O que é novo no Verão 2009? Parei para pensar!

Faz tempo que eu não páro para pensar. Ando muito reprodutor de conteúdo ultimamente. Hoje acordei com este desejo. Então, senta que lá vem história!

Meu querido Alcino Leite, que foi editor do caderno MAIS, no dia 31 de agosto fez um especial de moda deslocado no seu antigo lugar. A entrevista com o pensador Lars Svendsen é exemplar para entendermos certos fenômenos ligados a este mundo. Dia 31 de agosto é a data da publicação, ou seja, um pouco antes da maratona fashion começar. Muito esperto, o Alcino. Afinal, este texto não poderia ser publicado na Revista de Moda, infelizmente.

O novo tecno vento de Chalayan

NY, Londres, Milão e Paris. A temporada de Verão 2009 mal terminou e as marcas mais importantes do planeta fizeram suas apostas debaixo de um teto nem um pouco luminoso de uma mega crise mundial. Em tempos de crise, ou fazemos o melhor do que já fazíamos ou investimos no sexo e no glamour, neste caso, leia-se brilho, muito brilho (falsos ou verdadeiros). Escapismos sempre funcionam antes de enlouquecermos de vez.

“Quando vemos uma coleção nova de um estilista, a reação típica é dizer que ela é “bacana”, mas que já a vimos só Deus sabe quantas vezes antes. Anteriormente, a moda seguia uma norma modernista, segundo a qual uma moda nova deveria tomar o lugar de todas as anteriores e torná-las supérfluas. A lógica tradicional da moda é a lógica da substituição. Nos últimos dez a 15 anos, porém, ela vem sendo definida por uma lógica da suplementação, em que todas as tendências são recicláveis e em que uma nova moda não tem por meta tomar o lugar de todas as que a antecederam, mas se contenta em suplementá-las. A própria qualidade de ser “novo”, que era essencial à moda no passado, deu lugar a uma eterna recorrência do mesmo“, afirma Svendsen.

O novo future chic de Balenciaga

A afirmação me conforta de um lado, porque tem uma hora depois de tantas imagens, de tantas marcas que desfilaram, fica uma sensação de vazio, de nenhum grande WWWOOOWWW. A Legendária (Regina Guerreiro), na sua última Caras Moda fez o melhor texto sobre a temporada de Verão no Brasil, com o título incrível: blablabla, blablamou, blablaviu! Ela vai enumerando as modas apresentadas e acrescenta um blablabla. Uma síntese acessível do que Svedsen coloca.

Chegamos num momento do nada de novo que o que nos resta é ir agrupando as diversas reinterpretações de tudo o que já foi visto e revisto. Assim como os estilistas, cabe os jornalistas requentarem o mercado com “novas” frases de impacto. Afinal, todos temos que vender, porque sem mercado de moda, a gente teria que inventar outra coisa para fazer.

“O princípio da moda é criar uma velocidade constantemente crescente, para fazer um objeto tornar-se supérfluo o mais rapidamente possível, para então passar para outro. A consciência do poder da moda é a consciência de que os produtos não vão durar; e, se vamos escolher um produto que inevitavelmente ficará ultrapassado, vamos tender a escolher a última moda, e não uma moda anterior. Os produtos não duram, nem se pretende que o façam. Essa é uma parte importante da atração exercida pelo produto pós-moderno: daqui a pouco poderá ser substituído!”

O novo cafona de Marc Jacobs

Nesta semana, na primeira aula do João Braga na Abril, ele fez uma colocação importante: “As semanas de moda deveriam chamar semanas de estilo. Moda é uma forma de vestir coletivo. Nos lançamentos de cada marca temos apostas daquilo que poderá ser coletivo um dia. Antes que as pessoas assumam nas ruas aquilo que está nas passarelas, não podemos chamar estas roupas de moda.

A questão é que na lógica do fast fashion tudo é muito mais rápido e efêmero. Com a internet então, o que vimos hoje, vira tudo tão déjà vu, que quando vemos as roupas nas vitrines, o que já nem era tão novo, envelhece mais rápido. Penso, que nosso pensamento vai ter que mudar mais rápido também.

Me lembro que quando fui assistir o revolucionário e apocalíptico desenho animado Akira (1998), de Katsuhiro Otomo, tive um problema para acompanhar a simultaneidade de coisas que apareciam na grande tela. Saí de lá, pensando que as crianças que foram criadas já imersas em tecnologia e videogames estariam melhor preparadas para enxergar o mundo de outra forma. Elas seriam capazes de absorver uma quantidade de informações e descartá-las com a mesma velocidade. Pensamento simultâneo…

O novo gosto burguês de Prada

Quem sabe a nova geração esteja mais preparada para selecionar as informações de moda do que eu? Quem sabe que a novidade esteja aí? Como sabem lidar com este grande número de informações, tenham muito menos ansiedades do que eu por uma coisa realmente nova.

Claro que belas imagens foram produzidas. Não estou cego de todo ainda. Balenciaga é lindo? Sim. Blablablabla. Os japoneses me fizeram parar para ver tudo? Sim. blablabla.Nos impressionantes vestidos de Chalayan…blabla. Fiquei pensando no sexy da Prada. bla

blablablablalblablablablaSIM

P.S. As fotos são (de novo) do Marcio Madeira (Style.com)

4 Comentários

  1. Gente, que post incrível!!! Amei, e é bem verdade isso. O que tem de verdadeiramente novo, aí? Talvez só essa velocidade que a moda vive hoje. Tão rápido que a gente tem começar a mudar o modo como a lemos e como a entendemos. Mas esteticamente, nada de novo mesmo. É tudo dejá-vu.

    Escrevi um post lá no About Fashion faz um tempo, falando que depois dos anos 90 quase na mudou. E até questionava se algum dia ia mudar de fato. Tem gente que acha que esse mix de referências e estilos, reciclagem de tendência seja uma novidade. Mas é um novo através do antigo, não? E o novo, realmente novo, diferente de tudo que já vimos? Será que vai conseguir aparecer nessa corrida maluca da moda?

    A Suzy Menkes escreveu um texto essa semana para o IHT, falando sobre os novos estilistas, questionando se eles ia ficar tanto tempo na carreira como Valentinos, Armanis e Ralph Laurens, da vida. E o interessante lá é que ela fala justamente dessa velocidade absurda da moda. Dessa demanda por novas roupas cada vez em menos tempo, o que acaba deixando os estilistas sem tempo para se focar num trabalho criativo de fato. Então fico me perguntando, se com essa lógica toda, será possível algo realmente novo e bom, em termos de estética, acontecer.

    É que é tudo muito recente, muito atual e muito rápido, deixando a gente com pouquíssimo tempo para reflexões como essas, sobre o que está acontecendo e onde vamos parar. É difícil analisar tudo com precisão, sem parar por alguns instantes e nos abstrair de tudo isso para poder observar sob um ótica mais ampla.

    Beijos,
    Luigi

  2. blablamei.
    HAHAHA

  3. Arrasou no posicionamento!
    Beijos querido!

  4. bacanérrima análise….


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