Dora Longo Bahia lança vídeo pela web

Como disse a Chialin os blogues de moda estão vivendo assuntos fora da moda!

A mais-que-contemporânea Dora Longo Bahia lança seu mais novo trabalho pelo Youtube. Já publiquei um texto que fiz para exposição da artista no CCBB do Rio, no qual comento a capacidade dela misturar as linguagens, identidades, numa trajetória única na arte brasileira.

Agora, Dora usa música do Angelo Badalamenti, com letra do David Lynch e voz de Julee Cruise, com distorção da própria artista, para Desterro, que claro tem muito de vídeoclip. Mas ao contrário da linguagem frenética, a imagem é só passagem:

Para quem quiser ver mais vídeos da artista, com direito a link ao maravilhoso Selma&Denise, vai lá!

CTRL_C + CTRL_V abre hoje no Sesc Pompéia

Com o mote Copiar (ctrl_C) e Recortar (ctrl_V) o Sesc Pompéia abre a exposição que discute dois conceitos muito caros da arte contemporânea: colagem e apropriação. A equipe do Sesc teve a consultoria da crítica Juliana Monachesi, para convidar 70 artistas que apresentam mais de 170 obras entre vídeoinstalações, pinturas, gravuras, esculturas e desenhos.

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A princípio poderíamos supor que é uma exposição de arte e tecnologia, mas não é só. Tanto a colagem como a apropriação comparecem nas obras de grandes nomes das artes plásticas no Brasil como Nelson Leirner, Daniel Senise, Regina Silveira, Farnese de Andrade, Geraldo de Barros, entre outros. É claro que expoentes do vídeo estão presentes na coletiva como Éder Santos, Cao Guimarães, Gisela Motta e Leandro Lima.

O bom é que vários amigos-artistas estão presentes, o que sempre é um motivo a mais para ir conferir a mostra, como Angela Detanico e Rafael Lain, Dora Longo Bahia, Fernando Lindote, Xu, entre outros.

SERVIÇO

CTRL_C+CTRL_V
Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, Pompéia, 3871-7700. Terça a sábado, 10h às 21h; domingo e feriados, 10h às 19h.
Grátis. Até 2 de dezembro. A partir de quinta (11).

O BOM DA SEMANA!!!

Segundona: já sabe o que vai fazer durante a semana?

Hoje tem o debate Moda e TV com Alexandre Herchcovitch e Marilia Carneiro, com mediação do Alcino Leite. A Oficina de Estilo foi e contou tudo para gente, em Moda e Novela em debate mil vídeos

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Quem voltou de férias foi o Marcelo Ferrari, a.k.a Marcelona, com sua absurda coluna Coisas de Marcelle. Leio sempre e A-DO-RO.

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Terça abre a mostra Videobrasil em foco: questões da videoarte, que apresenta um recorte de trabalhos pertencentes ao acervo do Festival Videobrasil de Arte Eletrônica, um dos mais importantes festivais de arte eletrônica. Na abertura às 17h (que horário é esse????) com o programa Antologia Videobrasil de performances (1992-2003). Até o dia 12. Veja a programação completa.

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Delito 1 (1990-1999), Dora Longo Bahia

Quarta tem a abertura da exposição da Dora Longo Bahia, 7 pecados capitais + 92 delitos veniais, na Galeria Leme.

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No mesmo dia, os amigos Marcelo Rosenbaum, Fernanda Young e Rita Wainer + Ana Strumpf, Heitor Dhalia e Marina de La Riva, participam do Nokia Nseries Visual Contest, no Instituto Europeo de Design. Patrícia Casé e Vicente Negrão é que convidam.

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O PR, vizinho e amigo Fabio Queiroz se animou e vai comemorar seu b-day no 8 BAR. Aberta a temporada de festas dos leoninos. Sábado já aconteceu a do Renato Bittencourt, ou seja, muito fôlego para apagar tantas velinhas dos muitos amigos deste signo, nhé?

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Glaucia ++ e eu em momento vaudeville (Foto: Fabio Tavares)

Para quem tiver forças para esticar, minha comadre de noite, Glaucia ++ comemora 10 anos de CIO. A convidada especial é a DJ argentina Romina Cohn (Gigolo Records). Bafo.

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Quinta, eu vou descansar, porque já viu a quarta, como vai ser! Mas tem um programa grátis e fino, que é o recital de piano do Nelson Ayres ao meio dia no CCSP.

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Rita Wainer na sua loja Theodora (Foto: Amilcar Parker/Revista da Folha)

Sexta começa o workshop da Rita Wainer (nem para me dizer que eu estava escrevendo seu nome errado outro dia, nhé?) na Escola São Paulo. Novas Marcas de Moda: Mercado, Criação e Diferencial, nos dias 10, 12 e 14 de setembro.

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Sexta à noite, eu recebo os VIPS e a imprensa no DEdge com o top DJ alemão Daniel Holc, a.k.a. ASCII.DISKO. Ele mistura funky, disco punk, house, indie rock e techno. Ou seja, preparar os quadris pra rebolar e os pés para saltar.

