PENSE MODA: balanço geral

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O evento PENSE MODA está (apenas) na sua segunda edição. Ele existe porque três jovens (Cami, Babu, Marcelo) resolveram que sim há a necessidade de se discutir moda, que está além da roupa que usamos dia-a-dia, fora das redações e por aí vai. Não tem a força de patrocínio de outros eventos como Claro Rio Summer ou Prêmio Iguatemi de Moda, já que pensar não gera dividendos. Será? A CAMI FEZ UMA REFLEXÃO PRA LÁ DE IMPORTANTE QUE VALE LER ATÉ O FIM.

1. PREGUIÇA X PREGUIÇA DA PREGUIÇA

Muito das colocações nas mesas tiveram 2 lados básicos que podem ser resumidos em: ai que preguiça dissox ai que preguiça da preguiça deles. Macunaismo puro. Para quem não conhece, o anti-herói de Mario de Andrade perdeu seu amuleto Muiraquitã e na sua épica busca daquilo que lhe foi roubado, que é na verdade o seu próprio ideal. Ele ao fim reconhece a inutilidade de continuar a sua procura, se transforma na constelação Ursa Maior, que para ele, significava se transformar em nada que servisse aos homens.

Nesta dicotomia entre o que deve ou não ser debatido acabamos por perder o foco várias vezes. Recebi um email hoje que me fez (re) pensar:

“Desculpe a intromissão, mas eu acho que se os blogs querem discutir o assunto, é legal que seja com os pés no chão e de forma madura, como vc está dizendo. O que eu vejo é que às vezes fica uma discussão superficial, infantil, tipo aquele vídeo que o Oficina de Estilo colocou, com a cara de tédio das pessoas, que é absolutamente irrelevante. Daí cai naquela coisa mundinho pequeno da moda, de fofoquinha, veneninho…discussão que não leva a nada! Fica parecendo papo de comadre, sabe?! Mostra total desconhecimento de causa mesmo. E o foco principal se perde”.

O email me levantou a lebre (bem importante) que se a gente perder tempo com a Vogue e escrever sobre isso, o foco se perde, porque fica muito no exemplo mal dado. É como a história do Vitor Santos, na mesa de moda masculina, ele estava falando de outra coisa quando citou a Osklen e isso acaba ocupando mais espaço do que ele estava tentando colocar.

2. CADA UM NO SEU QUADRADO

Estou pensando, estou pensando…. não em moda, mas nosso papel neste meio. Se a Vogue é referencia ou não, se a Daniela isso ou Daniela aquilo, se o blog da Lilian é blog ou não, a questão não está aí. Quem quiser pensar, se manifestar que o faça. mas façamos isso com bons parâmetros e não com falsos que desviam o caminho. Porque se não, ficamos no terreno da retórica, do ouroboros que come seu próprio rabo.

Tem um termo em grego que é Tekné, que significa A ARTE DE SABER FAZER. Naquele tempo arte e técnica não estavam dissociados. A técnica, o pensamento, a arte e o produto estavam no mesmo lugar. Com a especialização do mundo isto se rompeu. Hoje existem artistas, produtores, pensadores e cada um no seu quadrado. Então, se o povo que não quer pensar, quer produzir, tudo bem. Teremos do outro lado, gente que quer pensar, e tudo bem.

3. TUDO É URGENTE

Temos uma urgência. Temos que produzir moda, temos que melhorar nosso produto, temos que vender, temos que fazer uma bibliografia, temos que pensar, temos que criticar, temos tantas coisas ainda por fazer. Então, voltamos ao velho ponto de sempre: se cada um fizer sua parte já está de bom tamanho. Se fizer bem feito, mesmo com as condições precárias, com impostos altos, com a concorrência da China, Índia, Russia, o índice dow jones, a alta do dólar, a crise, então está ótimo.

4. LÁ FORA

Este ano tivemos as presenças estrangeiras novamente. Ao contrário do ano passado, elas não foram tão inspiradoras. Não sei se eles estavam mal preparados, ou se jogaram demais, ou fizeram viagens longas demais, ou se simplesmente não sabiam falar sobre seu próprio trabalho. Vai saber.

