Conversa com Alexandre Iódice sobre moda masculina

Entre as funções extra-redação de editor de estilo (sim, na Playboy, não é editor de moda) temos diversos almoços, visitas, presença em lançamentos, entre nossas atividades. Confesso que no começo, eu não estava muito confortável com isso, mas com o tempo, estou me acostumando.

Foto da campanha de verão da Iódice Denin onde o homem pode ser protagonista

O Sylvain Justum já havia comentado comigo para prestar atenção a coleção masculina da Iódice. Tanto que ele fez um post com o título Iódice masculina um exemplo a ser seguido. Hoje, fui tomar um café da manhã com o Alexandre Iódice para conhecer melhor por onde caminha a moda masculina da marca e seus projetos futuros.

Fiquei bem impressionado com o modo extremamente consciente como ele conduz o fio tênue entre os avanços da moda masculina e o lado comercial, afinal é muito fácil (em certo sentido) fazer uma coleção de impacto visual e depois nas lojas não encontrarmos nada daquilo. Ainda assim, a coleção masculina não é vista nas passarelas da marca ou no site.

Meu primeiro contato profissional com a marca foi num editorial de moda casual para escritório. Pesquisas apontam que o maior problema do homem brasileiro é como estar bem vestido sem ter que usar costume e gravata. Ou seja, o que antes era somente uma sexta-feira, o casual friday, que muitas empresas por aqui adotaram, seguindo o modelo americano.

Editorial da Playboy sobre moda casual para trabalhar com costume Iódice

Por uma série de fatores, incluso, a questão de um mercado cada vez mais informal, onde não somos contratados pela empresa, e sim prestadores de serviço, o roupa do trabalhador também passou por transformações. Então, o uso de terno e gravata ficou mais restrito a determinados ambientes e situações específicas. Se por um lado, a liberdade de não ter que usar um “uniforme” pode trazer vantagens, inclusive de conforto térmico, tem este problema do que é adequado colocar no dia-a-dia.

Mesmo que o editorial fosse de moda casual, tem situações em que o costume é obrigatório e queria usá-lo em 2 situações distintas, um costume completo sem gravata e outro somente utilizando o paletó. A Sandra Godoy me trouxe vários costumes azul marinho.

A escolha pela cor se dá porque além de ser um clássico, é o primeiro (e em certos casos, o único) que o homem deve ter no seu guarda-roupa. Mas não bastava ser azul marinho, minha preferência era por paletó de dois botões e com duas aberturas na parte detrás. São detalhes que fazem a diferença na moda masculina, como sabemos. E não é que o da Iódice era exatamente isso? Além de ser confeccionado em tecido super 120, caimento e acabamento muito bons, tem um shape contemporâneo sem ser slim fit demais.

Conversando, entre outros assuntos, o Alexandre comentou que além desta linha de costumes sua preocupação é dar uma roupagem mais clássica para peças antes consideradas apenas esportivas. A “nova” alfaiataria é uma das respostas possíveis para esta equação. Um exemplo claro que ele mostrou foi uma bermuda cargo. O tecido mais encorpado (um pied-du-poule, clássica padronagem masculina), o corte de alfaiataria, comprimento um pouco acima do joelho, boa opção para o urbano, e bolsos laterais mais estruturados.

Aos poucos, ele foi mostrando os avanços que ele poderia investir e onde ele teria que recuar. Claro, que minha pergunta foi porque a coleção masculina não se apresenta tão forte nas campanhas da marca. Ele muito claro, respondeu que o caminho é médio e longo prazo. O carro-forte da marca para os homens ainda é o jeans. Mas aos poucos os homens tem se interessado por esta linha da Iódice. E revelou, que ao contrário de outras marcas, ele está indo sozinho, sem a namorada ou esposa.

Porém, ele sabe que isso é um fenômeno paulistano. Que no interior do Brasil, a coisa é bem mais complicada. Comentamos o fato de como São Paulo ser muito diferente em termos do vestir que em outras cidades brasileiras. Tanto que numa visita a uma cidade, ele percebeu que mesmo básico, chamava atenção.

Por enquanto, as peças de alfaiataria terão uma grade menor de produção. Mas no próximo inverno, ele adiantou que a moda masculina vai ser toda fotografada antes do desfile. Passos pequenos para evitar grandes tropeções. É como o Sylvain bem colocou, mesmo assim, o papel dele é importante para novos ventos na moda masculina.

Foto da campanha Iódice onde o homem é coadjuvante, mas no futuro a situação pode mudar…

3 Comentários

  1. Adorei a matéria ..muito boa..Espero quie amoda maculina cresça e apareça cada vez mais..abs🙂

  2. Gostei muito da materia! Parabens Ale cada vez mais você tem mostrado que sabe o que está falando. Muita sorte para você em todos os seus projetos sejam lá quais forem.

    Abraço,

    Ruy

  3. […] Por enquanto, as peças de alfaiataria terão uma grade menor de produção. Mas no próximo inverno… […]


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