Claro, que nunca fico 100% satisfeito com o resultado. Depois de pronto, começo a cruel auto-crítica, não tem jeito. Que vai piorar depois da revista impressa.

De qualquer forma, resolvi compartilhar o processo com vocês. Desde que escrevi Como monto um editorial, e como ele serviu para um monte de gente, agora podemos passar da teoria para prática. A primeira coisa foi a reunião de pauta com o diretor de redação, Edson Aran, diretor de arte, Alexandre Ferreira e o redator chefe Jeferson de Sousa.

Antes, eu enviei um balanço da moda masculina dos lançamentos de Inverno para que a reunião rendesse. Chegamos a conclusão que seriam 4 editoriais:um de jeans, um sobre gravata preta, outro de moda cowboy, um sobre a onda retrô. Depois no processo, abrimos um espaço um especial de cintos e outro para 68 dicas sobre estilo no trabalho. No total, 20 páginas de moda. Colocamos uma matéria sobre jeans premium que já estava feito anteriormente.

As maiores dificuldades no começo foi encontrar os produtores e fotógrafos. Todos com agenda bem complicada. Mas a minha maior surpresa foi ouvir o seguinte texto: “estou com uma agenda muito corrida esses dias e complicado somar essa materia que e mais serviço do que moda”. O mais incrível é que depois vejo uma matéria assinada por ele que é uma cópia de uma matéria do Men Style… Então, tá…

Ao meu ver, todo editorial de moda é serviço. Existem inúmeras formas de se mostrar aquilo que se pretende. Mais ou menos ousado, mais ou menos criativo, mas no final das contas, o que todos estamos fazendo é serviço.

Outro problema no mercado, é a quantidade de stylists e poucos produtores de moda. Bom, eu nunca fui stylist, mas já fui produtor. De moda muito pouco, mas em artes plásticas fiz muita coisa e nunca me senti inferiorizado com isso. Eu posso estar errado, mas parece que no mundo da moda, ser produtor é quase uma ofensa. Discordo. Nem sempre um bom stylist é bom produtor. Nem sempre um bom produtor se torna um bom stylist. Cada uma das profissões têm suas especificidades.

Claro, que quando recebo o briefing, começo a esboçar a matéria, vou pensando no fotógrafo ideal, nas roupas mais significativas, etc, etc, Neste momento, em que estamos procurando um caminho para a moda na Playboy, preciso mais de bons produtores do que stylists. Acho que o jeito é fazer como fiz na época das artes plásticas: formar uma nova geração de produtores.

5 Comentários

  1. acho que uma boa questão pra vc levantar aqui é; é importante o editorial mostrar a roupa, ela deve estar em primeiro plano? venho notando há algum tempo nas publicações tupiniquins a priorização da foto, clima,cenário, etc..ficando as roupas praticamente como um elemento a mais na foto, e não o principal. acho uma besteira isso, o bom fotógrafo tem obrigação de equilibrar tudo o que conta no editorial, inclusive as roupas que devem estar bem legíveis.na última KEY a érika fala que preferiu não dar a leitura das fotos em prol de um olhar novo que tenha cumplicidade. pois é… então acho que fica meio desnecessário os créditos das roupas sobre cada foto, prá que? se a gente não ve nada? a minha opinião é que o fotógrafo tem que ter o controle “SIM ” de todos elementos do editorial, ou então , será que não é falta de técnica pra conseguir isso?e vc ricardo, o que acha? O EDITORIAL TEM OBRIGAÇÃO DE MOSTRAR A ROUPA?

  2. Oi Edu
    Acho que a questão é mais complexa do que colocar “ou isto ou aquilo”. Tudo depende da revista, do editor, de vários fatores. Algumas vezes acho ótimo prorizar o conceito de moda que se quer passar, afinal o leitor tem várias fontes de informação que complementam as que estão no editorial. Outras acho que a roupa é primordial, porém, quantas pessoas podem comprar aquilo que as revistas seinalizam? As roupas estão lá, mas são ilustrativas de uma moda, que pode e deve sofrer atualizações na vida real, entende?

  3. Concordo com você, no fundo todo editorial de moda é uma matéria de serviço… Aliás, dependendo do conteúdo, quase toda matéria de moda (até as de texto) são meio que serviço, né?

  4. é super difícil de achar produtor de moda mesmo… (eu tenho duas queridas e preferidas que divido com o dani ueda e não troco por nada na vida!)
    além de precisar ser organizado e responsável, precisa ter bom gosto e entender rápido o que a gente quer. sem contar que hoje em dia todo mundo quer pular a etapa produtor de moda e fazer um ou dois trabalhos e logo em seguida já quer ser stylist. tem tanta coisa pra aprender… fui assistente 5 anos, trabalho sozinha há 2 e teria sido assistente/produtora o tempo mais que precisasse se não me sentisse pronta para um próximo passo. sei lá, as pessoas acham que a vida é fácil, não entendo.

  5. […] BRIEFING DO EDITORIAIS DA PLAYBOY […]


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