De qualquer forma, se na primeira edição, certas coisas poderiam ser adaptadas para nossa realidade, desta vez as contradições entre primeiro e terceiro mundo ficaram mais gritantes. Quando todo mundo ficou babando, incluso eu, nas imagens do Nicholas Formichetti pensei: o público dele consome moda desde o século XVIII, oras. Na Europa, não precisa estudar na faculdade História da Arte, como aqui. Convive desde pequeno com a história, com a arquitetura.

Nossa educação passa por outros meios, por outros lugares. Como meu pai é chines e ele ama o Brasil, não tenho complexos de inferioridade. Fico é surpreso sempre que mesmo em condições precárias, que vai do carro ao papel, do produtor que fez 3 coisas e virou stylist, do fotógrafo que dominava a técnica analógica, teve que correr para entender o equipamento digital, da modelo que saiu do sertão de Fortaleza e hoje desfila alta-costura. Estamos fazendo, isso é ótimo!

Se a gente parou para discutir tudo isso neste 3 últimos dias, é sinal que pelo menos a gente tinha alguma coisa para falar…

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PENSE MODA: Bla bla bla blogue!

Fiquei pensando se escreveria sobre a mesa que participei ontem por várias razões. A mais importante é que como estava participando, é muito difícil separar ou me distanciar o suficiente para falar sobre. Porém, como disse no primeiro post sobre o evento, o mais importante dele não é exatamente o que as pessoas dizem ali, mas como isso gera um debate. Ele se caracteriza como um espaço para começar uma reflexão que não se encerra ali, muito pelo contrário.

Para quem não foi, tem no site do evento, os relatos do Luigi Torres. A Alexandra Farah postou vários vídeos sobre o evento no Filme Fashion, incluso da mesa sobre Novas Mídias, que no final foi uma discussão sobre os blogues. Aliás, a própria Ale deveria ter sido convidada, porque é a mais experimental e multimidia de todos.

Na mesa, coordenada pelo Paulo Borges (de longe o melhor mediador de todos), estavam: Fernanda Resende (Oficina de Estilo), Laura Artigas (Moda Pra Ler), Maria Prata (Prataaporter), Victoria Ceridono (Dia de Beuaté) e eu.

O que quero discutir aqui é sobre a definição de blogue, já que uma das polêmicas que foi gerada pela pergunta do Vitor Angelo se a gente considerava o “blog” da Lilian um blog.

A pergunta do Vitor coincidiu com minha primeira fala: “Hoje temos muitos blogues em terceira pessoa, blogues institucionais em que não existe mais uma única pessoa por detrás da informação”. O própio blog LP repercutiu isso na matéria Blog LP é um blog ou não é? (Sorry, mas lá não dá para dar um link direto para a matéria, então use a barra de rolamento).

Polêmica na resposta: uns acham que sim, outros acham que não, pois ele não é feito em primeira pessoa em tempo integral – aliás, essa coisa de escrever em primeira pessoa sempre me parece redundante e egóica“, é o que escreveram lá.

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Momento egóico no Pense Moda (foto: Janaína Rosa para o Chic)

Eu sou do time que pensa que é site com arquitetura (em termos de TI) de blog. É preciso ter cuidado com certas colocações simplistas e simplificadoras do debate como “primeira pessoa sempre me parece redundante e egóica”. Nem sempre colocar sua opinião pessoal é egóica.

As pessoas que acessam os blogs estão interessadas numa opinião pessoal, sim. Numa interpretação pessoal do mundo, sim. Afinal, as notícias estão aí para todos, o que diferencia os blogues é que passamos de consumidores de informação para agentes da informação.

Essa é uma das chaves para entender o boom desta ferramenta. Quando acessei o “site” da Lilian, que é como tratamos informalmente, estava interessado naquilo que ela tinha para dizer, porque é uma profissional que respeito e muito, assim como as pessoas que estão por detrás das notícias que são veiculadas lá, como a Rosana e o Glauco, por exemplo. Mas não foi o que aconteceu. A assinatura da Lilian, suas opiniões estão diluídas.

