SOS Santa Catarina: ajude agora!!!!

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Foto: G1

Ontem consegui finalmente falar com o Jaison Bogo, Presidente do Santa Catarina Moda Contemporânea. Dava para perceber que ele estava cansado. Sua fábrica, a Maré Cheia parou, assim como as indústria têxtil da região.

Ele em nenhum momento falou de seus prejuízos. Ele estava tão preocupado. Ele calçou as botas, arregaçou as mangas e foi ajudar as vitimas da enchente. Ele tinha acabado de saber que depois que o tempo ruim tinha dado uma trégua, as famílias que moram em áreas de riscos, tinham voltado pra lá e houve novos deslizamentos.

A situação não está nada fácil. Vi uma matéria dizendo que serão por volta de cinco anos para a recuperação completa das cidades atingidas. Escrevi pra o Romeu que mora lá para saber como ele estava:Oi oliveros. brigado pela força. por aqui, por muito pouco, não chegou agua. mas o resto da cidade foi terrivel. tá uma situação de caos por aqui. muito triste, vários amigos perderam tudo. essas doações são mais do que necessárias”.

Jaison também me pediu para continuar dando notas sobre a situação porque ele tem medo que fique só nestes momentos mais difíceis e depois ninguém fale mais disso. Mas como toda tragédia, sempre tem este outro lado. A gente que discute tanto o DNA da moda brasileira, é bom ver que o Brasil todo está solidário e isso é incrível, porque revela aquilo que a gente tanto discute na moda, o nosso dna. Nestas horas que somos mais brasileiros que nunca.

Nestes momentos, muitas vezes temos uma sensação de imobilidade perante uma coisa tão grande. Nada disso. São tantas pequenas coisas que você pode fazer, que no final vão fazer uma grande diferença. Desde doar, sei lá, R$10, nas diversas contas que foram abertas, assim nem precisa sair da frente do computador:

Banco/SICOOB SC – 756 – Agência 1005, Conta Corrente 2008-7
Caixa Econômica Federal – Agência 1877, operação 006, conta 80.000-8 Banco do Brasil – Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7
Besc – Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0.
Bradesco S/A – 237 Agência 0348-4, Conta Corrente 160.000-1
Itaú S/A – 341, Agência 0289, Conta Corrência 69971-2
SICREDI – 748, Agência 2603, Conta Corrente 3500-9
SANTANDER – 033, Agência 1227, Conta Corrente 430000052
Nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual de Defesa Civil, CNPJ – 04.426.883/0001-57. Defesa Civil de SC alerta sobre ação de golpistas pela Internet. A Defesa Civil não envia mensagens eletrônicas com pedidos de auxílio.

Mias informações aqui:
http://www.defesacivil.sc.gov.br/

Para os paulistanos, as lojas da Cavalera e da Hering também estão aceitando doações. De quinta (27/11) à domingo (07/12), as lojas Cavalera estarão abrindo suas portas, para receber doações de abrigos, alimentos não perecíveis, cobertores ou qualquer outra contribuição que possa ajudar as vítimas das enchentes de Santa Catarina.

No dia 08/12 eles estarão enviando todas as arrecadações para os desabrigados e desalojados do Norte do Estado, Vale do Itajaí e grande Florianópolis.

SHOPPING HIGIENÓPOLIS – 3823-2300
SHOPPING IBIRAPUERA – 5533-9127
AL. LORENA, 1682 – 3083-5187
SHOPPING MORUMBI – 5189-4982
R. SÃO BENTO, 216 – 3104-3721
SHOPPING TABOÃO – 4786-1688
SHOPPING METRO TATUAPÉ – 2294-9288
SHOPPING VILLA LOBOS – 3024-3982

HERING

As franquias da Hering em São Paulo estão se organizando para enviar roupas, alimentos não perecíveis e remédios para os abrigos de Blumenau e outras cidades da região. Quer ajudar? Leve suas doações para a Rua do Rócio, 430, 3º andar – Vila Olímpia.

VAMOS AJUDAR DE ALGUMA FORMA, POR FAVOR!!!!!

Moda catarinense se une contra tragédia

Enxurrada em Balneário Camboriu

Depois de três visitas a Santa Catarina, claro que criei laços com um monte de gente de lá. Vendo as imagens na televisão não tem como deixar de ficar preocupado com os amigos. Estava em Franca com uma programação intensa e soment hoje consegui começar a escrever para eles. A começar pelo Jaison Bogo, presidente do SCMC, e que me recebeu mais do que bem por lá.

