Pausa para moda, abertura para o olhar: Vania Toledo

Semana meio puxada, porque além de fechar as pautas até dezembro, estou fotografando os editoriais de outubro agora. Amanhã terminam as sessões e semana que vem, fechamento!!!

Hoje, acordei cedo para terminar um freela e que acabou bem mais cedo do que eu esperava. Como estava no centro, aproveitei para dar um pulo na Pinacoteca. Eu estava muito ansioso para ver a exposição da Vania Toledo, Diário de bolsa: Instantâneos do olhar, que abriu no dia 30 de agosto e fica em cartaz até 26 de outubro.

Foto de Vania Toledo para Playboy

Além de conhecer o trabalho da fotógrafa, a série retrata um período que gosto muito e tenho muitas lembranças incríveis, os anos 80. O Eder Chiodetto fez um texto curto e brilhante sobre a exposição para a Folha de São Paulo, que me aguçou mais ainda a vontade. Ele escreve:

“Nele vemos a atitude libertária das celebridades quando não havia assessorias de imagens, botox, lista de VIPs e revista de fofoca não tinha ilha”. Genial, não?

A montagem é meio labiríntica, então a gente se perde um pouquinho para achar o começo, meio e fim. Mas neste caso, não importa muito. São ao todo 120 imagens feitas com câmeras que a Vania carregava na bolsa. Os textos são do Antonio Bivar. Ela não estava preocupada com a qualidade técnica e sim, registrar o momento. Mas nem de longe, as fotos são ruins, muito pelo contrário. Num dos textos colocados na mostra, a fotógrafa relata que é uma intimidade que poucos resolvem mostrar porque tem muitos erros, não são fotos perfeitas. Mas que acha importante mostrar esta fragilidade.

A mais que querida e linda Betty Prado

Dei de cara com uma foto linda do Cazuza, quando ele era vocalista do Barão Vermelho. Daí em diante, foi um suspiro só de saudades. Eu e minhas lembranças. O Vitor Angelo comentou esta semana, que daqui há pouco eu e o Mario Mendes vamos ficar sentados falando: Ai como era bom os anos 80…E não é que tem uma foto hilária do Mario na exposição?

Quando ainda era estudante de jornalismo em Santos, curso que graças ao Senhor, não terminei, eu adorava entrevistar as pessoas. Era um exercício, mesmo que estas entrevistas nunca fossem publicadas, entrava no camarim das bandas que eu gostava e fazia entrevistas. Uma delas, foi no começo do Barão. O Cazuza falou para eu passar no hotel que ele daria a entrevista.

Ele era muito sedutor, lindo com seus cabelos encaracolados, me recebeu descalço, e conversamos durante uma hora. Ele nasceu para ser feliz mesmo. A certa altura perguntei quem eram seus ídolos sexuais, ele riu muito e tascou: Sarita Catatau (uma chacrete santista do balacobaco) e David Bowie.

As fotos também revelam muito dos anos 70 e 80. Tem do Studio 54, do Madame Satã, Gallery. Algumas para a finada revista INTERVIEW, outras para Vogue, e uma linda para a Playboy. Mas a maioria são dela mesmo, e que pouco foram mostradas. Tem famosos, sim, mas em momentos de intimidade, que hoje é quase impossível de conceber, como disse o Chiodetto.

Eu saí de lá, bem emocionado. Hoje a Vania Toledo tem que andar com bengala por causa de um grave acidente no começo da década de 90, que a deixou entre a vida e a morte. Tem uma foto da perna dela, com um bota linda e na legenda: “Na época em que minha perna ainda dobrava”. Este é o espírito. Caio Fernando Abreu abraçado com Cazuza, ambos com AIDS e ainda bebendo e fumando todas.

Nem no hospital Clo Orozco deixa de ser muito, mas muito chic

O povo dos anos 80 que chegou vivo hoje é assim. Eu sobrevivi aos 80, deveria ser nossa camiseta oficial.

Tinha um monte de moderninhos bem jovens vendo a exposição e meio passados com tudo aquilo. Porque, isto eu posso dizer, sentado na minha cadeira de balanço, nenhuma noite hoje, chega nem perto da loucura libertária daqueles anos. Os porões do Madame Satã que o digam…

Independente se você viveu ou não esses anos loucos, vale a pena ver a exposição. Claro, que não podia tirar fotos. Mas não resisti e fiz algumas poucas, escondido dos seguranças da Pinacoteca.

Culpa da Vania!

3 Comentários

  1. baby…. achei tudo seu texto…. ja to louco pra ir em sampa ver essa exposição….
    aff…. uberlandia é bom, mais tem hora que isso aqui me cansa, viu…. rsss
    bjbj!!!

  2. sua uózinha como sempre, contextualiza o que falei porque senão parece que estou chamando a senhora e a mario mendes de datada

  3. Darling, please, vc nunca vai me ver “praising the 80′s” mesmo porque não foram a minha década favorita. Nos 80 eu tava sentindo que tinha chegado atrasado para os anos 50 e dando greaças a Deus porque tinha visto os 60 e não caía no conto da New Wave achando que aquilo tudo era muuuito moderno (lembrava dos Beatles, da op art e da Carnaby Street). Os 90 formam muito mais intensos, ricos e produtivos para mim. E os 2000 têm se revelado cheio de oportunidades e surpresas. Enfim, saudades eu mato vendo os filmes do TCM – Classic Hollywood, que são de um tempo bem antes de eu nascer. Baccio.


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