Coloquei na mesa dos blogues do Pense Moda que quando queria saber a opinião da Gloria Kalil, por exemplo, lia o editorial dela. Ela respondeu que nem tudo o que está no Chic ela concorda, mas as matérias são assinadas e elas são co-responsáveis por tudo o que está lá. A minha dúvida agora é: mas tudo tem que ser blog hoje? Ou é apenas uma estratégia de parecer moderno? Qual é o problema em ser um site?

Outro ponto a ser abordado é considerar a participação ativa de quem lê e emite sua opinião sobre o que está lendo.  Eu não sou um “case de sucesso” neste sentido.  Não tenho um alto índice de comentários. Eu comecei em abril de 2007, fiz até agora 850 posts, o que dá uma média de 2 posts por dia. Tenho 3000 comentários aprovados, o que daria uma média de 3 comentários por post, o que não significa muito, comparado as 2500 visitas média por dia.

Porém, como uma visitação crescente e fidelizada, com comentários que recebo com quem encontro por aí, com matérias que escrevi aqui e foram repercutidas até em sites, estar presente nos blogrolls da maioria dos blogues de moda, a quantidade de emails de assessoria de imprensa que recebo sugerindo notas, pedidos de publieditoriais, convites para ir para portais, penso que estou bem na fita (rs).

O que as pessoas que vem aqui estão interessadas, então? Na independência da informação e na forma com que eu coloco meu pensamento sobre moda. Estou errado? Minha última fala foi sobre isso. Tenho um público diretamente interessado em moda. Se eu fosse para um portal teria uma visitação maior? Com certeza. Isso me interessa? Não. E por quê? Seria um monte de gente que não está interessado em moda. Estaria interessado numa nota específica que saiu numa home de um portal.

Por ter trabalhado no UOL, sei muito bem dos “truques” (regras) para se chegar na home. Porém, iria perder exatamente isso o que tenho: gente que está interessada em pensar moda. Por que no mais, é número para agências de publicidade. E eu não publico publipost, não é mesmo?

PENSE MODA: Novos estilistas brazucas na Dazed & Confused

Hoje foi o último dia do Pense Moda. O saldo como sempre é muito positivo. Quem conhece a Camila Yahn, Babu Bicudo e o Marcelo Jabur sabe o quanto foi difícil esta edição. No final, me despedi da Cami e ela chorando, mas feliz sabendo que vale a pena fazer um evento como este.

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Tinha acabado de saber que o Nicholas Formichetti e o Mariano Vivanco decidiram fazer um editorial para a Dazed & Confused aqui no Brasil. Eles vieram com roupas de alta-costura e decidiram misturar com roupas de jovens estilistas brasileiros e beachwear. Quem está dando uma super força para eles é a Olivia Hanssen, stylist que ficou incubida de ciceronear a dupla por aqui.

A coisa estava pegando fogo porque amanhã é feriado, então a Olivia com tão pouco tempo de produção, teve que apelar para Deus e o mundo para que tudo acontecesse de uma forma rápida. O que se sabe, que a modelo escolhida é a Ana Claudia Michels e o make vai ser do Daniel Hernandez. Para quem duvidava que a nova cor do cabelo dela que foi um pedido da Carine Rotfield para a nova campanha da Givenchy, ia dar certo, taí a confirmação. Sem contar o corpão que ela vem exibindo, não é?

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Comentei com a Cami que esta ponte que ela fez entre o Nicholas + Vivanco+Brasil, de quebra ter um editorial fotografado aqui e com marcas brasileiras misturadas já valeu.

Fora que fez a gente continuar querendo pensar (e muito) sobre moda!

PENSE MODA :: Hora de (re)pensar os achismos

Hoje uma mesa que prometia pegar fogo no Pense Moda, na verdade foi uma grande decepção. Os editores Alcino Leite Neto (Folha de S.Paulo), Erika Palomino (Key), Daniela Falcão (Vogue), Paulo Martinez (Mag!) e Susana Barbosa (Elle); os fotógrafos André Passos, Bob Wolfenson, Daniel Klajmic e as stylists Chiara Gadaleta e Letícia Toniazzo foram os convidados para debater. Joyce Pascowitch mediou a conversa.

