Futuro do presente da moda: mais certezas, menos tendências

Hummm, faz tempo que não faço um texto deste tipo. Senta que lá vem mais uma Piauí!

Back to basics: música eletrônica e comportamento

Tenho saído por aí mais interessado em observar do que me divertir. Claro, que acabo fazendo ambos. Eu gosto de ir a clubes porque os códigos de vestir são menos afeitos a regras que ambientes de trabalho ou mesmo diurnos.

Dentro do clima escapista, descompromissado, reunião de diferentes tribos urbanas, você vai decodificando sinais do que está por vir. Desde a linguagem, certas normas de condutas, códigos de vestir, de alguma forma podem ou não romper as barreiras deste “pequeno” mundo.

Os usos das aspas é só para atentar que as cenas que vejo em clubes de São Paulo, se repetem em menor ou maior grau em qualquer outra cidade do mundo. As informações chegam glabalizadas e onlines para todos interessados neste universo. Por isso, o mesmo lenço pendurado no pescoço new-rave ou tectonik da temporada passada, os mesmos óculos wayfarer invandiram aqui e lá simultaneamente.

Os mais antenados quando percebem que estes elementos diferenciadores romperam as barreiras dos seus guetos, buscam outros e mais outros ícones e a roda da fortuna do que está ou não está na moda continua a girar.

O mais incrível é que a reinvenção do passado recente parece não ter fim. Tanto na moda, quanto na música. Sim, nas noites estas duas linguagens andam de rostos colados, mesmo com corpos separados.

Tem este momento atual que dura alguns anos que a música eletrônica chegou num tal nível de mistura neste momento pós-pós (pós rave, pós-electro) que as diferenças entre set de diferentes DJs eram mais sutis e menos xiitas que em outros tempos.

A origem de cada um é que poderia dar uma pista do que ouviríamos em 4 horas. Uns tendem mais para o mínimal, outros para o techno, house, rock, mas o recheio entre layers e mais layers de camadas musicais era quase o mesmo.

Mas esta democracia está com os dias contados, aviso. Sinto que existe um ar de retorno às origens. Nada tão nostálgico assim, mas vejo muito DJ tocando seus clássicos preferidos, mostrando assim seu diferencial através de sua própria história musical. E com isso, vai se separando naturalmente que gosta disso ou daquilo.

Nada radical, apenas uma questão de gosto. O que não quer dizer segregsção, porque se hoje quero ouvir algo com mais vocal, amanhã posso querer batidas mais eletrônicas. Movimentação em direção as certezas. Mesmo que transitórias.

COMO ISSO SE REFLETE NA MODA?

Depois de tantas tendências, microtendencias, , sinto que a moda vai se dirigir neste sentido: menos e melhores opções. Prepare-se para um período mais parecido com aqueles tempos em que haviam grandes temas e várias interpretações sobre isso.

O que muda é a duração destes temas. Não vão durar mais uma temporada inteira. No máximo 3 meses. Depois muda-se e outras interpretações são criadas. É o raciocínio fast-fashion vencedor dos grandes mercados invandindo o mundo upper-fashion.

Aliás, na última temporada já começamos a observar isso, só que ninguém tinha lido desta forma. Exemplo forte: moda cowboy. Um grande tema e várias interpretações possíveis de A a Z. Versões ricas, versões pobres. Hi&Lo. Cansou¿ Quer variar¿ Minimalismo, geometria e por aí vai.

Outro exemplo? Micro coleções que chegam de 2 em 2 meses. O que se viu na passarela é só o resumo da ópera. É como desmembrar cada parte componente do desfiles, suas mudanças, seus subtemas, e elas vão chegando não de uma vez só. Chegam aos poucos, outras peças vão sendo acrescentadas.

Acho que é por aí…. E para você, isso faz sentido?

