Casa de Criadores: terceiro dia

No último dia da Casa de Criadores as diferentes exuberâncias de Gustavo Silvestre e Walério Araújo foram os destaques.

Gustavo continua fiel aos seu estilo artesanal de luxo. Nada é simples. Tudo vem numa profusão de bordados e rebordados, com sobreposições de tecidos, mas neste caso o efeito barroco faz todo sentido.

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Desta vez, percebi uma proximidade maior com o Lino Villaventura, sem ser uma cópia. Vem mais pelo emprego precioso do patchwork de bordados e cores dramáticas. Assim como Lino, ele consegue dar um efeito etéreo e atemporal à sua coleção.

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Não é para qualquer mulher, são roupas de festa para quem gosta de brilhar e aparecer e tem uma queda pelo sexy. Sim, uma mulher sexy-barroca. Tenho pensado nesta relação do barroco com nosso espírito brasileiro.

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Este período é marcado pelo antagonismo entre o sagrado e profano, o divino e o humano. Porque no Brasil o sincretismo é possível e temos excelentes estilistas nesta área: Lino, André Lima e de uma certa maneira peculiar, Ronaldo Fraga. É neste time especial que Silvestre caminha em direção.

Já Walério Araújo é profano mesmo. Aqui só tem festa mesmo. Na sua entrevista, ele avisa que mesmo não gostando muito de rock, resolveu fazer uma incursão neste universo. E não é que ali, revisanto as camisetas de bandas de rock que ele avançou?

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No começo, temos o Valério de sempre, com muitos bordados de pérola, que se vê na abertura com a top Viviane Orth, com seu andar couture. Tem também os fios de pérolas usados sobre body preto. Aí começa sua visão roqueira de luxo e abuso.

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Usando recursos como um tecido que lembra um vinil finhinho, ele vai construindo sua passagem pelo rock, que vai ganhando estampas de bandas famosas, como Nirvana, Iron Maden, e na figura andrógina de Marlin Mason.

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O resultado é muito bom. As camisetas ganham interpretações bem glamurosas, como imensas saias balão, vestidos tomara-que-caia bem justo e no absurdo paletó masculino. Me lembrou de longe uma exposição que vi  ano retrasado em Paris, chamada Gallierock do Jean-Charles Castelbajac. Interpretar o espírito do rock, sem ser puro rock´n´roll é uma arte mesmo.

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Fotos de Charles Naseh (Chic)

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