Em vez de colocar o que foi dito (para isso você pode ler no Pense Moda), preferi fazer com que a finalidade do evento fosse cumprida: ser um start para uma discussão que não ficasse restrita somente a quem estava ali. Fomos convidados para repercutir o que está sendo debatido. Tanto que os blogues são credenciados como imprensa.

Vamos por partes. No ano passado, uma grande reclamação de fotógrafos e stylists recaiu sobre as editoras de moda. Na matéria sobre a mesa dos fotógrafos está lá:

“A coisa começou a complicar quando Daniel Klajmic disse que o problema também está no receptor do trabalho, no caso, as editoras de moda: ” A imagem de moda no Brasil é construída por referências internacionais óbvias. Quantas editoras estão preparadas para receber algo novo?

André Passos colocou mais lenha na fogueira: “Quando damos sugestões de algo mais autoral, geralmente elas dizem Mas vamos fazer isso aqui? Minha leitora não vai entender isso…

O assunto foi retomado pelos stylists:

“Numa reunião de pauta, muitas vezes a referência do editorial já está lá com a página marcada e tudo. Eu queria assim”. Thiago Ferraz

“Só que a gente não tem o Steve Meisel, não temos o casaco de pele Gucci, então fica tudo meio tosco”, Paulo Martinez

O assunto foi tão quente que a mesa de hoje foi criada exatamente por causa disso. Só não sei o que aconteceu, se foi a fala da Daniela Falcão que se livrou do seu teto de vidro (ou cristal?) e desviou o assunto da referência e levantou a bola em outra direção. (Não resisti e coloco o maravilhoso vídeo-síntese da Oficina de Estilo no seu post: complete a frase com a gente para que você entenda o que é levar a discussão para outro lugar)

Parecia que em um ano, as referências que viram cópias era coisa do passado. Que hoje as redações estão muito mais maduras ou “por falta de termpo” nem dá tempo de ver referências, como disse a Suzana Barbosa. Então, alguém pode me explicar estas imagens, que o Vitor Angelo (Dus*****Infernus) coloca na sua matéria Strike The pose, Vogue:

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Vogue América, abril 2008

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Vogue Brasil, junho 2008

E antes que as pessoas achem que isso é uma postura pessoal, eu mesmo faço meu mea culpa, sem problemas. Na PLAYBOY para conversar com os fotógrafos e stylists sempre usamos referências para dar uma idéia de luz, de clima no editorial. No editorial Miragem, pegamos a propaganda da Louis Vuitton como base.

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O resultado foi esse:

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A KEY nas suas primeiras páginas coloca um mosaico de imagens e coisas que serviram de referência para edição. É normal e como diz uma pessoa bem famosa no meio da moda: “pode copiar não vai ficar igual mesmo”.

Dois textos sobre a cópia que eu adoro são: Pócopiá! da Erika Palomino na Key e Veneza e as cópias do Vitor Angelo. Erika coloca: Em tempos de softwares abertos a cópia está liberada: “a autoria é cada vez menos relevante, tanto nas artes, quanto na vida. Perder tempo assumindo o caráter precursor da calça skinny, da estampa floral mixada, do primeiro xadrez ou do salto anabela é pura…falta do que fazer”.

Por sua vez, Vitor pondera: “Vendo as réplicas de Veneza, penso que sim, existe inferioridade, mas também existe a sinceridade de quem copia, algo como a sussurrar pra nós: “Eu gostaria de ser assim e pelo menos eu tentei mesmo tendo fracassado”. Até porque Veneza não é apensa essa cenografia que imprime tão forte nos cartões-postais, existe a cidade dentro dela. De muitas formas, existe muitas verdades originais em uma cópia!”

O problema é não assumir, é dizer que uma coisa é original e não é. O Paulo Martinez, que cada vez que ouço e vejo fico mais encantado, resumiu numa única frase hoje: “A gente tem que ter orgulho do que fez até agora, copiando ou não copiando. Aliás, melhor copiar do que fazer mal feito”.

NO BAIRRO DO ACHISMO

Daniel Klajmic, André Passos, Leticia Toniazzo, Chiara Gadaleta e Marcelo Gomes bem que tentaram trazer a discussão sobre quem decide o que entra e o que não entra, o que serve e o que não serve como imagem para uma determinada publicação. Uma pena porque esta discussão não emplacou.

