Casa de Criadores: João Pimenta é o destaque do segundo dia

Nossa, hoje não foi nada fácil. 11 desfiles, um atrás do outro, são de matar qualquer um. Uma maratona que valeu a pena porque na reta final tinha João Pimenta. De surpresa mesmo, gostei muito da estréia do Der Metropol e do coletivo P´Tit que deu uma boa guinada ao suavizar seu estilo. Você pode ler lá no blog da Casa de Criadores o que achei. E é isto que é digno de nota por aqui, ok?

Mas vamos ao que interessa. Essa é minha crítica sobre o desfile do João Pimenta, que precisei de algum tempo para digerir, confesso.

João Pimenta arma seu time com vários pontas-de-lança

João Pimenta é um mestre em criar imagens de moda impactantes. Ele sempre promete que vai simplificar seus desfiles, mas na última hora sua força criativa fala mais alto. Para o verão ele se inspirou nos esportes como o futebol, basebol e boxe, bom ponto de partida para ele exercitar sua street alfaiataria.

“Eu gosto de misturar pobre e rico sempre. A alfaiataria em moletom é isso: hi&lo. Técnica apurada aplicada a um tecido mais simples”, explica o estilista autodidata.

Juntar elementos que não são compatíveis é seu dom natural. Neste desfile ele leva isso a extremos. Se na origem da sua inspiração está o universo para lá de machão, na passarela seus modelos usam absurdos cabelos a la Amy Winehouse e óculos bem femininos.

Um certo ar retrô está presente em toda coleção, mas ele dá um jeito de tudo ficar muito contemporâneo a partir da escolha de tecidos e recortes estrategicamente colocados de maneira pouco usual.

O verão geralmente pede cores vivas, não é mesmo? O João vai na contra corrente e usa uma cartela de cores frias como azul marinho, roxo, caramelo e verde musgo, usados juntos em listras de diferentes espessuras. Não há ponto de luz nas suas cores, tudo é sóbrio.

É um recurso para poder abusar das formas. Ora o shape é bem justo, lembrando levemente os atuais maiôs ultratecnológicos de natação. Mas como não emprega nem lycra ou neoprene, fica com cara de antigo. Em outros looks, a forma é bem ampla, como na pantalona de cintura altíssima, nos shorts ultrafolgados ou na inusitada maxi camisa pólo.

Todos estes elementos usados juntos criam uma dose alta de estranheza, eu sei, mas que eu adoro. Afinal, a moda masculina precisa de alguns abalos sísmicos vez ou outra. Mas depois quando chegarem separados na loja, as roupas vão atingir um público maior, porque no fundo, no fundo, sem as perucas e excessos, o que temos ali é uma roupa streetwear de primeira.

Percebem como ele joga com os opostos? São vários pontas-de-lança prontos para fazer seu gol de letra.

FOTOS: Fabio Motta

2 Comentários

  1. mestre em criar imagens de moda impactantes? ok ele e’ bem legal mas como seria uma critica sua sobre Galliano? algo do tipo Galliano e’ Deus !!! cuidado com o drama fiu….

  2. nossa! não usaria nada disso!


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