Richard Avedon ganha retrospectiva em Berlim

Richard Avedon um dos fotógrafos mais importantes da história, morto em 2004, ganha retrospectiva de sua carreira no museu Martin-Gropius-Bau. A exposição faz parte do mes da fotografia de Berlim. Quem trabalha com moda, com certeza, já viu alguma de suas imagens icônicas.

A modelo Dovima posa com elefantes de circo para Harper’s Bazaar em 1955

Ele começou na Haper´s Bazzar, onde colaborou por 20 anos (1945 a 1965), tendo como seus chefes Carmen Snow, Diana Vreeland, Alexei Brodovich, Henry Wolf, Marvin Israel. Vreeland que não era boba nem nada, levou o fotógrafo para a Vogue quando ela se tornou editora e por lá ele ficou entre 1966 a 1990.

1948: Elise Daniels no Marais usando Balenciaga com aquela pose que 10 entre 10 modelos aprenderam a fazer

A exposição conta com mais de 250 fotografias e amplia o conhecimento da trajetória dele. Se na foto de moda ele foi um dos primeiros a sair do estúdio e trazer a vibração das ruas, nos retratos ele preferia um fundo neutro.

Richard Avedon afirmava que na fonte do seu trabalho estavam uma série de “nãos”. Dizer “não” a uma luz requintada, a uma aparente composição, à sedução de uma pose e de uma narrativa permitiu-lhe, e eventualmente forçou-o a dizer “sim” a algo. Para Avedon, é suficiente dizer “sim” a um fundo branco, à pessoa em que estava interessado e ao que se passa entre eles.

Retrato de Henry Kissinger: “Seja gentil comigo”

Esta frase dita por Henry Kissinger, ex Secretário de Estado de Richard Nixon e Gerald Ford, deixou Avedon tão intrigado que ele escreveu um texto sobre o fato e que na verdade é um bom tratado sobre a função do retrato.

Retrato dos Beatles em 1967

Na minha pesquisa sobre Avedon me deparei com um texto no Wikipedia sobre estas fotos incomuns dentro da trajetória do fotógrafo:

“Essas fotos representam cada membro de forma muito distinta, como que refletindo através da cor a personalidade de cada um. (…) Sabendo disso e para servir esse propósito, Avedon faz outra coisa que é rara no seu trabalho, que é utilizar adereços propositados. Assim sendo, a simplicidade de Ringo é representada a duas cores (além do preto e do branco, naturalmente), por um pombo branco pousado na mão do baterista, e um tom de laranja pastel, quase castanho, que lhe ilumina a face e o tronco despido, deixando um azul inofensivo como a sua expressão, nas sombras que o corpo encobre.

George Harrison é apresentado também em tronco nú, com a mão levantada e pinturas Indianas a cobrirem lhe a parte de cima do tronco e da mão, que remetem para o lado espiritual do pupilo de Ravi Shankar. A foto utiliza um filtro verde que cobre toda a imagem, e é colmatada com um laranja extremamente saturado que substitui os tons fortes da imagem.

Já Paul McCartney, é representado através de um azul extremamente claro, sem demasiada saturação, como se estivesse a tentar não incomodar ninguém, mas por outro lado, em perfeita harmonia com o lilás que cobre as sombras das fotos. Olha sereno para a câmara enquanto segura na mão o caule de uma planta com flor.

Por fim, John Lennon, naquela que é provavelmente a imagem mais emblemática tanto dele como de Avedon, figurando até na capa da sua compilação “Avedon: The Sixties”, está apresentado com quatro cores. O fundo em amarelo vivo define o tom com que a imagem vai contrastar. Assim, a sua pose altiva encontra-se com a parte iluminada da face, a roxo, e a parte escurecida pela sombra, colorada de vermelho. Por fim, os seus famosos óculos redondos, revelam umas curvas psicodélicas em vermelho e verde”.

Nesta fase de editor de moda, ando revendo muitos trabalhos de fotógrafos, pesquisando portifolios de fotóografos, fazendo uma relação com quem ainda quero trabalhar. Claro, que com Avedon não vai dar mais. Porém, pesquisá-lo e ver suas fotos é uma grande inspiração.

Foto de Roberto Lopez da série In the American West, 1985

Quer ver mais fotos de Richard Avedon? Vai até a Fraenkel Gallery.

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1 Comentário

  1. mmmmmmm. bafo o cometário dele sobre o henry kissinger lá no site. “wonder and terror”. é exatamente isso que se vê nesse retrato.
    e perfeito também a colocação de Barthes de que fotografia é um texto.

    agora essas fotos dos Beatles são foda né. a do john lennon, eu lembro de ter feito uma pintura disso na aula de arte do colegial.

    agora, o que são aquelas exposições dos anos 70, bi? absurdo, os layouts das exposições em si, muito mais incríveis do que as mais recentes.


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