Com meus botões, comecei a pensar que falta mesmo são dados qualitativos e quantitativos para termos de fato um melhor direcionamento nos poucos títulos de moda no país. Tanto Paulo Martinez quanto Erika tocaram neste assunto. Faltam títulos no Brasil que permitam maiores experimentações e erros. As revistas que existem estão cristalizadas porque a margem de erro tem que ser mínima. Aí o círculo vicioso continua: vou chamar fulano porque já estou acostumado, não vou ter nenhuma surpresa e por aí vai.

Voltando ao direcionamento técnico. Não existem pesquisas de comportamento que avaliem as necessidades, diferenças, desejos dos diferentes consumidores de roupa no Brasil. É o que acabei chamando de bairrismos egocêntricos. Cada revista se pauta pelo seu bairro, por um imaginário de mulheres (e homens) que estão na cabeça dos diretores e editores. Mulher-chic-viajada-e-informada da Vogue; mulher-que-trabalha-num-cargo-com-certa-imortância da Elle; homem-de-35-anos-já-bem-colocado-na-profissão da Playboy e por aí vai.

Mas não existe uma comprovação real disto tudo. Na Playboy por exemplo, uma pesquisa apontou que a maior preocupação do homem na moda é saber como ele se veste de modo casual para trabalhar, porque muitos lugares não exigem mais o terno e gravata. isso é um indicativo importante e real.

Por outro lado, tem a relação delicada/complicada com os anunciantes da revista. Ou seja, quando uma marca anuncia num veículo x ou y, ele está pensando no tipo de leitor/consumidor desta revista, já que as pautas são direcionados para ele. Ou que se imagina que seja.

Exemplificando: num almoço o dono de marca X me perguntou porque as roupas dele não apareciam na revista e eu disse que o perfil dele era para um público jovem. Ele questionou, mas não é o adolescente que lê Playboy? Respondi que o adolescente lê, mas ele está interessado nas peladas, pois é a fase de descoberta sexual etc, mas não é ele o consumidor dos textos, do lifestyle que a revista se propõe.

Tenho sempre como parâmetro as outras revistas masculinas da Abril: perfil mais jovem da VIP, a outra dedicada ao homem mais ligado ao esporte e aos cuidados com o físico da Men´s Health e meu cuidado para não esbarrar nas pautas (de moda) deles. Afinal, a Abril não teria 3 títulos masculinos se os públicos não fossem diferenciados. É claro, que na vida real, nada é tão limitado assim. Um jovem pode precisar de uma roupa mais formal, assim como o adulto de um look mais descontraído.

É nesta hora dos limites e contradições próprias do dia-a-dia da redação que fico pensando: não daria para fazer uma pesquisa nacional sobre padrões de consumo? Afinal, o mercado está cada vez mais complicado, a beira de uma crise, o consumidor mais exigente, a informação que chega aqui , chega no interior e ainda estamos pensando numa suposta Zona Sul…

Bom, por hoje é isso. A discussão continua e que bom que tem o Pense Moda para levantar estas e outras questões, não é mesmo?

TANTO QUE FIZ UM OUTRO POST SEM O CALOR DO MOMENTO, (RE) PENSANDO O QUE ESCREVI AQUI

PENSE MODA: Identidade Brasil

Eu estou postando aqui, mas não conseguir ir lá hoje. Envolto num mega-fechamento (3 edições simultâneas) fui obrigado a pular o primeiro dia do Pense Moda. 😦

Anyway, ele começou bem, com muito mais infraestrutura: os meninos do Estudio XIngu fizeram a ambientação do Centro Brasileiro Britânico. A revista Elle montou um café com internet também, bem simpático. E prático para quem precisar checar os emails nos intervalos. A Red Bull, que apóia o evento, colocou no foyer um DJ Desk, onde DJs convidados do PM tocarão durante os intervalos. São eles: Gil e Paula (Vai e FreakStyle); Chantal De Sordi e as impossíveis WWW.

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Nada como a internet! É claro que é sempre melhor estar lá ao vivo, mas com o blog do evento, que tem a colaboração do Luigi Torres (About Fashion) não ficamos tão por fora assim. Na parte da manhã, o que se discutiu muito foi a Marca Brasil. É um tema controverso, que começou a ser debatido com a questão de mercado com a Geni Ribeiro, consultora da ABIT.

