Paisagens tomam contam do Mezanino

No sábado fui na abertura da exposição Montanhas, Marinhas e Outras Miragens com curadoria de Renato De Cara na sua Galeria do Mezanino, lá na loja da VROM da Alameda Lorena. Ele sabe que evito sair aos sábados e ando meio fugindo de aberturas e vernissages, já que a gente não consegue ver direito nada, porque é sempre muita gente, muitos olás.
brunel-galhego

Brunel Galhego

Mesmo com um feriado, estava lotado de amigos. Quando cheguei dei de cara com a Chiara Gadaleta e do Daniel Klajmic e o Pense Moda era o assunto. Conversamos um pouco e depois fui enfrentar a multidão. Fiquei meio irritado porque as fotos não tinham identificação. Gosto de saber quem é o autor, título, técnica, ano. Isto não é frescura, mas são coisas que ajudam o entendimento de cada foto que está lá.

marcos-vilas-boas-barcelonanovo

Marcos Vilas Boas

O fotógrafo Rogério Cavalcanti discordou dizendo que estava se divertindo em saber quem era o autor por detrás das imagens, já que como fotógrafo era bom este exercício. Tinha um catálogo (disputadíssimo) com o nome de todos. Reclamei com o Renato e ele acabou fazendo uma visita guiada. No fim, ele achou que precisava mesmo e está indo lá colocar as etiquetas.

paulo-ferreira

Paulo Ferreira

Paisagem é um tema para lá de recorrente nas artes e apresentar algo novo não é tarefa fácil. A exposição tem uma delicadeza muito grande e consegue amarrar muito bem as imagens não só pelas diferentes técnicas aplicadas como no olhar de quem está fotografando. Para exemplificar, tem uma fotografia do próprio Renato de uma paisagem que parece uma aquarela, porém ela foi impressa em tecido e isto reforça a idéia de pintura, mas é foto.

ricardo-barcellos

Ricardo Barcellos

A questão central que o curador coloca é “A Paisagem Fotográfica de ontem é a mesma de hoje? Dos primórdios dos daguerreótipos aos megapixels agigantados das imagens contemporâneas, os artistas sempre olham para fora, talvez, procurando se encontrar. Das velhas paisagens aos trabalhos mais conceituais, hoje quase tudo é clichê, no mar de mídias que vivemos. Registrar o mundo, apontando as diferenças dos lugares, nos proporciona outras escalas, onde os detalhes se ampliam em enquadramentos variados”.

É uma coletiva e como todas temos aquelas obras que mais nos identificamos e outras nem tanto. Eu particularmente destaco algumas só para que quando você resolver ir até lá, preste atenção e quem não for, ficar atento quando ouvir falar.

Eu sou suspeito para falar, porque gosto muito da obra do Hidelbrando de Castro. Ganhei de presente da Betty Prado um cartaz gigantesco da exposição dele na Laura Marsiaj de 2004. Seu trabalho é de pintura e você poderia perguntar o que ele estaria fazendo numa exposição de fotografia. Numa entrevista para a crítca de arte Maria Alice Milliet ele comenta o fato: “Meu projeto é outro: eu revelo as minhas fotos em pintura, uso pincel e tinta para revelar o que o filme registrou. Não deixa de ser uma manipulação do registro fotográfico”.

Eu não conhecia a obra que está na exposição. Sua imagem em P&B com um pequeno avião colorido colocado sobre ela e com uma lente de aumento é tão poética, simples e ao mesmo tempo genial, que a gente fica hipnotizado. Eu estava com o Amaury na visita guiada e a gente separou as obras em “aquelas que odiamos” e “aquelas que dão raiva” de tão boas que são. Esta é uma delas.

Outra obra muito simples e de grande impacto é de Roberta Dabdab. São duas imagens megapixelizadas e ainda assim você percebe que é um vôo de pássaros. Não tem moldura, nada. São quadrados azuis com quadrados pretos. Me lembrou uma série de vídeos do Cao Guimarães chamado “Paquerinhas” que também adoro.

calebe-simoes_ibira

Calebe Simões

Calebe Simões trabalha com dupla exposição, ou seja, ele trava o negativo quando está fotografando e consegue efeitos surpreendentes de espelhamento da paisagem. Numa época de possibilidades de photoshop fazer isso artesanalmente se deve a um exercício de concentração, firmeza nas mãos e um olhar bem afiado. Ele tem um outro trabalho que é um micro blacklite de uma foto de árvore que deu vontade de ter em casa.

miriam-homem-de-melo1

Miriam Homem de Mello

Por último, voltando a fotografia moderna, o trabalho de Miriam Homem de Mello com seu projeto de fotos de sarjetas. Elas não parecem o que são, e sim, grandes paisagens, como uma cordilheira ou uma praia vista bem de longe.

Claro que estas escolhas são bem pessoais. A exposição merece ser visitada e fica em cartaz até 05 de janeiro. Confira a lista dos 20 artistas: Alex Josias, Alexandre Cardinal, André Andrade, Armando Prado, Brunel Galhego, Calebe Simões, Cristiano, Daniel Athayde, Daniel Pinheiro, Debby Gram, Fabio Heizenreder, Guto Seixas, Hildebrando de Castro, Ivan Abujamra, Jaques Faing, Jurandy Valença, Márcia Xavier, Marcos Vilas Boas, Miriam Homem de Mello, Paulo Ferreira, Renato De Cara, Ricardo Barcellos, Roberta Dabdab, Roberto Setton, Tadeu Jungle. Sites Specifics: Filipe Jardim, James Kudo.

2 Comentários

  1. puxa meu caro, quanto interesse e dedicação! agradeço de coração!

  2. A palavra “landscape” me parece muito mais adequada à beleza das imagens…


Comments RSS TrackBack Identifier URI

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s