CFW: encontro com os estilistas

A FENIT, através da sua assessoria de imprensa, leia-se os queridos Gabriel Rajão e Roberto Lima, é uma presença constante nos eventos de moda pelo Brasil afora. Para o CFW, o Gabriel, responsável pela imprensa e compradores internacionais, promoveu um encontro para que possamos conhecer o trabalho dos estilistas mais de perto, sem as tradicionais correrias do backstage e desfile.

A idéia é ótima. Um café da manhã informal onde podemos conversar  e ver o trabalho deles. Meu interesse por moda masculina me fez conhecer melhor o processo de dois estilistas: Romildo Nascimento e o Akhito Hira Jr.

Eu já falei sobre o Romildo e a necessidade de um apoio maior para este jovem talento. Ele me corrigiu dizendo que não trabalha mais na farmácia e sim como gerente de uma loja de tintas. Como ele não é uma empresa, comentou sobre o fato de ter que comprar nas lojas de tecidos e não diretamente dos fornecedores:

“Muitas vezes tenho que usar o CNPJ da loja de tintas para conseguir um preço melhor, mesmo assim, os fabricantes não conseguem fornecer uma quantidade menor de tecidos, então, tenho que me contentar com a oferta das lojas de Brasília. Sei que o cetim não seria o melhor para minha coleção, mas era o que poderia contar neste momento”, comentou Romildo, que tinha lido minha crítica.

Sobre ele desenvolver a linha masculina ou feminina, ele disse: “Algumas pessoas dizem que eu deveria ficar somente no masculino e outras gostariam que eu desenvolvesse o feminino. Como sou autodidata penso que uma oportunidade ótima pensar nas duas. Considero que é uma chance, já que temos a consultoria do Jum Nakao, de procurar caminhos e continuar com este desafio”.

Romildo Nascimento com a bermuda que escrevi que era a peça chave da coleção

Falando mais tarde com o Jum sobre isso, ele pensa que o estilista deve considerar as possibilidades de mercado. “Como a roupa masculina dele é moderna e fazer roupa para homens é um mercado mais difícil, ele deve considerar este componente. A moda feminina acababa dando mais visibilidade para um estilista porque o campo é maior, mas como consultor penso que a decisão cabe ao estilista”.

Jum Nakao colabora com o CFW a partir de uma premissa maior de seu trabalho atualmente: “Temos tantos estilistas talentosos no Brasil que correm o perigo de desaparecer por causa de um mercado que ainda está em formação no Brasil. Eu mesmo não tenho mais minha marca, e outros, como Rita Wainer, Karlla Girotto, por exemplo, sofrem do mesmo problema. Meu trabalho hoje em dia é pensar outras formas para que jovens talentos consigam sobreviver no mercado. Neste momento, temos que procurar dar um outro passo na moda brasileira em direção para que possamos amadurecer a cultura de moda. Estou indo para Caruaru dar um curso de modelagem, tem o evento de design em São Paulo que vamos discutir formas de abrir e difundir o conhecimento técnico”.

Uma pessoa que todos comentam sobre o talento, é Akihito Hira Jr. Ele estava ligado ao mundo da informática, mas há dois anos ele decidiu que o que ele queria fazer era moda. Ele mandou seu portifolio para o concurso de Novos Talentos do CFW e foi aceito.

É mesmo impressionante ver como em tão pouco tempo ele adquiriu um domínio técnico de toda engrenagem do mundo da moda. Seu caderno de apresentação da coleção é tão perfeito que você entende a coleção, a questão técnica, cartela de cores, tecidos, de um modo que vi poucas vezes no mundo profissional.

Caderno de apresentação de Akihito Hira Jr

Ele tem uma noção excelente também das diferenças entre as novidades que são necessárias para na passarela e o que pode ser comercializado. E sabe antes de mais nada, o conceito de moda masculina. Ele trafega muito bem entre um moda que pode ser aceita comercialmente e algumas coisas que podem fazer parte de um cenário futuro.

Seu acabamento, caimento das peças, uso de tecidos e cartela de cores é impressionante. Tem domínio de alfaiataria e camisaria e ainda por cima, experimenta moulage para peças com apelo mais fashion. Uma coisa posso dizer com certeza, este vai longe, muito longe, com ou sem apoio. Vamos ver o desfile mais tarde e ver toda a coleção como funciona.

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