Paulo Borges é o novo diretor do Rio Summer?

claro

Isabelli Fontana no desfile de Andrea Degreas (foto do blog da Carol Vasone)

A Raquel Marangoni no Fashion Prime noticiou que o Paulo Borges aceitou o convite do Nizan Guanaes para dirigir o Rio Summer. Coloquei o evento sem o nome do patrocinador porque vai que muda, não é mesmo? A notícia é boa, porque o Paulo mais do que ninguém sabe como fazer um evento de moda. O André do Val do site EP foi apurar e o porta-voz do evento disse que isso não é verdade. Agora só o tempo dirá…

Claro que não deixei de acompanhar a movimentação toda sobre o Claro Rio Summer. Acompanhei o evento por vários veículos, ou na verdade, pelos de sempre, né? Primeiro pelos blogs da Carol Vasone do UOL e About Fashion do Luigi Torres. Dava uma conferida no Chic, na Erika, na movimentação toda pela Vogue RG, com o incansável Jeff Ares e recebi todos os dias as fotos dos desfiles pelas “mãos” da Paula Daama da MKT MIX.

Então, acho que vale algumas considerações.

É o primeiro evento voltado ao mercado internacional de alto-verão por estas bandas. Eu penso que o foco deveria ser de beachwear, pois nós temos a melhor moda praia do mundo. Claro que quem exporta sabe que tem que fazer algumas modificações no shape, porque só as nossas mulheres conseguem usar os modelos bem pequenininhos.

A Carol Vasone entrevistou Marina Larroude do Style.com e ela explicou que beachwear lá fora é considerado um produto e não moda. Fiquei pensando e penso que o Brasil tem condições de mudar isso. Se pensarmos como os estilistas brasileiros conseguem fazer verdadeiras jóias com tanto pouco pano, um evento que concentrasse isso, seria muito bom.

O investimento foi bem alto, entre 7 e 10 milhões. Não foram poucas as críticas ao evento, já que este custo é superior ao SPFW e Fashion Rio. O valor em si não é questão. Parabéns se o Nizan Guanaes consegue levantar esta bufunfa toda, competência dele. Vale a pena considerar sim, se as marcas envolvidas de fato representam de fato o beachwear brasileiro e a resposta é não. O foco voltado para o segmento seria muito bem-vindo. Mas o que vimos foi uma mistura entre marcas brasileiras de renome internacional ao lado de marcas absolutamente inexpressivas que estavam lá por causa do parentesco e/ou amizade.

Foco é uma palavra-chave. O Brasil pertence a um grupo econômico denominado de BRIC (Brasil, Russia, India e China), países de economias emergentes e importantes no futuro cenário econômico. A moda brasileira tem seus altos e baixos vistos pela imprensa internacional. Se o evento fosse dirigido de fato para a moda praia, correríamos menos riscos de desfiles equivocados. Das 16 marcas que desfilaram no Claro Rio Summer, metade era de moda praia. Se vamos entrar no vale-tudo do tal lifestyle brasileiro, aí vale questionar sua concorrência com o SPFW e o Fashion Rio.

Há anos que o SPFW e o Fashion Rio banca a vinda de jornalistas estrangeiros para cá. Todos ficam impressionados com a “hospitalidade” brasileira. Então, se o evento conseguiu trazer algumas estrelas do jornalismo de moda internacional ponto para o Michael Roberts que foi pago para isso. Isabella Blow já fez isso no passado pelo SPFW. Não vejo problema nenhum.

O Alcino Leite fez uma ponderação sobre o calendário: “nesta época do ano, boa parte dos compradores internacionais já encerrou suas contas para o verão e ainda não iniciou as do alto verão”. Saber se colocar dentro do calendário internacional não é tarefa fácil. Estamos no hemisfério sul e os deslocamentos de compradores, editores e joranlistas do hemisfério norte é uma estratégia que tem que ser muito bem planejada para não morrer na praia.

De alguma forma o evento acabou sendo de fato “para inglês ver”. Todos os clichês do Brasil estavam lá. Na entrevista que a Carol fez com a Sarah, compradora da Colette, ela falou uma coisa que considerei importante: “É melhor fazer cliches do que copiar marcas americanas”.

Com a entrada de Paulo Borges o evento tende a se tornar mais profissional. Teve uma passagem muito engraçada e acabou sendo uma síntese. No desfile do Carlos Miele, Nizan Guanaes vendo que uma “celebridade” estava atrasada , não teve dúvida, foi lá e buscou a pessoa pela mão, quando o desfile já havia começado. Só que passou em frente ao pit dos fotógrafos e tomou uma grande vaia. É isso, ele é um publicitário e tem seus méritos, mas não sabe nada de moda.

A questão agora é: será mesmo um evento de moda de alto-verão de verdade ou mais um evento dentro do lotado calendário de moda internacional com coleções requentadas ou inexpressivas?

4 Comentários

  1. Que Paulo Borges de um rumo definido e faça uma curadoria de marcas digna, porque tá foda.

  2. E o Fashion RIo, ng mais quer??? rs

  3. Foi bem isso mesmo moda para inglês ver, mas também meio que concordo com a Sarah Colette, melhor isso do que copiar, né?

    Na verdade assino embaixo de tudo o que você disse aí. Senti que o evento estava meio confuso no sentido que não se sabia se era um evento de moda praia ou para ressaltar o life-style brasileiro. Pq se a intenção era essa segunda, algumas marcas poderiam estar lá e outras nem precisariam aparecer.

    Acho que acabou se misturando dois conceitos que são similares, mas que no fundo são coisas diferentes. Uma seria um evento de moda praia e outro um de alto-verão. Eu sei que ambos são meio que complementares, mas como você disse acabou faltando foco em um só e ficou esse sentimento meio perdido no ar.

    Mas de um modo geral acho a intenção do evento bem boa. Essa foi a primeira edição e então é natural haver algumas falhas, ainda mais que o Nizan nunca tinha feito um evento de moda. Acredito que agora com direção do Paulo talvez haja uma seleção melhor das marcas e um foco mais específico.

    Beijos,
    Luigi

  4. eu achei um retrocesso no quesito imagem de brasilidade, algo antigo, deja vu, que até a moda brasileira já tinha passsado por isso, por essa busca de identidade, lembra da Forum nos anos 90? aquilo sim foi importante e um pouco mais avançado no quesito brasilidade do que o que vimos no Rio Summer.
    se a mdoa precisa de imagens novas, vimos uma porção de velhas quinquilharias, tanto que nem é clichie essa imagem de Degreas no seu post, é antiga, repetida e monótona
    Sarah disse que prefere o clichê a cópia, mas o que aconteceu no Rio Summer foi a cópia do clichê


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