9 Comentários

  1. faz muito sentido..
    a moda é cíclica assim como a música, nos 90´s por exemplo, o techno estava por cima e só se falava em Emusic como algo que realmente importava e ditava as “novas ondas” , o rock estava por baixo na grande mídia, nos 00 o rock volta com força total e dita todas a tendências…o que tenho percebido, e pelo que vejo vc tb, é o que os períodos estão encurtando, isso falando de tendências em geral, moda, música comportamento…mas este pensanmento fast fashion é bem perigoso,estimula o consumismo de uma forma burra , e gera o que os filósofos contemporâneos categorizaram como ” hipermodernismo”, que seria o “novo da semana”, um novo que nao é novo, mas é o velho da semana passada com algum elemento trocado ou melhor dizendo “cruzado” de outra tribo,gerando uma imagem fresh e consequentemente consumo, afinal todos querem os novos signos, saõ detalhes mínimos que fazem toda a diferença… enfim..sabemos como é…e é claro que a indústria adoooora, e existe esta sincronicidade de usar determinado item e consumir determinado comportamento agora…
    é o It item da semana…
    é a busca pelo fresh!
    hauahaua

    parabens querido!

    ;D

  2. te espero,então. depois me apresenta para seu novo reino da playboy! mon dieu!!!

  3. Oi Dani

    Entendo o que diz a respeito do consumo pelo novo que não é novo. Mas não podemos achar que a quantidade de informação disponível hoje, o consumidor seja tão ingênuo assim. O que não deu tempo de escrever é que hoje para o consumidor interessa várias questões que o mercado tem que atender. Ele não é fiel, ele, dependendo de sua mobilidade social, quer comprar aquilo que se adequa a estas necessidades específicas: preço, qualidade, comportamento dos vários grupos que pertence, etc.

  4. tenho pensado nisso ultimamente… esse processo popularição x diferenciação em moda é antigo e, acho, acabam surgindo alternativas como as coleções resort e pre-fall como consequência desse processo e como meio para enfrentar o fast fashion…

  5. se bem me lembro nos anos 90 o rock esteve em alta – nirvana, peal jam e todo o universo grunge. em ny tinha sonic youth. ainda tinha pet shop boys, afrika bambaataa… não avredito que o techno imperava. ele era um dos destaques junto com o rock, com a acid house e mais tarde o trance. enquanto os technoheaders usavam roupas de nylon com faixas reflexivas e botas no fim dos 90, os adeptos do acid house voltavam com figurinos 70’s. uma geleia geral. batas e camisas xadrz. ate o pretinho basico do minimal techno e electro do seculo 21…

  6. e o consumismo, como fica nessa história? sempre se saindo bem?

  7. Sobre o consumismo em termos de upper fashion e não de fast fashion, nossa amiga Vivienne respondeu bem: produzir menos, mas produzir melhor, assim consumimos menos e melhor. Acho que é esta a idéia por detrás de micro coleções

  8. é realmente o grunge existiu,mas se me lembro bem, nao era visto como o vemos hj, inclusive nos anos 90 sr Marc Jacobs foi demitido da Perry Ellis por ter feito uma coleçao de inspiraçao grunge…as vezes leva se mais que uma década para algo ser compreendido,alias,se hj um estilista fizesse uma coleçao emo, talvez recebesse um mega xoxo, mas no futuro proximo pode ser bem aceitavel…(pausa para reflexão)
    hauahauahaua
    afinal, fenômeno por fenômeno, quem vai julgar qual é o melhor ou mais relevante?so o tempo realmente pode dizer…
    outro fato que me veio em mente foi que afrika bambaataaaa além de ser 80`s fez seu grande sucesso planet rock com sampler do krafwerk…a acid house era a fusao do hip hop com emusic, tudo regado a muita TB303,rolou uma grande cena indie tb, mas nao chegou a influenciar o mercado de moda na época, nos 00 sim, o indie bombom e ainda se fundiu com a emusic novamenteee e estamos vendo no que isso ta dando, new rave, indie eletronico e outros bichos….
    é importante ressaltar tb que o acúmulo de info nem sempre gera um intendimento maior, e sim confusao na hora de optar por algum item que seja realmente relevante.

  9. Tava com saudades da suas piauís!! Adorei o texto! Tenho pensado bastante nesse assunto de tendência, ou falta delas… Fico lembrando daquela matéria do WWD falando que o grande público consumidor ainda não está pronto para essas maxi-tendências que permitem variações sobre um mesmo tema. Ou talvez essas maxi-tendências estejam passando muito rápido para olhos não acosutmados com variações na moda… Não sei… preciso pensar e estudar mais…


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