FASHION RIO:: Poucos e bons homens

Quem cobre moda masculina no Brasil já está acostumado aos poucos desfiles. Aqui no Rio tivemos Chiaro, Ivan Aguilar, R. Groove. Nas marcas mistas os meninos se saíram melhor na Sandpiper, TNG e Redley, já na Adpac não funcionou tão bem assim. Tem a Totem também, mas aquela performance desnecessária da Bia Lessa me deu uma preguiça imensa.

R.Groove investe em luta livre e pesa na mão

Aos muitos jovens cabe a tarefa de buscar novos caminhos e propostas para o enxuto guarda-roupa masculino. As experimentações da R. Groove não deram muito certo. O estilista Rique Gonçalves que fez um desfile divertido no Inverno, voltou suas atenções para a luta livre mexicana e vamos combinar que tem que ter muita bala na agulha para não escorregar no ringue kitsch deste universo.


Quem faz uma camisa destas pode oferecer muito mais (foto: Charles Naseh/Chic)

Em algumas peças ele consegue realizar bem esta operação como na bela camisa-jaqueta da abertura, no agasalho listrado e no conjunto colorido. Mas no todo, com as peças de lycras agarradas aí não teve sorte. Acho que está na hora de dar uma guinada e deixar de lado este styling engraçadinho e investir mais na moda mesmo.


É por aí o caminho da R.Groove (foto: Charles Naseh/Chic)

Chiaro acerta no clima hippie beira-mar


Atenção na nova calça-cargo (foto: Charles Naseh/Chic)

A Chiaro apelou para o xamanismo para dar um upgrade no seus meninos do Rio. Se não trouxe vários pontos de exclamação, pelo menos vai investindo em algumas pequenas mudanças no visual relax bem bom para o Verão. Como sabem, a moda masculina é feita de alguns detalhes que são introduzidos para dar uma nova roupagem para velhas peças.


Atenção na gola kimono (foto: Charles Naseh/Chic)

Por exemplo nas calças-cargo são ajustadas na parte abaixo dos joelhos que podem virar bermudas num piscar de olhos. Outra boa sacada são as camisetas meio kimono, e quando eles utilizam o floral como um detalhe nas golas e laterais de bermudas. O resultado foi um clima hippie que não ficou óbvio demais, como tantas coleções femininas vistas por aqui.


Esqueça o colar e atenção no detalhe florido (foto: Charles Naseh/Chic)

Ivan Aguilar encontra seu lugar no casualwear


O shape impecável de Ivan Aguilar (foto: Charles Naseh/Chic)

O capixaba Ivan Aguilar fez sua estréia nas passarelas na Casa de Criadores. Ele já tinha uma tradição na alfaiataria, mas para seus desfiles começou a buscar uma linha menos formal e não é que isso permitiu a encontrar um lugar no mercado masculino? Ternos bem cortados e bem feitos, no Brasil temos a excelência do Ricardo Almeida, a tradição da Vila Romana e VR, e mais recentemente os ternos semi-prontos da Alfaiataria Paramount.


O floral Liberty que até as mulheres querem ter (foto: Charles Naseh/Chic)

Como estão todos estabelecidos em São Paulo, com anos fazendo uma clientela fixa e fiel, seria muito complicado sua entrada por aqui. Ao rejuvenescer sua marca, ele preenche uma fatia do mercado cada vez maior de profissionais que buscam estar bem vestidos sem ter que apelar para o trio costume, camisa e gravata. É bom prestar atenção, que muitos profissionais liberais de sucesso não precisam mais deste tipo de uniforme. Ainda mais que somos um país tropical e que é bom buscarmos uma forma nossa de se vestir, mesmo para negócios, porque me dá aflição ver em pleno verão um homem de terno.


A jaqueta é a peça-chave do novo guarda-roupa masculino (foto: Charles Naseh/Chic)

A cada estação, Aguilar, vem transformando seus paletós em jaquetas bem cortadas e com caimento impecável. É uma ótima opção nesta linha casual. Seus xadrezes miúdos que lembram listras com um toque de cor lilás, seus florais também miúdos com fundo branco, dão o exato toque de cor que o homem precisa, sem pensar se é gay demais.


Edição esperta de Thiago Ferraz que faz dupla ótima com o Ivan (foto: Charles Naseh/Chic)

Aliás, esta é uma outra questão delicada para o homem brasileiro. Qualquer roupa que o faça parecer gay, ele foge correndo como o diabo da cruz. Neste quesito, o estilista soube também resolver bem. Dá informação sem avançar demais. Nada é justo demais, tudo está na proporção correta. Ele agora precisa de um sócio investidor para abrir uma loja própria em São Paulo. Porque não dá para ir para Vitória só para ter as peças dele, concordam?

Sandpiper e TNG trazem Navy para as massas


Bons contrastes na Sandpiper (foto: Charles Naseh/Chic)

Depois de um inverno sem uma imagem forte, investindo no que já tínhamos visto a exaustão, o verão da Sandpiper volta a fazer o que sabe fazer bem, uma roupa leve com bom preço, voltada para o consumidor carioca. No verão passado, quando o Ciro Midena fez o styling ele tinha definido uma imagem por aí, que tinha dado muito certo.


