Festival Mix Brasil de Cinema começa na quarta

mix

Eu acompanho o Festival Mix Brasil há muito tempo. Nestes 16 anos a mostra dedicada a diversidade sexual cresceu e muito. Nesta edição que vai de 12 a 23 de novembro por volta de 200 filmes entre curtas e longas serão apresentados. Sem contar as festas, o Show do Gongo, oficinas, debates, o MixMusic, organizado pelo André Pomba.

Aproveitei que a Suzy Capó, diretora artística do Festival, é minha amiga e liguei para ela me dar os highlights da programação deste ano, que tem o título sugestivo: O que é estranho para você? Pensando no meu blogue ela destacou a programação especial que vai acontecer no MAM chamada “Rewind, Fast-Forward, Pausa para um Cigarro”.

“Eu estava procurando filmes que fizessem um contraponto a uma produção internacional que mostra gays e lésbicas de maneira muito mainstream, dentro de um certo padrão tanto de comportamento, quanto econômico, mais fácil de ser aceito pela socedade. Queria recuperar um pouco da contracultura que sempre acompanhou o que podemos chamar de Queer Cinema. Descobri, para minha surpresa, que esta produção estava sendo feita e exibida em galerias de artes e museus”, explica Suzy Capó.

Assim nasceu esta programação especial. Acho a idéia da Suzy sensacional. A cultura gay ou GLBT, como queiram, tem um lado underground, de ir contra o establishment que lhe é natural, pelo simples fato de sermos “diferentes” em vários sentidos. Claro, que com a evolução (?) da sociedade, as pessoas foram se assumindo e o “pink money” foi falando mais alto. Mas sabemos que as coisas não são tão cor-de-rosa assim.

Adorei a dica dela. Além de longas-metragens, serão exibidos programas de curtas organizados pelos curadores internacionais Susanne Winterling (The Fantasy of Failed Utopias and a Girl´s Daydream), Kyle Stephan (Promiscuous Pop).

Entre os longas destacam-se alguns documentários como o filme feito pela polícia de Mansfield, Ohio, em 1962 em um banheiro público e que foi usado numa investigação que resultou na prisão ou internamente em instituições psiquiátricas de vários homens. Esse material foi encontrado pelo colecionador e cineasta William E. Jones que vem apresentando publicamente o filme sob o título de “Tearoom”.

Há ainda “I-Be Area”, de Ryan Trecartin, artista multimídia que foi o mais jovem integrante da Bienal do Whitney Museum em 2006. Também será exibido no MAM, no dia 16/11, às 18h30, um especial de Dora Longo Bahia, artista plástica cujo trabalho está em evidência na Bienal de São Paulo e no próprio MAM, na exposição COVER, curadoria do Fernando Oliva. Para quem perder, tem a chance de ver esta seleção no auditório do MIS, 19/11 às 18h15.

Para facilitar sua vida, pedi para o pessoal da Agência Cartaz, do querido amigo Leandro Matulja, que está fazendo a assessoria de imprensa do evento, me mandar as sinopse dos filmes desta mostra:

The Fantasy of Failed Utopias and a Girl´s Daydream
Onde assistir:
AUDITÓRIO DO MAM – 16/11 (domingo) -14h30

PROGRAMAÇÃO E SINOPSES

Sadie’s Daydream
(E.E. Cassidy, 2002, EUA, 5′)
Uma garota sonha acordada que ela é o fotógrafo do filme “Blow-Up”, de Antonioni.

Soccer (from the Fortunate Living Trilogy)
(Marriage (Math Bass & Wu Ingrid Tsang), 2004, EUA, 6′)
A trilogia se chama “Vida Afortunada” e reúne futebol, sexo e moda.

Untitled (Blow Job)
(Eve Fowler, 2006, EUA, 18′)
Trecho do show da artista na galeria Harvey Levine, em 2005, o vídeo faz referência à representação de Andy Warhol de um orgasmo, desta vez no tempo de um orgasmo feminino.

