Sou café pequeno para Claro Rio Summer

Pois é, semana passada recebi várias ligações de assessorias de imprensa para confirmar minha presença no Claro Rio Summer, mas acabei dizendo não, depois de muito pensar.

Eu tenho uma situação muito especial na Playboy. Sou considerado no papel o editor de estilo da revista, mas não sou contratado. Ou seja, é muito complicado pelas normas da editora Abril custear passagens e hospedagens para semanas de moda.

Eu mesmo fiquei pensando se valia a pena custear pessoalmente isto. Afinal fashion is my businees, por um lado. Toda a semana de moda, tem esta coisa de marcar território para o veículo que você trabalha, é bom ver e ser visto, e todo este blá-blá-blá que faz parte da cena. Porém, por causa do recesso da Abril no final de ano, estou fechando dezembro e janeiro e começando fevereiro em dezembro. São tantas as pautas que nem sei mais para qual edição vai o quê.

Acabei considerando que sou muito café pequeno para o evento do Nizan Guanaes que privilegiou nesta primeira edição a imprensa e certas “celebridades” internacionais , mesmo porque é para o mercado internacional que tudo está sendo dirigido. Então, Andre Leon Talley (Vogue America), Tatiana Santo Domingo e seu namorado Andrea Casiraghi, filho da princesa de Monaco, compradores de importantes lojas de departamento, estão entre os cerca de 100 convidados VIPs que receberam passagens e hospedagens no Fasano do Arpoador.

Devemos entender o evento como “cruiser collections” porque não faz mais sentido para o mercado interno falar de verão. Na moda brasileira estamos pensando no inverno 2009. Ou seja, deixa o povo “lá de fora” tomar muita caipirinha, ver os desfiles e espero que comprar muito biquini porque a moda brasileira merece seu espaço internacional.

Eu vou acompanhar tudo de longe e está ótimo, não? E sem comentários…rs

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Roupa Nova de Guerra

Um exercício de desapego é a conclusão de mais um fechamento da PLAYBOY. Alguma coisa sempre cai da pauta original pelos mais diferentes motivos. Desta vez foi meu texto que abria o editorial Miragem de roupa safári.

Bom, como tenho este blog resolvi publicar aqui, assim o trabalho não se perde, não é mesmo?

ROUPA NOVA DE GUERRA

por Ricardo Oliveros

Quando os colonizadores ingleses do século XIX chegaram em terras como a África, Índia e Austrália, logo trataram de adaptar seu guarda-roupa ao clima quente. Por questões de praticidade, o exército foi o primeiro a adotar um novo uniforme.

De acordo com João Braga, professor de História da Moda, “a primeira coisa foi se livrar dos enfeites e tecidos pesados originalmente utilizados na Inglaterra. Não podemos falar de camuflagem, porque é um conceito posterior, mas de um certo mimetismo na escolha da cor caqui, mais próxima dos tons da terra e da areia”. A palavra caqui vem do Persa khak que significa pó, e khaki que significa poeirento, empoeirado ou cor de terra.

Sir Harry Lumsden e o uniforme usado no século 19 na Índia

Quem foi o responsável pelo uso do uniforme caqui foi Sir Harry Lumsden, quando era comandante das tropas inglesas na região indiana de Punjab em 1846. Ele trocou suas calças brancas por pijamas para aliviar o calor. Para disfarçar ele mandou tingi-las com um colorante feito de mazari, uma planta local que tinha uma cor próxima da terra. Lumdsen descobriu que suas calças caquis eram mais apropriadas para o campo de batalha do que as calças brancas e túnicas vermelhas do uniforme original.

A idéia original do comandante acabou tornando-se oficial em 1884. A moda do uniforme caqui acabou chegando nos Estados Unidos quando foi a cor adotada na guerra contra a Espanha em 1898. Depois, este uniforme passou a ser usado nas expedições pelas savanas e desertos por exploradores, por isso recebeu a denominação “roupa safári”. O cinema aproveitou bem o figurino e não existe filme que se passe em regiões quentes que não tenha algum herói (ou não) usando este tipo de conjunto.

Lawrence da Arábia (1962)

Filmes como “Lawrence da Arábia” e “Raposas do Deserto” mostram soldados usando os uniformes com a cor caqui. Já em “Indiana Jones” e “A Múmia” nossos heróis aparecem com calças e camisas que são inspiradas nas roupas do exército. Em “Entre dois amores” (1985) podemos observar como a aristocracia inglesa tentava se manter elegante numa fazenda de café no Quênia.

Entre dois amores (1985)

O diretor italiano Bernado Betolucci dirige “O céu que nos protege” sobre a história de um casal de americanos em viagem pelo Saara. No Brasil, “Bale Perfumado” mostra tanto o Lampião quanto um fotógrafo libanês usando a versão brasileira para os figurinos ideais para calor desértico. Faça amor, faça guerra, a roupa bege e branca está onipresente em todos eles.

O Céu que nos protege (1990)

Em 1953, quando foi eleito prefeito de São Paulo, Jânio Quadros usava jaquetas tipo safári apelidados de pijânios. Quando foi eleito Presidente, em 1960, tentou impor “sua moda” fazendo uma lei que obrigava aos funcionários das repartições públicas a substituir o terno pelo conjunto safári. Como sabemos a lei não pegou, assim como outra em que ele proibia o uso do biquíni na praia.

Mesmo que a moda deixou de ser uma lei a ser seguida, a roupa safári volta em versão light para o verão, em busca do conforto e da elegância na guerra contra o calor de 40o na selva urbana. A frase é um clichê, mas as roupas que a PLAYBOY elegeu são um clássico para o homem conquistador.

Editorial Miragem (foto Martin Dijsktra)