A camisa jaqueta em chambray é um achado (foto: Charles Naseh/Chic)

A maior parte das peças são em azul e branco, que começam bem clarinhos e vão escurecendo numa alusão a um dia de verão, sem chegar no preto, que teria sido, neste caso, um erro. Peças fáceis e coordenáveis, como camisetas pólos com listrinhas, ótimos xadrezes em camisas confortáveis, bermudões com cara de praia que não fazem feio no asfalto. Tem até os shortinhos, mas confesso que depois de usar, causa ainda um certo desconforto por causa do olhar das pessoas. Hoje, sou um adepto das bermudas.


Navy sem complicações na Sandpiper (foto: Charles Naseh/Chic)

Nas mãos da Legendária Regina Guerreiro, a TNG masculina retomou os seus melhores momentos que já teve o talentoso Henry Alaver no comando. Muita gente me perguntou se os elogios que a imprensa especializada faz é em respeito a Regina. Respondo, talvez sim. Ela é uma editora e o que ela faz é isso, editar. Acha que o caminho certo é fazer uma moda esportiva sem grandes pretensões, resumida na frase: “É fácil fazer o difícil. Difícil é fazer o fácil”.


Alfaitaria em jeans da TNG (foto: Charles Naseh/Chic)

Ela consegue fazer exatamente isso. Pega os tecidos que a TNG dispóe, pensa no público que ela tem, e vai colocando uma informação aqui e acolá. Sem grandes pretensões. Por isso que a crítica pode falar bem. Aqui não é terreno de experimentações e imagens fortes de moda. É um desfile de uma marca que não é cara, que não tem tecidos incríveis, exceto o jeans. É o que é.


E por falar em jeans, bote reparo no efeito delave (foto: Charles Naseh/Chic)

Os destaques na onda navy da TNG são os paletós espertos com lapelas diferenciadas e comprimento mais curto, feitos em jeans e sarja. Bom também é ó efeito delave nas calças jeans. Para dar uma cor tem uns tricôs bem levinhos, camisetas básicas, que é o que homem precisa. Dá para ter várias peças no guarda-roupa sem ter que gastar uma fortuna. Precisa mais, kiridjinho???


Um detalhe faz toda a diferença (foto: Charles Naseh/Chic)

Com a Redley finalmente entendi o que quer dizer esporte fino


A Redley redefine o absurdo conceito de esporte fino (foto: Charles Naseh/Chic)

Conversando com os amigos jornalistas, todo mundo foi meio que unânime dizendo que mesmo bom o verão da Redley não foi tão impactante quanto o inverno. Será?


Quem disse que as pregas não voltariam nas calças? (foto: Charles Naseh/Chic)

Eu fiquei bem impressionado com esta coleção, juro. Achei esta coleção mais sofisticada em termos de recortes e junções formando uma outra organicidade, a partir de prints gráficos formadas por linhas retas. É uma das coisas que me fez prestar atenção.

 
Repare na parte interna do blazer. Construções sofisticadas (foto: Charles Naseh/Chic)

É um trabalho de construção impecável. Cada peça é construída por uma junção de outras, fazendo pequenas aberturas sem que isso altere o shape limpo. Ao usar uma paleta de cores menos contrastantes do que o inverno, este trabalho não apareceu com tanta força, mesmo porque às vezes é milimétrico mesmo. Um conselho? Todos deveriam ter ido ao backstage para ver com mais atenção.


Pequenas aberturas, fechamentos especiais (foto: Charles Naseh/Chic)

Ao pegar elementos esportivos, como os manjados conjuntos de jogging, por exemplo, a Redley vai conseguindo dar uma nova cara, sem aquele ar futurista, e assim, serem super usáveis. O lindo cenário feito de com piso de grama verdadeiro e um fundo branco, era um campo de futebol estilizado, reforçou bem a idéia de roupa esporte.


Versão contemporânea do velho agasalho de jogging (foto: Charles Naseh/Chic) 

Confesso que prestei pouca atenção no feminino, pois o masculino era meu foco. Até as calças com pregas, que eu abominava, fiquei com vontade de ter uma. Outra marca, que depois de muito buscar seu lugar, tendo passado por lá até o talentoso Maxime Perelmuter, está avançando a passos largos, e sem parecer com a Osklen.

5 Comentários

  1. Oliveros,adorei sua cobertura . Hummm, desses looks ai o que eu mais gostei foi a camisa estilo kimono…tendencia no ápice do centenario,né ?
    Abç,

  2. Olá Ricardo

    Só pra vc ficar sabendo, aqui em Sampa vende sim a roupa do Ivan Aguilar. Na Babel, Ellus e M2 em Pinheiros. Já virei uma super cliente…. liguei para a loja dele no ES e me informaram aonde vende, muito legal!!!!

  3. que bonitinhos esses meninos, óli. adorei a escolha das fotosh!

  4. oi Oliveros,
    Vamos lá aos endereços que vendem em SP:
    BABEL- Praça Benedito Calixto- Peças com pegada Street, bem a cara da loja (incrível)do Samuel e da Fê.
    ELLUS 2ND FLOOR- As pecitas mais leves e conceituais da coleção estão lá no segundo piso da ELLUS na Oscar Freire
    M2- Naquela Vilinha maravilhosa da Cristiano Viana- Todo meu passado chique de alfaiataria, incluindo Costumes em Lâ fria, Gravatas em seda e camisas de algodão egipcio e italiano.
    Bj,
    Ivan

  5. […] tinha comentado do desfile do estilista no balanço que fiz do Fashion Rio e da questão do casualwear. Aqui ele resolveu apresentar suas peças mais comerciais que não tinham entrado no desfile […]


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