Segredo de uma festa: Don´t believe the hype!

Na semana passada, seja pelo Facebook, seja pelo email, começou a divulgação de uma “festa secreta da Bizarre”. Como o envolvido era o Carlos Farinha, muita gente ficou curiosa. Ele é um dos nomes atrás do Refest e do selo Bizarre e é casado com a Olivia Hanssen, ou seja, a mistura de pessoas e tribos prometia.

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Anfitrião da festa, Carlos Farinha (foto: Fabio Motta)

A idéia original era uma festa para umas 80 pessoas, se muito. Soube que durante a semana, chegou a um número absurdo de umas 300, que depois de muitos cortes, chegou-se por volta de 100.

Não vou revelar o endereço secreto, mas sobre o segredo da festa. Tenho pensado muito sobre festas, afinal meu aniversário está chegando, e eu ainda não decidi se vou dar festa ou não. Hoje, estou com uma certa aversão a qualquer lugar que tenha mais de 100 pessoas.

Se a gente pensar bem, seja em qualquer festa o que importa são umas 50 pessoas e seus acompanhantes. Mais que isso, com certeza, você não conhece. Tem um lado na noite, que sim, um sucesso é feito com filas, casa lotada. A maioria dos clubes é para 400 pessoas até 3000. Porém, com quantas você quer conversar ou encontrar durante sua estada por lá? E tem um movimento querendo lugares com menos pessoas. Veja o Tapas ou o bar sem nome de Pinheiros, por exemplo.

Pois é. A festa da Bizarre tinha uma mistura bem legal de gente da moda, do vídeo, design, ou seja, áreas afins. A maioria se conhecia pelo menos de vista. Os grupos foram se organizando e se misturando, sem nenhum drama.

O som estava péssimo? Sim. A certa altura faltou gelo? Sim. Teve a hora drama dos banheiros? Sim. Mas quer saber? Nada disso importou. Conversar com gente que não temos tempo de encontrar muito, se divertir com gente que não se conhece, já estava tão bom, tão bom, que ninguém se importou muito com isso.

Fora que idéia bem humorada e irônica por detrás de tudo já valeu. Tem uma música do Public Enemy que eu adoro e é uma síntese da festa: Don´t Believe the Hype.

Ainda assim, quer saber quem passou por lá? No Flickr do Fabio Motta tem.

Veja as fotos da performance de Iânes na Bienal

Sim, confesso que ainda não voltei a Bienal de São Paulo após o Fischerspooner. Porém, minha irmã, Suely Martins de Oliveira, que se formou nutricionista e perto dos 40 anos deu uma reviravolta na vida, estudou artes plásticas em Curitiba e agora está fazendo pós na PUC SP, foi e me mandou as fotos da performance do Maurício Iânes.

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Ela levou um travesseiro bordado por ela e fez um doce para levar. Detalhe, ela mora em São José dos Campos. Na performance, o Maurício decidiu que moraria na Bienal e sobreviveria do que estranhos levassem para ele. Estranhos de fato, pois ele não aceita nada que venha dos amigos.

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Iânes com sua performance está preenchendo o vazio da Bienal. Já comentei que se a Bienal estivesse realmente vazia e fosse ocupada apenas por performances seria muito melhor. Com uma idéia muito simples, uma disposição sem par, uma concentração única, pois ele não conversa com ninguém, ele estabelece  um trabalho de arte de comunicação  emocional direta com o público.

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Vendo as fotos, fiquei impressionado como ele organiza os presentes que recebe, estabelecendo uma instalação. É incrivelmente plástico o resultado. Em silêncio, Maurício Iânes vai reverberando mais do que qualquer obra exposta no terceiro andar. Assim, ele mostra a síntese do tema da Bienal: Em vivo contato, longe da poeira arquivista do andar de cima.

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