Parada, Gay!!! Parte 3

Continuando a série gay aqui no FM, quero dizer que tenho orgulho sincero em ser o que sou. Tive sorte de nascer numa família que me deu todo o apoio nesta área. Me assumi já na adolescencia e não tiveram problemas com isso. Sei que isso, no meio da década de 70, não era usual, e não é até hoje.

A diferença é que os gays hoje ganharam mais visibilidade. Claro, que isso tem um preço. Hoje, os gays adoram parecer com os heteros. Na matéria que fiz para o Estadão, fui pela primeira vez em dois clubes gays, a Flexx e a UltraDiesel. Nelas vi que eles usavam o mesmo tipo de roupa: jeans, camiseta, colar e boné. Quando vou na Pachá, reduto extremamente hetero, não é a mesma roupa que eles usam???

Fiquei pensando, se não tem algo de errado nisso. Eu sou contra o casamento gay, mas a favor da união gay. Qual a diferença? Eu não quero reproduzir os padrões da sociedade hetero. Nada contra, mas não é esta a minha praia. A união resolve questões como herança e outras questões legais.

Eu quero ser aceito pela diferença, não pela igualdade. Você pode pensar, já que eu trabalho com moda, é um meio que aceita melhor esta diferença. Mas, digo, já trabalhei em banco, prefeitura, instituições privadas, e em nenhum lugar tive problemas em dizer que sou homossexual. As piadas só surgem quando você esconde, quando você não está confortável, quando você mesmo não aceita ser o que é.

Pense, se você próprio prefere viver num armário de vidro, porque os outros vão te respeitar?Independente do que você escolheu para vida, te digo: sinta orgulho de ser o que é.


Uma das Microdanças da performance Saindo do Armário (2007)

2 Comentários

  1. e use a roupa que quiser, seja jeans-camiseta-boné-tênis seja vestido-taileur-salto alto

  2. É isto mesmo Ricardo e, sem medo de ser feliz. Descobri seu blog por acaso através deste mundo virtual que é a internet. Tantas histórias e pessoas interessantes. Tenho uma conhecida que passou maus bocados por causa de um filho que hoje é assumidamente gay. Ele tinha medo de assumir por causa do pai e por causa disso o casamento dos mesmos acabou, mas ficou uma certeza: não havia amor, nem cumplicidade… a mãe deste rapaz sacudiu a poeira, encontrou um novo amor em Portugal (vivo aqui também)e este rapaz resgatou sua liberdade e conheceu o grande amor de sua vida em Salvador. Fui testemunha de toda esta história que pelo visto com final feliz.
    Continue sendo o que é.
    Abração,
    Márcia .- Cascais/Portugal


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