PENSE MODA: balanço geral

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O evento PENSE MODA está (apenas) na sua segunda edição. Ele existe porque três jovens (Cami, Babu, Marcelo) resolveram que sim há a necessidade de se discutir moda, que está além da roupa que usamos dia-a-dia, fora das redações e por aí vai. Não tem a força de patrocínio de outros eventos como Claro Rio Summer ou Prêmio Iguatemi de Moda, já que pensar não gera dividendos. Será? A CAMI FEZ UMA REFLEXÃO PRA LÁ DE IMPORTANTE QUE VALE LER ATÉ O FIM.

1. PREGUIÇA X PREGUIÇA DA PREGUIÇA

Muito das colocações nas mesas tiveram 2 lados básicos que podem ser resumidos em: ai que preguiça dissox ai que preguiça da preguiça deles. Macunaismo puro. Para quem não conhece, o anti-herói de Mario de Andrade perdeu seu amuleto Muiraquitã e na sua épica busca daquilo que lhe foi roubado, que é na verdade o seu próprio ideal. Ele ao fim reconhece a inutilidade de continuar a sua procura, se transforma na constelação Ursa Maior, que para ele, significava se transformar em nada que servisse aos homens.

Nesta dicotomia entre o que deve ou não ser debatido acabamos por perder o foco várias vezes. Recebi um email hoje que me fez (re) pensar:

“Desculpe a intromissão, mas eu acho que se os blogs querem discutir o assunto, é legal que seja com os pés no chão e de forma madura, como vc está dizendo. O que eu vejo é que às vezes fica uma discussão superficial, infantil, tipo aquele vídeo que o Oficina de Estilo colocou, com a cara de tédio das pessoas, que é absolutamente irrelevante. Daí cai naquela coisa mundinho pequeno da moda, de fofoquinha, veneninho…discussão que não leva a nada! Fica parecendo papo de comadre, sabe?! Mostra total desconhecimento de causa mesmo. E o foco principal se perde”.

O email me levantou a lebre (bem importante) que se a gente perder tempo com a Vogue e escrever sobre isso, o foco se perde, porque fica muito no exemplo mal dado. É como a história do Vitor Santos, na mesa de moda masculina, ele estava falando de outra coisa quando citou a Osklen e isso acaba ocupando mais espaço do que ele estava tentando colocar.

2. CADA UM NO SEU QUADRADO

Estou pensando, estou pensando…. não em moda, mas nosso papel neste meio. Se a Vogue é referencia ou não, se a Daniela isso ou Daniela aquilo, se o blog da Lilian é blog ou não, a questão não está aí. Quem quiser pensar, se manifestar que o faça. mas façamos isso com bons parâmetros e não com falsos que desviam o caminho. Porque se não, ficamos no terreno da retórica, do ouroboros que come seu próprio rabo.

Tem um termo em grego que é Tekné, que significa A ARTE DE SABER FAZER. Naquele tempo arte e técnica não estavam dissociados. A técnica, o pensamento, a arte e o produto estavam no mesmo lugar. Com a especialização do mundo isto se rompeu. Hoje existem artistas, produtores, pensadores e cada um no seu quadrado. Então, se o povo que não quer pensar, quer produzir, tudo bem. Teremos do outro lado, gente que quer pensar, e tudo bem.

3. TUDO É URGENTE

Temos uma urgência. Temos que produzir moda, temos que melhorar nosso produto, temos que vender, temos que fazer uma bibliografia, temos que pensar, temos que criticar, temos tantas coisas ainda por fazer. Então, voltamos ao velho ponto de sempre: se cada um fizer sua parte já está de bom tamanho. Se fizer bem feito, mesmo com as condições precárias, com impostos altos, com a concorrência da China, Índia, Russia, o índice dow jones, a alta do dólar, a crise, então está ótimo.

4. LÁ FORA

Este ano tivemos as presenças estrangeiras novamente. Ao contrário do ano passado, elas não foram tão inspiradoras. Não sei se eles estavam mal preparados, ou se jogaram demais, ou fizeram viagens longas demais, ou se simplesmente não sabiam falar sobre seu próprio trabalho. Vai saber.

De qualquer forma, se na primeira edição, certas coisas poderiam ser adaptadas para nossa realidade, desta vez as contradições entre primeiro e terceiro mundo ficaram mais gritantes. Quando todo mundo ficou babando, incluso eu, nas imagens do Nicholas Formichetti pensei: o público dele consome moda desde o século XVIII, oras. Na Europa, não precisa estudar na faculdade História da Arte, como aqui. Convive desde pequeno com a história, com a arquitetura.

Nossa educação passa por outros meios, por outros lugares. Como meu pai é chines e ele ama o Brasil, não tenho complexos de inferioridade. Fico é surpreso sempre que mesmo em condições precárias, que vai do carro ao papel, do produtor que fez 3 coisas e virou stylist, do fotógrafo que dominava a técnica analógica, teve que correr para entender o equipamento digital, da modelo que saiu do sertão de Fortaleza e hoje desfila alta-costura. Estamos fazendo, isso é ótimo!