Desde o Rio Summer que o eterno retorno entre imagens clichês do Brasil voltaram a ser exploradas e que o Vitor Angelo colocou muito bem no seu post: O tempo fechou no Claro Rio Summer. Geni também abordou este tema: “Todos profissionais que sabem trabalhar referências puramente brasileiras de modo não clichê e com certo apelo global”, falou ao citar Ronaldo Fraga e Gustavo Lins, por exemplo.

Depois foi a vez de uma mesa coordenada pelo Alcino Leite com Gloria Kalil, diretor de cinema Heitor Dhália, o arquiteto Marcio Kogan e as artes-plásticas pelo diretor do Banco Privado Português e colecionador de arte Waldick Jatobá. De acordo com o Luigi: “No geral a discussão ficou bem divida entre dois pólos: uma mais conceitual em torno de uma suposta identidade e outro mais material, focando no produto, meio que em continuação à palestra de Geni Ribeiro”.

As meninas do Oficina de Estilo, muito mais organizadas na agenda do que eu, prometeram que vão postar mais tarde um vídeo da abertura. Eu estarei lá amanhã. Na quarta-feira que participo da mesa dos blogues de moda, vou me dividir em dois. Tenho sessão de fotos o dia todo, dou uma escapada para ir no evento e volto para a sessão!

Se alguém mais está cobrindo o evento, avisa aqui que a gente dá o link! Vamos fazer a informação deste evento pensado e produzido pela Camila Yahn, Babu Bicudo e Marcelo Jabur, ecoar pela blogolandia!

10 Coisas que quero ver e fazer no inferno…astral

Na abertura do MixBrasil, um amigo meu de longa data, André Goldman, me lembrou que entrei no meu inferno astral. Ah, sim, tenho meu mapa astral, faço a revolução solar todo ano. Para quem não sabe, este período acontece 30 dias antes do aniversário e como todo final de um ciclo é um período marcado pelas inseguranças, introspecção, espera do que estar por vir.

Estou enlouquecido porque na Abril tem as férias coletivas e temos que fechar as edições de dezembro, janeiro e fevereiro. Ao mesmo tempo que estou fotografando uma matéria, escrevo o texto e já pensando no próximo, com um tempo bem curto de execução. E a coisa mais complicada do mundo é ter no mesma hora, no mesmo local, fotógrafo + stylist + modelo. Todos tem agendas bem complicadas.

Ao mesmo tempo a vida continua e tem tanta coisa que eu quero ver e e não está dando tempo, fico adiando, adiando. Espero que uma hora consiga ver:

1. ROBERT WILSON

O famoso diretor de teatro está em cartaz no Sesc Pinheiros com “Voom Portraits Robert Wilson”. Ele apresenta 11 vídeo-retratos em alta definição de celebridades como Brad Pitt, Isabella Rossellini e Winona Ryder. As obras fazem referências a outras obras de arte. Ainda bem que fica até fevereiro!

2. MEREDITH MONK

Ela se apresenta hoje e amanhã no Teatro do Colégio Santa Cruz. Compositora, cantora e cineasta suas experimentações vocais fazem parte da minha vida de bailarino. Conheci o trabalho dela quando fazia dança na Unicamp na década de 80. A música que ela fazia cheia de camadas de vozes do Vocal Ensemble tem a transcendência que buscava na dança. Eu não sei como seria hoje ver a Meredith, afinal não sou o mesmo de 20 anos atrás.

3. THIS IS NOT AVOID

Durante o período da Bienal o circuito das artes plásticas dá uma renovada aproveitando que ela atrai um monte de gente para estas bandas. Com um evento especialmente fraquíssimo, quem saiu fortalecido foram as galerias e instituições. Uma que eu quero muito ver, mas já está acabando é “This is not avoid” exposição com curadoria de Jens Hoffmann. O espaço da galeria pelo que eu li não tem obras materiais e sim elas lidam com cheiros, luzes, e é uma resposta à Bienal do Vazio.