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Os bailarinos Phelipe Janning (primeiro plano), Volmir Cordeiro e Anderson Gonçalves

Sábado e domingo tem Segredos Dançantes Contra Brutalidade Surda Três bailarinos mostram coreografia de um dos mais instigantes criadores na dança brasileira, Alejandro Ahmed. Este é um trabalho paralelo do coreógrafo residente, diretor artístico e bailarino do grupo Cena 11 Cia. de Dança. Unidade Provisória Sesc Avenida Paulista -espaço 9º andar (av. Paulista, 119, Bela Vista, região central, tel. 3179-3700). 40 lugares. Sáb. e dom.: 19h. Até 26/8. Ingr.: R$ 5 a R$ 10.

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Mas o melhor de tudo vai ser o aniversário do Vicente Negrão, meu marido social, como nos tratamos. É que o namorado dele trabalha muito, acorda cedo, e eu e o Vicente, como temos uma agenda social muito próxima, acabamos sempre saindo juntos, daí o apelido. Ele é um dos meus melhores amigos, irmão, íntimo e confidente. Posso sempre contar com ele. Por isso, comemorar com ele esta data, vai ser um grande prazer.

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E QUAL É SUA DICA???

Texto para Dora

Em 2006, Dora Longo Bahia fez uma individual no CCBB do Rio de Janeiro, Escalpo Carioca e outras canções e me convidou para fazer o texto do folder. Fiquei muito honrado e emocionado com o convite.

A primeira vez que eu encontrei com a Dora, profissionalmente, foi em Curitiba, na exposição Imagética,em 2003, na qual fui um dos curadores. Ela chegou brigando, e acabei peitando ela, firme e forte. Fiquei muito p com ela. Depois, acabamos nos reencontrando, construindo uma amizade que explodiu num reveillon no Rio, seguido de carnaval e verões na Cidade Maravilhosa.

Este foi o texto que enviei para ela, o qual considero meu melhor texto de arte que já escrevi:

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DORA:
Um convite que é um miniclipe trash de música… um folder que é um cartaz… uma pintura já desgastada, não pelo tempo, mas pela própria ação da artista… um lugar na exposição na qual você pode tocar ou ouvir música… um catálogo que não tem capa… hummmmmmmmmmmmmmmm, sei não, diriam uns.

Acredite, muitas dúvidas vão persistir antes e depois da exposição e a máxima isto é arte? pode (ainda) atormentar alguns. Não tenha medo: o diferente, a ambigüidade, a ironia, o humor trazem dúvidas, mas você nunca fica imune. É como dizem por aí: se você está no inferno, abrace o capeta.

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A DIFERENÇA…
Dora Longo Bahia é uma artista que trafega por diferentes linguagens, como fotografia, vídeo, pintura e música. Apesar de fotógrafos dizerem que a fotografia dela não é boa, pintores idem, videomakers também…. Ah! Os músicos também torcem os ouvidos.

Ué, por que então, diabos, você deveria ver esta exposição?

Vamos lá:
1. Nunca a excelência técnica é na realidade sinônimo de arte.
2. Nem sempre o que é bem-feito é bom ou belo.
3. Nunca acredite em tudo que dizem.
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A poética da artista está ligada ao pensamento de que o meio pode (e deve) ser investigado mesmo por aqueles que não o dominam. Seu processo, independente da linguagem que ela utiliza, quer, em várias instâncias, perverter o status quo da linguagem. Ela se apropria do meio, mas não se deixa apropriar ou seduzir por ele. “A intenção é trazer para a pintura um elemento da fotografia, e para a fotografia, um elemento da pintura, criando uma discussão sobre uma imagem ou sobre um imaginário, que é aquilo ao que a imagem te remete…” explica a artista ao ser entrevistada por Ana Paula Cohen, para a exposição Who’s afraid of red.

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MESMO QUE AMBÍGUA…
Quando você entra na exposição e se depara com pinturas meio que rasgadas sobre suportes como papelão, concreto, madeira, com temas que se opõem e se complementam, como as cidades do Rio e São Paulo, da série Escalpos; com a videoinstalação que tem uma cidade infernal e uma praia; com o catálogo que começa com uma citação de James Joyce; o que de fato acontece é que você está num jogo de esconde-esconde, muito próprio da Dora.

Ela mesma define: “Eu sempre penso na importância de fazer um trabalho bonito. Eu gostaria muito de fazer uma obra bela. Então, me pergunto o que faz algo ser bonito ou não, e me interessa pensar como uma alteração ou deformação pode mudar o modo de as pessoas verem as coisas. Algo que poderia ser feio – se mudamos um pouco – passa a ser visto como belo. Talvez seja uma ambigüidade de significados, você os coloca de um jeito que as pessoas não conseguem identificar o que deve ser visto e não sabem mais se aquilo é bonito ou feio. Por exemplo, quando rasgo uma pintura, será pintura, será que o rasgo não pode ser um rasgo lindo?” (entrevista de Ana Paula Cohen)