Se a gente parou para discutir tudo isso neste 3 últimos dias, é sinal que pelo menos a gente tinha alguma coisa para falar…

10 Comentários

  1. […] TANTO QUE FIZ UM OUTRO POST SEM O CALOR DO MOMENTO, (RE) PENSANDO O QUE ESCREVI AQUI […]

  2. AMEI!!!!

  3. oli, eu achei o mariano vivanco, o nicola e o henry hollan SUPER INSPIRADORES. e também acho que o buraco é bem mais embaixo. tudo que vc enumerou aqui ainda rende assunto (bom), e eu acho que a sacada maior é essa (sobre a qual tamos escrevendo, pra postar amanhã): tem gente atrás de resultado, tem outra gente atrás de pensamento que resulte em alguma coisa. acho que a gnet etá no segundo grupo, vai saber. vamos pensando juntos. (e olha, a gente também pensou sobre a vogue porque o que o sylvain falou é muito verdade – ao mesmo tempo que todo mundo desce o verbo, se chamar vai todo mundo pra lá. e sério, querendo ou não, só a vogue desperta tanto assunto – ninguém lá falou nada da elle, da marie claire, da estilo… nada. só da vogue. é da gente pensar mesmo, tipo é amor ou ódio? é a postura? é o conteúdo? são os profissionais? é o que???).

  4. Agora sim!… Bjs.

  5. não sejamos tolos, mesmo sem saber o autor desse e-mail via nele um infeliz desmonte de tudo o que aquele vídeo representa. Muito mais que vogue, mas muito mais que daniela, muito mais quea reação dos participantes como expliquei no meu blog. Esse era o exemplo, então, o ponto de partida. Quando pergunto o que é blog? é pra termos um ponto de partida comum pra uma discussão assim como ele – o e-mail – exemplifica a pequinez, o mundinho e a falta de “seriedade” do mundo da moda através desse vídeo.
    não é distorcer o discurso do Vitor Santos que foi o que comentamos em um debate, é muito diferente e que realemnte foi o único e bom exemplo de falta de foco. Está explícito e exemplificado nesse e-mail sem nome e se assim está no seu conceito e no seu foco o vídeo e a reação é o ponto de partida para as críticas lançadas. não podemos confundir, se isso fez você ter uma outra reflexão é ótimo, mas é filiada a, um leitura atenta – e pra errônea – de seu emissor, que vc omitiu, mas com certeza ausente no debsate e por alguma razão deve ter se sentido ofendido na sua “imagem” por aquele vídeo… e vc fez o mesmo exercício que ele, o que achei péssimo, desmereceu todas as discussões mesmo as mais chãs que foram travadas. Se é blog ou não, se é Vogue ou não se meu cu minhas tetas…Será que num terreno que não existe pensamento, começar discutindo conceitos não é um primeiro passo pra que o diálogo siga em conjunto? E por isso algumas disucssões estarão ainda no campo do superfluo? vc volocou tudo como veneninho, fofoquinha em prol da grandeza da moda brasileira, que sorry, de grande e bonita não tem nada.

  6. acredito ter coisas pertinentes nesse seu post, ams o pontod e partida é podre, é feito com areia e não por concreto a sua edificação.
    ah! te respondi lá no post também

  7. As palavras desse PENSE MODA é paciência… e persistência.
    Ainda bem que não falaram nada sobre as Meninas na Paralela, de longe o mais fraco de todos, e olha que a Lilian tava quase socando as entrevistadas para que elas falassem alguma coisa….

  8. Li muita coisa a respeito deste evento e nemhum deles muito animador..mas acho q vale a intencao de estar discutindo. Já é um comeco…

  9. adorei ter vc como companheiro de discussão.
    Penso várias vezes na moda como a arquitetura. A gente fala de moda, mas pouco sabemos sobre suas técnicas.
    O concreto armado e não a teoria superficial.
    Começamos a pensar moda, e batemos no clichê: “só sei que nada sei”.
    adorei o texto, pessoa independente.
    hay que endurecer, pero sin perder la ternura.😉
    beijos

  10. Oi,
    Lí seus posts e alguns comentários, acompanho o hypercool, etc… acho que o que estamos passando se chama amadurecimento. Estamos num momento “puberdade” em todos os setores. Identidade, cara, preços, generos e gostos, tudo e todos dando tiro pra todos os lados. A dita diversidade, globalização, chame o que quiser, vem no bonde pra colocar mais lenha nas caldeiras. Cada dia mais acredito no “pouco se cria e tudo se transforma”. Vivemos um momento de transformações, nossa moda (todos envolvidos) engatinha e muito ranso e dedo na cara (temos que ser críticos, exigentes e determinados, mas acima de tudo construtivos) não levam a lugar nenhum. Isso sem entrar no mérito sócio economico cultural da moda…. menos piixação.
    abs


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