Untitled (POW)
(Emily Roysdon, 2001, EUA, 2′)
Untitled/POW é uma reflexão sobre movimentos repetitivos e poderes recorrentes. Iniciando-se em uma nuvem de palimpsesto, o vídeo entra num espaço performático que carrega consigo restos de inscrição e rasura.

Dead in the Desert
(Marriage [Math Bass & Wu Ingrid Tsang], 2006, EUA, 3′)
A história entra em colapso nessa fantasia operística de utopias fracassadas e do novo alvorecer “queer”.

Demolition Derby
(Lynne Chan, 2003, EUA, 12′)
O auto-declarado superstar JJ Chinois faz sua primeira aparição pública em um Demolition Derby. Um desvio da sua turnê mundial cosmopolita, o mergulho de Chinois nesse ritual de virilidade representa um endosso poderoso ao esporte da demolição e uma interpretação indireta do seu status-quo.

MVG Test
(Margo Victor, 2005, EUA, 2′)
Muitas influências dos anos 60 e 70 (Bruce Conner, Peter Berlin, Antonioni, abstração e minimalismo), constam desse retrato da prática da artista/cineasta.

Now is Dead
(Erika Vogt, 2005, EUA, 4′)
O vídeo evoca o espírito da transformação material. É uma espécie de lista de presença dos mortos e dos vivos baseada numa pesquisa na Internet feita a partir da frase “está morto”.

Promiscuous Pop
Onde Assistir:
AUDITÓRIO DO MAM – 16/11 (domingo) – 16h30
AUDITÓRIO DO MAM – 22/11 (sábado) – 16h30

PROGRAMAÇÃO E SINOPSES

PYT
(Tara Matiek, 2004, EUA, 4′)
Na Terra do Nunca Nunca identidades colidem e imperativos adultos de gênero binário ainda não assumiram o poder. Nós suspendemos a nossa descrença para saudar um estado de constante de gênero pré-adolescente.


Quiet Storm, The – Dynasty Handbag
(Jibz Cameron e Hedia Maron, 2006, EUA, 10′)
Depois de um colapso na comunicação, Dynasty Handbag (alter-ego da música e performer Jibz Cameron) decide fazer um voto de silêncio. Ela logo descobre que o silêncio é de ouro, mas do tipo que leva a um vácuo e isolamento e desespero. Filmado inteiramente numa tela verde usando fotos pirateadas da Internet no lugar de atores, The Quiet Storm é ao mesmo tempo um sonho e um pesadelo sobre produção contemporânea em vídeo.

Artist Statement

(Daniel Barrow, Canadá, 2006, 5′)

Meio confissão, meio paródia, um artista solitário expressa a ausência de sentido do sucesso e estrelato artístico. Barrow, um “performer gráfico”, grava animação ao vivo usando Mylar com projetores e/ou usando programas de pintura digital obsoletos.

Black or White
(Marisa Olson, 2006, EUA, 4′)
Parte de sua série “Performed Listening”, Marisa Olson encena aqui o ato de ouvir a música “Black or White”, de Michael Jackson. O sinais de áudio da música disparam mudanças na aparência do vídeo, com a ajuda de um “wobulator” criado por Nam June Paik. O vídeo foi inspirado no clipe original de Michael Jackson, em que os rostos dos personagens fundem-se uns nos outros.

Compromise
(Jillian Peña, 2005, EUA, 11′)
Eu sempre vou te amar. Uma garota usa uma web cam como confessionário para confrontar seus espectadores.