O que era um cartão-postal ou uma foto vira uma pintura. Essa pintura é feita em camadas e mais e camadas de tinta; a artista vai retirando este material-imagem de seu suporte [por isso a denominação Escalpo], e cola em outro, seja numa parede, numa placa de concreto ou em madeiras de tapumes. Todos os significados anteriores da imagem vão paulatinamente sendo destruídos e outros vão surgindo.
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TRAZ A IRONIA
Mudanças de significados que ocorrem também na própria trajetória da artista. Nos anos 90 ela resolveu montar uma banda de rock, Disk-Putas, muito conhecida no circuito underground, junto com a designer gráfica Priscila Farias, o performer Marcelo Ferrari (Marcelona) e o ainda-não-DJ, Renato Cohen. As letras irreverentes, os fanzines, os clipes, a atitude nonsense, não são considerados “obra da artista”. Num mundo de caixas tão organizadas de rótulos, de prateleiras lotadas de conceitos, é muito difícil compreender estas perversões como sendo próprio do fazer artístico da Dora.

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Mas quantas Doras Longo Bahia existem? Eu conheço apenas uma. Não vejo diferença entre a “Dora-artista” e a “Dora-roqueira”. Tem muito do trabalho de performance. Mesmo na instalação que ela propõe para esta exposição, Canções de amor no templo do rock, é muito de sua vivência com o Disk-Putas e ou com sua outra banda, Verafisher.
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Essa possibilidade de auto-ironia, de não ter nada a perder – nem como artista nem como professora, nem como mulher – faz com que ela consiga terminar uma pintura de grandes dimensões e depois rasgá-la, sem que isso a torne uma obra menor… e podemos considerar a mesma atitude quando ela toca em bandas, com os nomes que ela escolhe e as músicas que compõe.

Perguntada sobre as citações que ela insere em algumas de suas obras, ela nega com veemência: “A citação coloca as questões no mesmo lugar e tempo em que elas estão. Eu prefiro o plágio, pois recoloca as coisas em outro contexto, e assim, podem ser atualizadas sempre. Eu adoro um outro jogo que é ver se as pessoas advinham a origem da questão que coloco…”

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QUE CORROEM AS DÚVIDAS
Por isso, Dora não se coloca numa posição nem acima e nem abaixo de qualquer um. Se Walter Benjamin analisou a perda da aura artística na época da reprodutibilidade técnica, a artista advoga a perda da aura do artista. Nada que seja a antena-sensível-do-seu-tempo. Acredita, sim, que o artista tem uma responsabilidade social porque a obra de arte é em algum tempo e em algum lugar de domínio público, por isso tem algo a contribuir para o outro.

Portanto, se sua fotografia “não é tão boa” ou se sua pintura não alcança o virtuosismo é porque de fato isto não interessa à artista. “Há uma definição no dicionário de filosofia da qual gosto muito: a diferença entre ilusão e alucinação. A pintura é ilusão e a fotografia é alucinação. Na ilusão, você vê e se deixa enganar, mas sabe que é mentira, alucinação, você está sendo enganado, mas não sabe, pensa que é verdade. Quando você vê uma fotografia, você entende como verdade, porque foi fotografado de algum lugar. A preocupação é descobrir o que foi feito para se chegar àquilo.”

A mistura entre alucinação e ilusão, entre precário e bem acabado, entre opostos que não deveriam ocupar o mesmo espaço, jogos de luz e sombra, físicas e transcendentais, é o que, de fato, importa.
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E ACABAM COM AS IMUNIDADES
E, ao final, quando você se depara com duas belas imagens em vermelho de uma floresta, com moldura e tudo, sem rasgos, nem as inscrições de palavrões de outrora, você imagina que pode respirar em paz. Entretanto, o que lhe aguarda ainda é mais forte.

Como exposição não é filme, posso adiantar que é uma instalação feita a partir de uma sala em vermelho, com instrumentos dispostos para serem tocados. Não mexidos, e sim tocados. Bateria, guitarra, baixo e microfone estão lá prontos para você criar seu próprio Disk-Putas, ou Verafisher, ou fazer como a artista e emplacar seu mais recente projeto Maradonna, que faz sua estréia nesta exposição.

Ainda acha que não foi contaminado? Então escute cada um dos CDs da série de canços de rock’n’roll com o tema amor, que ela pediu para diversas pessoas prepararem para ela. Depois disso, saia de alma lavada, porque Dora Longo Bahia prova que a música é universal e entendida por qualquer um, assim como a obra de arte contemporânea.

Sim, você acabou de sair de uma exposição de arte. Alguma dúvida?

Se tiver, saiba que ela

A-DORA!

Com amor

Ricardo Oliveros

 

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Chris von Ameln/Folha Imagem

Dora Longo Bahia estréia individual na Leme

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Não perca a abertura da exposição da minha musa Dora Longo Bahia, “7 pecados capitais + 92 delitos veniais”, na Galeria Leme, dia 08 de agosto. Marque na agenda e espante qualquer compromisso para depois, ok?

A artista reúne obras feitas entre 1991 e 1992 e nunca foram mostradas. Ao todo sete pinturas de grande formato. Em comum a frase “Cuidado Deus Observa”, usada em das pinturas de Hieronymus Bosch, pintor holandês do século XV.

A Galeria Leme fica à rua Agostinho Cantu, 88, Butantã.

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