Eis que recebo do pessoal da Catarina Comunicação de Moda um email falando da mobilização da indústria têxtil para amenizar os estragos das chuvas que desabam por lá. Parabéns a todos pela inciativa, num momento em que todos estão com prejuízos e perdas.

Leia e se puder ajudar, não deixe de fazer.

Empresas têxteis se reúnem para auxiliar vítimas da tragédia

De norte a sul do estado, marcas promovem ações de ajuda.


Santa Catarina é um estado muito unido, principalmente no que se refere a solidariedade. Nos últimos dias vivemos um verdadeiro tormento, castigados pelas chuvas e por desastres naturais. Diante do cenário nada favorável e com a crise econômica que bate à nossa porta, as empresas de norte a sul do estado estão desenvolvendo ações para amenizar a dor de quem perdeu tudo.

No sul, a Damyller, de Nova Veneza, está recebendo donativos que podem ser entregues no ponto de arrecadação localizado no parque fabril da empresa, até a próxima segunda, dia 1º de dezembro. Na terça a empresa levará as doações para a Defesa Civil do estado. São aceitas roupas, cobertores e alimentos não perecíveis (preferencialmente enlatados e não-cozidos). A SKS, de Criciúma, está doando peças de roupas do estoque e estará recolhendo doações espontâneas em dinheiro dos seus colaboradores, destinando os valores à compra de medicamentos e alimentos aos atingidos.

Na região do Vale do Itajaí, uma das mais castigadas pelas inundações, a Maré Cheia, de Blumenau, está realizando doações de roupas, alimentos e fraudas às áreas atingidas, além de iniciar uma campanha local pelo recolhimento e distribuição de brinquedos, uma maneira de amenizar a dor e distrair as crianças vitimadas. A Dalila Têxtil, de Jaraguá do Sul, está mantendo em sua sede na cidade um plantão permanente de recolhimento de doações que será encaminhado a Defesa Civil no sábado. O mesmo ocorre em sua filial, em Presidente Getúlio, também no Vale do Itajaí, que encaminhará o material doado aos órgãos de distribuição no fim de semana.

A Lancaster, de Blumenau, devido ao grande número de colaboradores afetados, no momento está direcionando suas forças na ajuda aos funcionários prejudicados com a enxurrada. Já a coordenação do Santa Catarina Moda Contemporânea, projeto que une 15 indústrias do estado e 14 instituições de ensino de moda, se colocou à disposição para auxiliar no que for possível. A Catarina Comunicação de Moda, empresa que realiza a assessoria de imprensa das empresas citadas, sediada em Florianópolis, informa que se coloca à disposição para esclarecer dúvidas ou prestar a ajuda necessária no contato com as empresas que atende.

Serviço:

Damyller – 0800-47-4800

Rua Conselheiro Pedro Bortolotto, nº 50 – Bairro São Bento Baixo – Nova Veneza.

SKS – 48 3443-0016

Rod. Governador Jorge Lacerda, KM 5 – Bairro Sangão – Criciúma.

Maré Cheia – 47 3334-5063

Rua Doutor Pedro Zimmerman, nº 4656 – Itoupava Central – Blumenau.

Dalila Têxtil – 47 3372-9602

Matriz: Rua João Januário Ayroso, nº 3850 – Bairro São Luiz – Jaraguá do Sul.

Filial: Rua Mirador, nº 20365 – Presidente Getúlio.

SCMC – 47 9951-5947.

Direto de Franca

Cheguei segunda a noite em Ribeirão Preto, com direito a chopp no Pinguim (claro) e na terça cedo viemos para Franca, a terra do calçado masculino. Estou aqui pela Abril representando a PLAYBOY. Voltei ontem a noite para São Paulo e depois conto tudo o que vi.

Vi um pequeníssimo universo perto das 760 indústrias de calçados instaladas em Franca, que empregam um número estimado 26 mil trabalhadores e indiretos. São mais de 32000 pares produzidos por dia. É impressionante.

