PENSE MODA: Bla bla bla blogue!

Fiquei pensando se escreveria sobre a mesa que participei ontem por várias razões. A mais importante é que como estava participando, é muito difícil separar ou me distanciar o suficiente para falar sobre. Porém, como disse no primeiro post sobre o evento, o mais importante dele não é exatamente o que as pessoas dizem ali, mas como isso gera um debate. Ele se caracteriza como um espaço para começar uma reflexão que não se encerra ali, muito pelo contrário.

Para quem não foi, tem no site do evento, os relatos do Luigi Torres. A Alexandra Farah postou vários vídeos sobre o evento no Filme Fashion, incluso da mesa sobre Novas Mídias, que no final foi uma discussão sobre os blogues. Aliás, a própria Ale deveria ter sido convidada, porque é a mais experimental e multimidia de todos.

Na mesa, coordenada pelo Paulo Borges (de longe o melhor mediador de todos), estavam: Fernanda Resende (Oficina de Estilo), Laura Artigas (Moda Pra Ler), Maria Prata (Prataaporter), Victoria Ceridono (Dia de Beuaté) e eu.

O que quero discutir aqui é sobre a definição de blogue, já que uma das polêmicas que foi gerada pela pergunta do Vitor Angelo se a gente considerava o “blog” da Lilian um blog.

A pergunta do Vitor coincidiu com minha primeira fala: “Hoje temos muitos blogues em terceira pessoa, blogues institucionais em que não existe mais uma única pessoa por detrás da informação”. O própio blog LP repercutiu isso na matéria Blog LP é um blog ou não é? (Sorry, mas lá não dá para dar um link direto para a matéria, então use a barra de rolamento).

Polêmica na resposta: uns acham que sim, outros acham que não, pois ele não é feito em primeira pessoa em tempo integral – aliás, essa coisa de escrever em primeira pessoa sempre me parece redundante e egóica“, é o que escreveram lá.

pensemoda

Momento egóico no Pense Moda (foto: Janaína Rosa para o Chic)

Eu sou do time que pensa que é site com arquitetura (em termos de TI) de blog. É preciso ter cuidado com certas colocações simplistas e simplificadoras do debate como “primeira pessoa sempre me parece redundante e egóica”. Nem sempre colocar sua opinião pessoal é egóica.

As pessoas que acessam os blogs estão interessadas numa opinião pessoal, sim. Numa interpretação pessoal do mundo, sim. Afinal, as notícias estão aí para todos, o que diferencia os blogues é que passamos de consumidores de informação para agentes da informação.

Essa é uma das chaves para entender o boom desta ferramenta. Quando acessei o “site” da Lilian, que é como tratamos informalmente, estava interessado naquilo que ela tinha para dizer, porque é uma profissional que respeito e muito, assim como as pessoas que estão por detrás das notícias que são veiculadas lá, como a Rosana e o Glauco, por exemplo. Mas não foi o que aconteceu. A assinatura da Lilian, suas opiniões estão diluídas.

Coloquei na mesa dos blogues do Pense Moda que quando queria saber a opinião da Gloria Kalil, por exemplo, lia o editorial dela. Ela respondeu que nem tudo o que está no Chic ela concorda, mas as matérias são assinadas e elas são co-responsáveis por tudo o que está lá. A minha dúvida agora é: mas tudo tem que ser blog hoje? Ou é apenas uma estratégia de parecer moderno? Qual é o problema em ser um site?

Outro ponto a ser abordado é considerar a participação ativa de quem lê e emite sua opinião sobre o que está lendo.  Eu não sou um “case de sucesso” neste sentido.  Não tenho um alto índice de comentários. Eu comecei em abril de 2007, fiz até agora 850 posts, o que dá uma média de 2 posts por dia. Tenho 3000 comentários aprovados, o que daria uma média de 3 comentários por post, o que não significa muito, comparado as 2500 visitas média por dia.

Porém, como uma visitação crescente e fidelizada, com comentários que recebo com quem encontro por aí, com matérias que escrevi aqui e foram repercutidas até em sites, estar presente nos blogrolls da maioria dos blogues de moda, a quantidade de emails de assessoria de imprensa que recebo sugerindo notas, pedidos de publieditoriais, convites para ir para portais, penso que estou bem na fita (rs).

O que as pessoas que vem aqui estão interessadas, então? Na independência da informação e na forma com que eu coloco meu pensamento sobre moda. Estou errado? Minha última fala foi sobre isso. Tenho um público diretamente interessado em moda. Se eu fosse para um portal teria uma visitação maior? Com certeza. Isso me interessa? Não. E por quê? Seria um monte de gente que não está interessado em moda. Estaria interessado numa nota específica que saiu numa home de um portal.

Por ter trabalhado no UOL, sei muito bem dos “truques” (regras) para se chegar na home. Porém, iria perder exatamente isso o que tenho: gente que está interessada em pensar moda. Por que no mais, é número para agências de publicidade. E eu não publico publipost, não é mesmo?