Being Madonna!

Já estou quase com 44, então quando vejo a Madonna com 49, é tudo o que eu desejo na vida. Ontem, de bobeira em casa, e como sou tarado-viciado por TV, num zapping acabei re-assistindo o documentário “I’m going to tell you a secret”, sobre os bastidores da turnê “Re-Invention Tour”.

Clip com as imagens do editorial fotografado por Steven Klein em 2003 para a revista W

É quase um repeteco do “Na cama com Madonna”, com as mudanças habituais: sai Warren Beatty, entra Guy Ritchie, que soube lidar com mais humor o documentário, que o irmão da Shirley McLaine. O megaxoxo não vem de Madonna, na cena que o Kevin Costner sai do camarim e ela faz que vai vomitar. Desta vez, é Iggy Pop que tira sarro da estrela.

A relação com os bailarinos, as orações antes dos shows, estão todas lá, como no primeiro documentário. Ela está menos sexy, não tem nenhuma cena como a do sexo oral com a garrafa, que foi substituído por um comentário ótimo sobre o marido, que sempre pega os seguranças para lutar jiujitsu. Ela diz: “Uau, ele tem mais intimidade com o segurança do que comigo, têm posições no tatame, que ele nunca fez comigo!”

No fim das contas, é Madonna fazendo seu papel melhor de atriz, do que qualquer filme que ela tenha participado. Fico sempre admirado com a capacidade dela, não só de se re-inventar, mas a consciência da persona pública e da persona privada.

Aqui Madonna reinventando pela enésima vez, Vogue.

No vídeo, ela dexia entrever alguns fatos e inseguranças da vida privada dela, como qualquer tablóide adora explorar, por outro lado, ela sabe exatamente o que quer deixar ser mostrado. Numa entrevista, é que sempre conduz a entrevista, sempre com a pitada de humor ferino, desconcertante, que o QI (acima da média) dela permite.

Vocês não acham ela inteligente? Então, como alguém que não canta bem chegou onde ela chegou? Ela nasceu para o estrelato no momento que o videoclipe estava se firmando. Soube como ninguém explorar a imagem acima de tudo. Norte-americana pegou todos os fatos da sociedade puritana: sexo, religião, escândalo, política, minorias, e colocou tudo no seu caldeirão pop. Até o fato, dos Estados Unidos ter sido uma colônia inglesa, e sofrer com o complexo de Mayflower, ela resolveu, casando com um inglês e se mudando para um castelo. E melhor, usou esta mudança para atacar o Bush.

Na moda, nem é preciso dizer sobre o ícone que ela representa, não é mesmo? Mesmo na fase que eu considero cafona nos anos 80, vendo hoje, até que não era tão ruim assim. Esta imagem, com muita lingerie de fora, muitos colares a la Chanel, foi uma resposta bem esperta e feminina ao grunge masculino. O look foi usado na capa do álbum Like a Virgin (1984) e comparece no filme “Procura-se Susan Deseperadamente” (1985)

Depois, vindo do mesmo álbum, ela optou pelo blondie Marilyn Monroe e chegou no ápice com Material Girl, recriando o filme Os Homens Preferem as Loiras (1953), clássico de Howard Hawks com Madonna e Jane Russel.

Nos anos 90, ela começa muito bem com pé direto no sexo. Com música de Lenny Kravitz e o vídeo assinado por Jean-Batiste Mondino pode ser considerado o prelúdio do álbum Erótica (1992).

Meu vídeo preferido de Madonna: Justify my Love

É deste álbum, que muitos clássicos da big star saíram, como Fever, Deeper and Deeper, Rain. Aliás este é o clip desta última música, dirigido por Mark Romaneck, com todos aqueles japoneses de óculos escuros, uma coisa. Na época ela surpreendeu com os cabelos curto e negros.

É claro, que o ápice do álbum foi Erotica, onde ela encarna a dominatrix Dita, com seu dente de ouro e seu chicote. O vídeo abaixo é do Girlie Show, gravado em Sidney em 1993, a única turnê que passou pelo Brasil e a gente assistiu debaixo de chuva fina…Confesso, que não era o show que eu queria ter assistido, mas era Madonna, afinal ao vivo…

Do álbum de 1994, Bedtime History, que eu acho meio chatinho, e foi um dos “fracassos” com apenas 6 milhões de cópias vendidas, pelo menos sobra Human Nature, que é uma resposta à polêmica causada com seu livro do fotos Sex e a crítica ferrenha contra sua atuação em “Corpo em Evidência” (1993). Aqui tudo é puro deboche-fetiche.

Madonna faz sua volta triunfal com Ray of Light. Ela já estava na Cabala, ela voltou usar jeans, fez uma parceria com o Orbit e a música eletrônica. Deste álbum, o clip Frozen é um luxo só. Dirigido pelo mestre inglês Cris Cunninghan, que ela decidiu trabalhar depois de ver o vídeo dele do Aphex Twin, “Come to Daddy”. A música foi considerada um plágio, pois quatro acordes da canção são idênticos aos da canção “Ma Vie Fout L’camp” composta pelo belga Salvatore Acquaviva.

No vídeo ela usa um vestido de Oliver Theysken, até então, meio desconhecido no mundo da moda. Ela também usou uma criação dele na entrega do Oscar em 1998.

Em 2002, quem não dançou ao som de Music? É desse álbum o vídeo mais absurdo da carreira dela, dirigido pelo maridón Ritchie: “What it feels like for a girl”, lembram? E a velhinha?

Se American Life (2003), parecia o canto do cisne da Madonna, com a pior venda da carreira, 4 milhões de discos, foi seu disco mais político, com o ataque frontal a Bush e a Guerra do Iraque, ela deu a volta por cima, em Confessions on the Dance Floor. Ela convocou um time ímpar de produtores de música eletrônica: Mirwais (que já tinha feito 2 álbuns com ela), os suecos Bloodshy & Avant (de Toxic da Briteny Spears), e Stuart Price do Les Rhytmes Digitales.

Mistura esperta de Olivia Newton John + Anos 80 + Hip Hop + Crumpling + Música Eletrônica + Le Parkour. Uma turnê histórica, mais páginas e páginas na W, com o mesmo Steven Klein de outrora, agora com universo equestre, devido ao tombo que ela tomou, e que é o tema que abre o show.

Para o ano que vem, comemoração dos 50 anos e 25 anos de carreira, Madonna promete mais, muito mais. Por enquanto estão confirmadas as participações no novo álbum: Justin Timberlake e o produtor Timbaland, o astro do hip hop Pharrell Williams, Sean Garret, responsável por “Check on it” da Beyoncé, “London Bridge da Fergie e “Buttons” da Pussycat Dolls. Tem uma grande possibilidade do Moby também estar no disco.

PA-RA-BÉNS MADONNA!!!!

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