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Vista da fábrica Ferracini


Paisagens tomam contam do Mezanino

No sábado fui na abertura da exposição Montanhas, Marinhas e Outras Miragens com curadoria de Renato De Cara na sua Galeria do Mezanino, lá na loja da VROM da Alameda Lorena. Ele sabe que evito sair aos sábados e ando meio fugindo de aberturas e vernissages, já que a gente não consegue ver direito nada, porque é sempre muita gente, muitos olás.
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Brunel Galhego

Mesmo com um feriado, estava lotado de amigos. Quando cheguei dei de cara com a Chiara Gadaleta e do Daniel Klajmic e o Pense Moda era o assunto. Conversamos um pouco e depois fui enfrentar a multidão. Fiquei meio irritado porque as fotos não tinham identificação. Gosto de saber quem é o autor, título, técnica, ano. Isto não é frescura, mas são coisas que ajudam o entendimento de cada foto que está lá.

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Marcos Vilas Boas

O fotógrafo Rogério Cavalcanti discordou dizendo que estava se divertindo em saber quem era o autor por detrás das imagens, já que como fotógrafo era bom este exercício. Tinha um catálogo (disputadíssimo) com o nome de todos. Reclamei com o Renato e ele acabou fazendo uma visita guiada. No fim, ele achou que precisava mesmo e está indo lá colocar as etiquetas.

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Paulo Ferreira

Paisagem é um tema para lá de recorrente nas artes e apresentar algo novo não é tarefa fácil. A exposição tem uma delicadeza muito grande e consegue amarrar muito bem as imagens não só pelas diferentes técnicas aplicadas como no olhar de quem está fotografando. Para exemplificar, tem uma fotografia do próprio Renato de uma paisagem que parece uma aquarela, porém ela foi impressa em tecido e isto reforça a idéia de pintura, mas é foto.

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Ricardo Barcellos

A questão central que o curador coloca é “A Paisagem Fotográfica de ontem é a mesma de hoje? Dos primórdios dos daguerreótipos aos megapixels agigantados das imagens contemporâneas, os artistas sempre olham para fora, talvez, procurando se encontrar. Das velhas paisagens aos trabalhos mais conceituais, hoje quase tudo é clichê, no mar de mídias que vivemos. Registrar o mundo, apontando as diferenças dos lugares, nos proporciona outras escalas, onde os detalhes se ampliam em enquadramentos variados”.

É uma coletiva e como todas temos aquelas obras que mais nos identificamos e outras nem tanto. Eu particularmente destaco algumas só para que quando você resolver ir até lá, preste atenção e quem não for, ficar atento quando ouvir falar.

Eu sou suspeito para falar, porque gosto muito da obra do Hidelbrando de Castro. Ganhei de presente da Betty Prado um cartaz gigantesco da exposição dele na Laura Marsiaj de 2004. Seu trabalho é de pintura e você poderia perguntar o que ele estaria fazendo numa exposição de fotografia. Numa entrevista para a crítca de arte Maria Alice Milliet ele comenta o fato: “Meu projeto é outro: eu revelo as minhas fotos em pintura, uso pincel e tinta para revelar o que o filme registrou. Não deixa de ser uma manipulação do registro fotográfico”.

Eu não conhecia a obra que está na exposição. Sua imagem em P&B com um pequeno avião colorido colocado sobre ela e com uma lente de aumento é tão poética, simples e ao mesmo tempo genial, que a gente fica hipnotizado. Eu estava com o Amaury na visita guiada e a gente separou as obras em “aquelas que odiamos” e “aquelas que dão raiva” de tão boas que são. Esta é uma delas.

Outra obra muito simples e de grande impacto é de Roberta Dabdab. São duas imagens megapixelizadas e ainda assim você percebe que é um vôo de pássaros. Não tem moldura, nada. São quadrados azuis com quadrados pretos. Me lembrou uma série de vídeos do Cao Guimarães chamado “Paquerinhas” que também adoro.

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Calebe Simões

Calebe Simões trabalha com dupla exposição, ou seja, ele trava o negativo quando está fotografando e consegue efeitos surpreendentes de espelhamento da paisagem. Numa época de possibilidades de photoshop fazer isso artesanalmente se deve a um exercício de concentração, firmeza nas mãos e um olhar bem afiado. Ele tem um outro trabalho que é um micro blacklite de uma foto de árvore que deu vontade de ter em casa.

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Miriam Homem de Mello

Por último, voltando a fotografia moderna, o trabalho de Miriam Homem de Mello com seu projeto de fotos de sarjetas. Elas não parecem o que são, e sim, grandes paisagens, como uma cordilheira ou uma praia vista bem de longe.