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4. PARALELA

Eu já trabalhei em na Paralela, então é sempre bom de ver. Este ano a curadoria é do Rodrigo Moura. A idéia é reunir as galerias de São Paulo entorno de algum tema que amarre as obras e não fique parecendo uma feira de artes. Este ano o tema escolhido foi De Perto e de longe. Está bem elogiada a mostra.

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5. Re (produzir)

Esta semana chegou aqui em casa uma série de moldes produzidos por estilistas talentosos da exposição Re Produzir dentro da Semana Viver Design. Eu não consegui passear no metrô onde as roupas estão sendo exibidas, mas acho que ainda dá tempo, porque é até o dia 30.

6. PENSE MODA

Encontrei com a Camila Yahn e ela me lembrou que o Pense Moda começa na segunda-feira. É o evento mais bacana e fresh de moda que temos. Este ano a programação é muito bacana com gente do calibre do Nicolas Formichetti, Mariano Vivanco, Henry Holand. Eu participo de uma mesa sobre blogues no dia 19.

7. FESTIVAL MIX BRASIL

É um dos maiores e mais importantes festivais de cinema glbt do mundo. Este ano são 240 filmes entre curtas e longas espalhados me vários cinemas e locais de São Paulo. É sempre um ótimo programa, fervo garantido, produções que raramente veríamos nas salas comerciais. A Suzy Capó fez uma seleção aqui no blogue, mas vale a pena conferir a programação completa.

8. DANÇAR

Não tem remédio melhor contra o stress para mim do que sair para dançar. Ando meio chatinho para ir em clubes, mas quando tem DJ bom faço um esforço e vou. Me sinto renovado, feliz, deixo todas as preocupações de lado por um momento. Eu adoro este vídeo do The Pierces com a música Boring. Estou super assim:

9. TATTOO

Colorir a minha primeira e enorme tattoo que está sendo feita pelo Arthur. É a experiência mais significativa este ano, juro. Muda a relação que temos com o corpo, muda a primeira impressão que as pessoas têm com você e é definitivo, não tem volta.

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10. SEXO

Porque ninguém é de ferro e enquanto a pessoa certa não aparece, vou me divertindo com as erradas!


PENSE MODA abre inscrições e FM vai estar lá!

Um dos eventos mais bacanas de moda no Brasil é o PENSE MODA, criado por Camila Yahn, Babu Bicudo e Marcelo Jabur. Hoje começam as inscrições para quem quer participar da sua segunda edição. Então, já sabe, não marque nada para os dias 17, 18 e 19 de novembro.

Minha agenda já está bloqueada, mesmo porque o FM vai participar da mesa Novas Mídias ao lado dos blogues Oficina de Estilo, Dia de Beuaté, Prataaporter, Moda Pra Ler. É mais um reconhecimento da importância deste meio hoje para a moda. “Lá de fora” foram convidados o fotógrafo Mariano Vivanco, o estilista Henry Holland, a PR Mandi Lennard e o stylist Nicola Formichetti.

Quem foi ano passado sabe que as discussões são ótimas. Além do casting internacional, tem muita gente legal do Brasil abordando os diferentes aspectos do mundo da moda. Corre porque só tem 160 lugares por dia.

Inscrições R$ 300,00 por dia (com 4 palestras)
Pacote dos três dias R$800,00 (12 palestras no total)
Estudantes têm 50% de desconto com apresentação da carteirinha
Telefone para compra: (11) 3812-1985
E-mail: contato@pensemoda.com.br

Bom, se está com dúvidas, aqui vai a programação

17 de novembro de 2008
9h30 – 10h30 A INDÚSTRIA DA MODA NO BRASIL – AMEAÇAS E OPORTUNIDADES, com Geni Ribeiro (ABIT)
A consultora da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil) abre o Pense Moda com uma “palestra de sensibilização”, em que aborda os mercados Interno e Externo, expõe suas vantagens e oportunidades, assim como as ameaças que atingem a indústria de moda no Brasil.