KK Queens Survey
(Kalup Linzy, 2006, EUA, 7′)
Figura-chave de uma nova geração de realizadores gays de Nova York, Kalup Linzy usa elementos de novela, tablóides, filmes hollywoodianos água-com-açúcar e de tradicionais comediantes afro-americanos como Richard Pryor e Eddie Murphy para criar tiradas satíricas e subversivas sobre raça, gênero, sexualidade e família. O multi-talentoso Linzy frequentemente faz a maioria das vozes e personagens em seus dramas seriados. Em KK Queens Survey, uma aspirante a diva da arte nova-iorquina conclui uma pesquisa pelo telefone sobre fama e submissão no mundo das artes

Melody Set Me Free
(Kalup Linzy, 2007, EUA, 15′)
Patience O’ Brien, uma garota do interior, desobedece a sua mãe rabugenta e viaja para a cidade grande para participar de um concurso que vai escolher a próxima Whitney Houston. Fazendo referência a concursos como American Idol, que explora as histórias de cinderela de seus participantes, o vídeo é estrelado por Linzy em uma atuação comovente e hilária em torno do desejo de aceitação e das ciladas do estrelato.

No One

(Marisa Olson, 2008, EUA, 4′)
Acho que estamos sozinhos agora. Uma confissão em vídeo ou uma facada na fama?

LONGAS

Tearoom
(William E. Jones, 1967/2007, EUA, 56′)

Este documentário consiste da reunião de material filmado ao longo de três semanas no verão de 1962 pela polícia da cidade de Mansfield, Ohio, em meio a um escândalo envolvendo sexo em lugares públicos. Um câmera se escondeu no closet de um banheiro público sob a principal rua da cidade e, com uso de imagens espelhadas, registrou atividades clandestinas entre homens comuns, de todas as raças, classes e idades (há até um adolescente que aparece junto a dois homens bem mais velhos). O material foi usado em corte judicial contra os envolvidos. Todos foram condenados por sodomia e sentenciados a no mínimo um ano de detenção na penitenciária estadual; alguns deles se suicidaram após o veredicto. Este material de vigilância caiu nas mãos do cineasta William E. Jones enquanto ele pesquisava sobre o caso jurídico para um documentário. Ao contrário de outros trabalhos do vídeo-artista (sempre ligados ao homo-erotismo), nos quais ele manipula material prévio para fins estéticos, Jones aqui apenas justapôs cenas não-editadas, sem tratamento (as imagens são toscas e granuladas, por vezes desfocadas e mal enquadradas) e sem qualquer som ou trilha sonora. Jones considerou o material original poderoso por si só e praticou interferência mínima. O filme existe hoje num incômodo equilíbrio entre o mais puro voyeurismo e a discussão dos limites da vigilância, tema contundente em tempos de paranóia antiterrorista e comportamento Grande Irmão por parte dos governos. Há uma urgente atualidade na obra, com uma série de aspectos estéticos e políticos que ressurgem hoje em novos contextos e propósitos.

Onde Assistir:
AUDITÓRIO DO MAM – 22/11 (sábado) – 18h30

i-Be Area
(Ryan Trecartin, EUA, 2007, 108′)


Avatares selvagens e clones adotivos alopram em I-Be Area, filme iconoclasta de Ryan Trecartin que explora a complexidade das noções de identidade e comunidade na era virtual. Um caleidoscópio anárquico, I-Be Area troca trama e história por remix e sample. Uma entourage de crianças cibernéticas e hiper-ativas vaga desvairadamente pela “Área”, espaço que se reveza como loja de departamento, canal da internet, sala de aula e produtora. Pulando de tela em tela e de cena em cena, eles encenam identidades transitórias, regeneram memórias e refletem sobre suas incríveis vidas futuras. Pode-se dizer que os vídeos de Trecartin incorporam o excesso camp de John Waters ou a bagunça regressiva de Paul McCarthy, com o risco de perder o ponto mais interessante dessa bizarrice da era da informacão. No mundo sobrecarregado de informações de Trecartin, todos os significantes culturais, ainda que formadores das nossas identidades, são consumidos, editados, acentuados e virtualmente vomitados de volta enquanto nos alternamos entre nossas múltiplas personalidades e relacionamentos. Uma vertiginosa sátira social, I-Be Area é também uma poderosa ficção política em que novas identidades são transferidas diariamente, gênero e sexualidade são fluidos e divertidos, e coletividade e comunidade estão em processo de uma reconfiguração radical.

Onde Assistir:
AUDITÓRIO DO MAM – 23/11 (domingo) – 16h30

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