Claro que estas escolhas são bem pessoais. A exposição merece ser visitada e fica em cartaz até 05 de janeiro. Confira a lista dos 20 artistas: Alex Josias, Alexandre Cardinal, André Andrade, Armando Prado, Brunel Galhego, Calebe Simões, Cristiano, Daniel Athayde, Daniel Pinheiro, Debby Gram, Fabio Heizenreder, Guto Seixas, Hildebrando de Castro, Ivan Abujamra, Jaques Faing, Jurandy Valença, Márcia Xavier, Marcos Vilas Boas, Miriam Homem de Mello, Paulo Ferreira, Renato De Cara, Ricardo Barcellos, Roberta Dabdab, Roberto Setton, Tadeu Jungle. Sites Specifics: Filipe Jardim, James Kudo.

“Para que não me ames” é o grande vencedor do 16° MixBrasil

Este foi o maior festival de todos os tempos do MixBrasil. No final do domingón lá no MIS aconteceu a cerimonia de premiação. Dois fatos acabaram marcando a noite: o discurso ininteligível do Paulo César Pereio chamado ao palco para a menção honrosa do capixaba Homens e ele nem participou do filme e acabou confundindo o sobrenome da diretora Lucia Caus com caos e aí foi aquela coisa.

A prostituta suíça Claudette, que tem 70 anos ganhou o troféu Ida Feldman de Personalidade do Festival e fez um discurso emocionante: “Estou feliz que o Consulado Suíço tenha pago a minha viagem, pois eu avalio isso como muito importante para as minorias”.

Nessa 16° edição, Suzy Capó, André Fischer e João Federici levaram ao público 240 filmes, entre longas e curtas-metragens, filmes de ficção e documentários, que abordaram os mais diversos temas relacionados à diversidade sexual, dos mais variados gêneros (drama, terror, pornô, comédia e etc). Além da exibição de filmes, o evento contou com uma série de atividades paralelas e especiais.

Na Mostra Competitiva Brasil participaram 20 curtas-metragens. Esses filmes foram avaliados por um júri internacional composto por programadores de festivais no Uruguai, Espanha, Israel, Brasil e Alemanha.

A premiação do 16° Mix Brasil cresceu, e nesse ano, além do prêmio de melhor filme, o festival concede premiação às seguintes categorias Melhor direção, Melhor Interpretação, Melhor Direção de Arte, Melhor Edição e Melhor Fotografia, todos recebem o Coelho de Prata. E pela primeira vez, a categoria de Melhor Filme ganha o Coelho de Ouro.

O vencedor de melhor filme do PRÊMIO DO JURI foi o curta Para Que Não Me Ames (Andradina Azevedo e Dida Andrade, 2008, São Paulo, 17′), que conta a história de Marisco, um homem que nunca disse “eu te amo”, conhece na prisão Vivita, um travesti que insiste em sonhar.

Já para o público foi o tailandês Um Amor de Siam de Chukiat Sakveerakul – Tailândia. Este filme foi uma febre na Tailandia ano passado. É um drama bem adolescente sobre a paixão entre dois jovens amigos de infância, sendo que um é líder de uma boy band, tipo N´Sync local. A canção-título tabém foi sucesso por aquelas bandas. O longa conquistou três prêmios da Associação Nacional de Cinema da Tailândia (filme, direção e atriz coadjuvante, para Laila Boonyasak), tendo sido indicado ainda em outras treze categorias.

O juri também premiou os seguintes filmes:
Mensão honrosa:Homens (Lucia Caus e Bertrand Lira, 2008, Espírito Santo, 22′)
Melhor Interpretação:Depois de Tudo(Rafael Saar, 2008, Rio de Janeiro, 12′)
Melhor Roteiro:As Fugitivas(Otavio Chamorro, 2007, Distrito Federal, 13′)
Melhor direção: Para Que Não Me Ames (Andradina Azevedo e Dida Andrade, 2008, São Paulo, 17′)
Melhor Fotografia:Os Sapatos de Aristeu (Luiz René Guerra, 2008, São Paulo, 17′)
Melhor Edição: Entre Cores & Navalhas (Catarina Accioly e Iberê Carvalho, 2007, Distrito Federal, 14′)