10h30 – 12h O QUE É E QUANTO VALE O TÃO FALADO ESTILO DE VIDA BRASILEIRO, com Glória Kalil (Chic e Fashion Marketing), Heitor Dhália (cineasta, “O Cheiro do Ralo” e “À Deriva”), Waldick Jatobá (diretor do Banco Privado Português e colecionador de arte) e Marcelo Rosenbaum (arquiteto)

12h – 14h ALMOÇO

14h – 15h30 O ESTILO DE VIDA, com Álvaro Arthur de Castro
O professor e sociólogo define e explica como se estabelece e por que nós o valorizamos tanto nesses dias. Relaciona o estilo de vida com ofertas de bens e serviços para explicar que por trás delas há componentes importantíssimos que habitualmente manipulamos sem compreendermos profundamente. Quais são e a que se prestam é o que pretende esclarecer, dentro de uma abordagem crítica.

15h30 – 16h COFFEE BREAK

16h – 17h30 ENTENDENDO O PAPEL DO PR, com Mandi Lennard
Uma das PRs mais importantes desta geração, Mandi Lennard criou sua própria agencia apos trabalhar por quinze anos como PR da Browns. Eleita pelo jornal britânico “The Guardian” como uma das pessoas mais influentes da moda no Reino Unido, Mandi é PR do estilista Gareth Pugh, da marca House of Holland, da Melissa, da revista “Pop”, da editora e stylist Katie Grand, entre outros.

18 de novembro de 2008

9h30 – 10h30 ESTRELA EM ASCENÇÃO: A FOTOGRAFIA DE MARIANO VIVANCO Fotógrafo peruano radicado no Reino Unido, Vivanco é a maior aposta do mundo fashion para se tornar o novo Mario Testino. Ele fotografa as modelos mais deslumbrantes e as celebridades mais hypadas com o mesmo charme e a mesma técnica. Mariano acaba de lançar seu primeiro livro e, a cada temporada, assina campanhas para Prada, Dolce & Gabbana e Zegna, além de ser colaborador assíduo das revistas “Dazed & Confused”, “Another Magazine” e “V Magazine”.

10h30 – 12h PARA PEGAR FOGO, MESA COM FOTÓGRAFOS + STYLISTS + EDITORES. A pedidos dos participantes e do público, o Pense Moda promove um novo encontro entre profissionais de criação com os editores de moda das revistas mais conceituadas do Brasil. Com os fotógrafos André Passos, Daniel Klajmic; os stylists Chiara Gadaleta, Paulo Martinez, Letícia Toniazzo; e os editores Erika Palomino e Alcino Leite Neto.

UMA NOVA MODA PARA UM NOVO HOMEM, com Vitor Santos, Li Camargo, Cacá Ribeiro, Sylvain Justum, Thiago Ferraz.

Alguns dos melhores profissionais de moda masculina no Brasil, junto a consumidores potenciais, discutem as mudanças no vestuário masculino, o surgimento de um novo perfil masculino, mais relaxado, cool e ousado e como o mercado vai perceber essas mudanças.
MEDIADOR: Jackson Araujo

15h30 – 16h COFFEE BREAK
16h COMPRADORA BROWNS – à confirmar

19 de novembro de 2008
9h30 – 10h30
COMO SE TORNAR UM CONSULTOR DE IMAGEM/EDITOR E TOP STYLIST, com NICOLA FORMICHETTI

O stylist do momento vai contar sua trajetória de fashion addict a uma das pessoas mais respeitadas na moda atualmente. Ao longo de milhares de imagens de campanhas, desfiles, backstages, celebridades e projetos, ele explica todo o procedimento que envolve essa profissão; como dar uma consultoria, como fazer um editorial, como editar uma revista e fazer styling autêntico respeitando as necessidades do cliente.

12h – 14h ALMOÇO

14h –15h30 NOVAS MÍDIAS, com Fernanda Resende (Oficina de Estilo), Maria Prata (Prataaporter), Laura Artigas (Moda Pra Ler), Victoria Ceridono (Dia de Beuaté) e Ricardo Oliveros (Fora de Moda)
Mediador: Paulo Borges

15h30 – 16h COFFEE BREAK

16h – 17H WELCOME TO THE HOUSE OF HOLLAND, com HENRY HOLLAND.
Um dos estilistas jovens mais cobiçados do momento abre seu processo de criação e inspira com seu frescor e ironia.

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