SPFW: Sommer e Fabia Bercsek fazem a moda andar pra frente

Duas visões muito distintas de moda encerraram o primeiro dia. De um lado Fabia Bercsek e sua visão sobre o feminino e Sommer arriscando muito com uma coleção completamente conceitual. Oras, não é isso que a gente vem pedindo?

Durante um tempo, Fabia vinha numa trip meio rock telúrica e na coleção passada ela deu uma exorcizada nisso tudo montando um projeto de banda de rock em que ela própria era a band-leader. Era só para a apresentação do seu desfile de inverno, mas que rendeu um pouco mais e acabou. Foi ótimo.

Agora, ele apresentou suas “bonecas” com pequenos toques orientais, sem exageros. As cores predominantes eram o rosa e preto, com alguns looks ultracoloridos nas estampas que ela ama desenhar. É ótima a idéia  quando ela própria desconstrói seu desenho, que ganha uma outra leitura perto do patchwork.

É engraçado como o curto e o justo nela tem um quê de ironia. Já teve uma coleção dela cheia de calcinhas e camisolas e mesmo assim não era vulgar. Agora tem os corpetes tomara-que-caia em vários looks, mas tem um jeito que ela pensa sobre a peça, e tem um humor embutido que é incrível, como aquele em que a marca Adidas aparece.

Como a marca dela não é grande, a cada temporada ela tem que arranjar parceiros para poder colocar seu bloco na rua. A Adidas fez uma parceria e a Fabia conseguiu dar sua assinatura nos looks em que a marca tinha que aparecer. Além do corpete, teve uma jaquetinha e uma calça de agasalho. Assim como tem uma linha da Stella McCartney acho boa hora pensar num estilista nacional para isso. Queria ver mais peças da Fabia com as três listras.

Já o Marcelo Sommer não precisava ter se apresentado no meio da exposição “Quando vidas se tornam forma: Diálogo com o futuro/Brasil Japão”. Ele fez uma coleção conceitual para sua marca Do Estilista que depois será desdobrada no comercial. Preferia ter visto na marquise, por exemplo. Entrar no MAM foi uma dificuldade por causa das obras, e me doeu na hora em uma fotógrafa passou atrás das cadeiras e esbarrou num quadro do Helio Oiticica e continuou lá, mais um pouco ela ia derrubar o quadro.

É uma série de fantasias como palhaça, bailarina, noiva, múmia, enfermeira, em que ele pode brincar com tecidos mais nobres. Quando encontrei com Sommer semanas atrás, ele disse que ia fazer roupas de festa. Estranhei a princípio, mas quando começou o desfile o universo particular dele estava lá. Um estilista com uma carreira sólida e que acredita no que faz, o resultado não poderia ser outro.

A festa dele é carnaval, então dá-lhe fantasias. Todas muito elaboradas tecnicamente, diga-se de passagem. Não serem feitas para usar, causou desconforto em muita gente. Numa série de desfiles feitos com produtos pronto-para-uso é realmente difícil mudar a sintonia da mesmice.

Eu penso que ele está certíssimo. É uma afirmação das coisas que ele acredita. Depois na loja, vamos ver os desdobramentos disso tudo. Afinal, quantos desfiles que a gente vê em que a roupa parece produto, mas não é. É só uma imagem, quando chegamos nas lojas, não tem nada daquilo.

Marcelo Sommer somente radicalizou e avisou com todas as letras que aquilo não era para vender. Mais honestidade impossível. Assim, aquele joguinho que as marcas fazem com a gente perde o sentido. Não é genial???

FOTOS: Charles Naseh/ Chic

 

 

2 Comentários

  1. colagem e apropriacao de estilo e’ o mesmo que criar um?

  2. Yo! Fiz fotos do backstage do Sommersito, se joga lá!


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