O público premiou como Melhor documentário Ela É Um Garoto Que Conheci, de Gwen Hawthorn – Canadá. Ao contrário do que pode parecer a primeira vista, este documentário autobiográfico de Gwen Hawthorn mostra sua mudança de sexo, é bem legal, nada piegas, mas ainda assim emocionante. Ele desembarcou no Brasil bem premiado: Toronto Inside Out Lesbian and Gay Film and Video Festival deste ano, levou o prêmio do público de melhor documentário e uma menção honrosa como melhor filme ou vídeo canadense; no Festival de Cinema Internacional de Vancouver, ficou com os prêmios “Filme Canadense mais Popular” e “Mulheres em Filme”; e conquistou ainda o prêmio Leo (dedicado ao cinema e à TV) de melhor roteiro para documentário, programa ou série.


Também caíram no gosto popular O Pátio da Minha Casa, de Pilas Guiterrez – Espanha como Melhor Curta Estrageiro e O Corpo Conforme de Letícia Marques como Melhor Curta Nacional:


Parabéns a todos que trabalharam este ano no Festival e muito obrigado para a Agência Cartaz que credenciou o Fora de Moda para o evento.

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3 lições que aprendi nesta semana

“Todas as coisas humanas têm dois aspectos… para dizer a verdade todo este mundo não é senão uma sombra e uma aparência; mas esta grande e interminável comédia não pode representar-se de um outro modo. Tudo na vida é tão obscuro, tão diverso, tão oposto, que não podemos nos assegurar de nenhuma verdade.” Erasmo – Elogio da Loucura, 1509

LIÇÃO 1: Que a gente tem que aprender a cair e levantar sempre. Que nada é tão definitivo ou verdadeiro assim.

“A verdade é contigência, busca, e a linguagem é a revelação” Wittgnstein, 1919

LIÇÃO 2: Que mesmo quando se chega a algum lugar, deve se lembrar de onde veio e que ninguém nasceu pronto

A experiência da alteridade (e a elaboração dessa experiência) leva-nos a ver aquilo que nem teríamos conseguido imaginar, dada a nossa dificuldade em fixar nossa atenção no que nos é habitual, familiar, cotidiano, e que consideramos ‘evidente’. Aos poucos, notamos que o menor dos nossos comportamentos (gestos, mímicas, posturas, reações afetivas) não tem realmente nada de ‘natural’. Começamos, então, a nos surpreender com aquilo que diz respeito a nós mesmos, a nos espiar. O conhecimento antropológico da nossa cultura passa inevitavelmente pelo conhecimento das outras culturas; e devemos especialmente reconhecer que somos uma cultura possível entre tantas outras, mas não a única.” (F. Laplantine, 2000:21)

Muito obrigado a todos pelos debates desta semana. Aprendi mais sobre muitas coisas, sobre a moda, pensei em outras tantas e no fim mais sobre mim mesmo e sobre os outros. Quase no final do meu inferno astral, presente melhor eu não teria! Daqui há pouco chego aos 44 anos sabendo dos meus limites e limitações. Sabendo que no fundo continuo super bahiana, quase tosco em muitos aspectos e sempre fã de personagens como o Jamanta e Barbosa.

Mas travestido de uma suposta elegância aprendida apenas tecnicamente e de uma suposta inteligência que é feita apenas pela capacidade de juntar coisas e por uma memória bem boa. De vez em quando tudo vem a tona e podemos ver claramente que não é nada disso que importa.

LIÇÃO 3: Que mesmo tosco ainda posso ser feliz!

PENSE MODA: balanço geral

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O evento PENSE MODA está (apenas) na sua segunda edição. Ele existe porque três jovens (Cami, Babu, Marcelo) resolveram que sim há a necessidade de se discutir moda, que está além da roupa que usamos dia-a-dia, fora das redações e por aí vai. Não tem a força de patrocínio de outros eventos como Claro Rio Summer ou Prêmio Iguatemi de Moda, já que pensar não gera dividendos. Será? A CAMI FEZ UMA REFLEXÃO PRA LÁ DE IMPORTANTE QUE VALE LER ATÉ O FIM.

1. PREGUIÇA X PREGUIÇA DA PREGUIÇA

Muito das colocações nas mesas tiveram 2 lados básicos que podem ser resumidos em: ai que preguiça dissox ai que preguiça da preguiça deles. Macunaismo puro. Para quem não conhece, o anti-herói de Mario de Andrade perdeu seu amuleto Muiraquitã e na sua épica busca daquilo que lhe foi roubado, que é na verdade o seu próprio ideal. Ele ao fim reconhece a inutilidade de continuar a sua procura, se transforma na constelação Ursa Maior, que para ele, significava se transformar em nada que servisse aos homens.

Nesta dicotomia entre o que deve ou não ser debatido acabamos por perder o foco várias vezes. Recebi um email hoje que me fez (re) pensar:

“Desculpe a intromissão, mas eu acho que se os blogs querem discutir o assunto, é legal que seja com os pés no chão e de forma madura, como vc está dizendo. O que eu vejo é que às vezes fica uma discussão superficial, infantil, tipo aquele vídeo que o Oficina de Estilo colocou, com a cara de tédio das pessoas, que é absolutamente irrelevante. Daí cai naquela coisa mundinho pequeno da moda, de fofoquinha, veneninho…discussão que não leva a nada! Fica parecendo papo de comadre, sabe?! Mostra total desconhecimento de causa mesmo. E o foco principal se perde”.

O email me levantou a lebre (bem importante) que se a gente perder tempo com a Vogue e escrever sobre isso, o foco se perde, porque fica muito no exemplo mal dado. É como a história do Vitor Santos, na mesa de moda masculina, ele estava falando de outra coisa quando citou a Osklen e isso acaba ocupando mais espaço do que ele estava tentando colocar.

2. CADA UM NO SEU QUADRADO

Estou pensando, estou pensando…. não em moda, mas nosso papel neste meio. Se a Vogue é referencia ou não, se a Daniela isso ou Daniela aquilo, se o blog da Lilian é blog ou não, a questão não está aí. Quem quiser pensar, se manifestar que o faça. mas façamos isso com bons parâmetros e não com falsos que desviam o caminho. Porque se não, ficamos no terreno da retórica, do ouroboros que come seu próprio rabo.

Tem um termo em grego que é Tekné, que significa A ARTE DE SABER FAZER. Naquele tempo arte e técnica não estavam dissociados. A técnica, o pensamento, a arte e o produto estavam no mesmo lugar. Com a especialização do mundo isto se rompeu. Hoje existem artistas, produtores, pensadores e cada um no seu quadrado. Então, se o povo que não quer pensar, quer produzir, tudo bem. Teremos do outro lado, gente que quer pensar, e tudo bem.

3. TUDO É URGENTE

Temos uma urgência. Temos que produzir moda, temos que melhorar nosso produto, temos que vender, temos que fazer uma bibliografia, temos que pensar, temos que criticar, temos tantas coisas ainda por fazer. Então, voltamos ao velho ponto de sempre: se cada um fizer sua parte já está de bom tamanho. Se fizer bem feito, mesmo com as condições precárias, com impostos altos, com a concorrência da China, Índia, Russia, o índice dow jones, a alta do dólar, a crise, então está ótimo.

4. LÁ FORA

Este ano tivemos as presenças estrangeiras novamente. Ao contrário do ano passado, elas não foram tão inspiradoras. Não sei se eles estavam mal preparados, ou se jogaram demais, ou fizeram viagens longas demais, ou se simplesmente não sabiam falar sobre seu próprio trabalho. Vai saber.

De qualquer forma, se na primeira edição, certas coisas poderiam ser adaptadas para nossa realidade, desta vez as contradições entre primeiro e terceiro mundo ficaram mais gritantes. Quando todo mundo ficou babando, incluso eu, nas imagens do Nicholas Formichetti pensei: o público dele consome moda desde o século XVIII, oras. Na Europa, não precisa estudar na faculdade História da Arte, como aqui. Convive desde pequeno com a história, com a arquitetura.

Nossa educação passa por outros meios, por outros lugares. Como meu pai é chines e ele ama o Brasil, não tenho complexos de inferioridade. Fico é surpreso sempre que mesmo em condições precárias, que vai do carro ao papel, do produtor que fez 3 coisas e virou stylist, do fotógrafo que dominava a técnica analógica, teve que correr para entender o equipamento digital, da modelo que saiu do sertão de Fortaleza e hoje desfila alta-costura. Estamos fazendo, isso é ótimo!

Se a gente parou para discutir tudo isso neste 3 últimos dias, é sinal que pelo menos a gente tinha alguma coisa para falar…