Geografia da Moda Brasileira: a importância dos Pólos de Moda

Para quem gosta de afogar em números:

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Desde que recebi o convite para cobrir Santa Catarina Moda Contemporânea fiquei pensando sobre como está a geografia da moda brasileira. Como moda é um fenômeno urbano, é claro que os grandes centros atraem a produção, confecção e distribuição do vestuário. Certo? Mais ou menos.

Numa pesquisa bem informal, é impressionante os números envolvidos no setor, que vão muito além das 120 marcas que estamos acostumados a cobrir nas semanas de moda brasileira. Os Pólos de Moda são os grandes responsáveis por reunir uma cadeia de produtores para que consigam entrar no mercado competitivo. Papel de destaque para o Sebrae e para o Fashion Business no Rio de Janeiro, que virou a grande vitrine para este mercado.

Segundo dados da ABIT, com um faturamento estimado em 2007 de US$ 34,6 bilhões, a indústria têxtil e de confecções deve registrar um crescimento de 4,85% em relação a 2006. Deste total, as exportações correspondem a US$ 2,4 bilhões. O setor é o segundo maior empregador da indústria de transformação, totalizando 1,65 milhão de empregados. São cerca de 30 mil empresas, que colocam o Brasil como o sexto maior produtor têxtil do mundo, representando 3,5% do PIB total brasileiro. Os investimentos em máquinas, equipamentos, tecnologia, design e pesquisa têm gravitado em torno de US$ 1 bilhão/ano.

A segmentação da cadeia têxtil brasileira realizada pelo IEMI – Instituto de Estudos e Marketing Industrial, em 2006, aponta para um total de 383 fiações, 593 tecelagens, 2.421 malharias e 723 empresas de beneficiamento; entre os produtos confeccionados, são 18.884 fábricas de vestuário, 1.157 da linha lar, 1.101 de meias e acessórios e 756 de outros produtos.

A ABIT destaca pelo menos 12 grandes conglomerados confeccionistas, mas existem empresas espalhadas por todos os Estados e territórios. São Paulo é o principal fabricante brasileiro de vestuário, com cerca de 15 mil empresas, distribuídas por várias regiões e atuando em todos os segmentos. Na capital, os centros de produção do Bom Retiro e do Brás concentram a maior produção. Há ainda concentrações na região de Sorocaba, Americana e São José do Rio Preto.

O Estado de Minas Gerais hospeda o segundo maior pólo brasileiro em faturamento. São cerca de 5 mil empresas espalhadas por duas regiões. No sul do Estado, está localizado o conhecido circuito da malha, que se destaca pela produção do tricô, principalmente blusas de frio. Nos arredores de Juiz de Fora, predomina a moda íntima. No Pólo de Confecção e Moda de Divinópolis (MG), há atualmente cerca de 3 mil empresas formais e informais da cadeia produtiva de confecção e moda atuam em Divinópolis. entre confecções, estamparias, facções, lavanderias, prestadoras de serviço e bordados integram a cadeia produtiva de confecção e moda do município.

Consolidada como uma referência no mercado têxtil brasileiro, Muriaé já movimenta mais de R$ 230 milhões por ano, o que corresponde a 44% do PIB regional. Nos últimos anos, o pólo vem investindo em máquinas e equipamentos modernos, no desenvolvimento de produtos, em pesquisa, utilização de tecidos inovadores e, principalmente, no design. A Beleza Rara, que atua há 15 anos no setor, conta com 70 funcionários e um faturamento mensal de R$ 300 mil, a empresa fabrica lingerie noite (camisola, pijama, baby dool) e fornece para grandes magazines como Riachuelo, Marisa e Leader.

O jeans é o carro-chefe do pólo localizado na região norte e noroeste do Paraná, considerado um dos mais importantes parques industriais do País. De lá sai quase toda a produção que abastece redes como Ellus, Zoomp e Forum. Trata-se de um corredor de 100 km que envolve as cidades de Maringá, Londrina, Apucarana e Cianorte, cuja produção chega a 130 milhões de peças por ano e o faturamento bate os R$ 2 bilhões. As cidades formam também o chamado corredor da moda. Existem ali 12 centros atacadistas e mais um está em construção em Maringá, com 160 lojas.

Das 4 mil confecções existentes no Paraná, cerca de 2 mil estão neste pólo. São desde tecelagens até lavanderias, fabricantes de materiais de acabamento, confecções propriamente ditas e até mesmo produtores de seda. Além do jeans, que responde por cerca de 70% do faturamento, as empresas da região atuam também nos segmentos de malharia, infantil, lingerie, moda praia e a chamada modinha (roupas do dia-a-dia). Marcas conhecidas de lingerie, como a Reco, e de jeans, como Pura Mania, Osmose (jeans), Kez (fitness), Titus (jeans), Lado Avesso (jeans), Camisaria Nacional.

No Fashion Business, o pólo de Londrina (PR) fez em sua estréia na bolsa de negócios e deve atrair confecções de todo o estado do Paraná para a próxima edição primavera-verão, em junho. A Mulher Elástica, a Silvia Doré, a Lucca e a Zue são algumas das marcas de destaque na última edição.

O Rio de Janeiro tem como carro-chefe a produção de peças íntimas em Nova Friburgo. Ele é o maior pólo confeccionista de moda íntima do país (lingerie dia, fitness e moda praia), com cerca de 800 confecções formais que geram 20 mil empregos. Além do mercado interno onde participa com 25% do consumo de lingerie, Nova Friburgo tem também forte foco para exportação, já comercializando seus produtos para o Mercosul, União Europeia, África, Oriente Médio, Japão e Estados Unidos.

Moda Sul Fluminense (Valença) – o pólo conta hoje com aproximadamente 400 unidades produtivas entre médias, pequenas e micro empresas, além de ateliês e unidades familiares. São confecções, facções, lavanderias e tecelagens que juntas, empregam cerca de 4 mil pessoas nas 20 cidades abrangidas pelo SINDVESTSUL (Sindicato das Indústrias do Vestuário do Sul do Estado do Rio de Janeiro). Mais de 40 grifes renomadas produzem suas coleções no pólo, especialmente em jeanswear, nas cidades de Valença, Rio das Flores e Barra do Piraí.

Moda de Petrópolis – atualmente com mais de 800 indústrias de confecção, que geram 30 mil empregos (indústrias, distribuidores e pontos de vendas) com faturamento mensal de cerca de R$ 100 milhões em mais de 8 milhões de peças/mês vendidas em todo o país. Os produtos principais são malha e tricô.

Moda do Noroeste Fluminense (Itaperuna) – representa 13 municípios da Região e reúne 300 fábricas, de micro, pequeno e médio porte, que geram 10 mil empregos e movimentam R$ 15 milhões por mês na economia regional. O pólo produz lingerie noite e fornece pijamas e camisolas para butiques e magazines nacionais, além de exportar para países da Europa e Mercosul.

Moda Niterói – reúne 250 confecções e gera mais 5 mil empregos diretos. A produção de Niterói é diversificada e multisetorial com empresas de moda feminina, masculina, praia e esporte, além de acessórios em couro, calçados, bolsas, jóias, bijuterias, e ainda ateliês de customização e alta costura.

Moda Praia Cabo Frio – com 400 empresas que geram 5.500 empregos, a moda praia produzida na região é exportada para Espanha, Itália, França, Portugal e México. Cabo Frio conta também com uma vitrine a céu aberto, a famosa “Rua dos Biquinis”, que possui mais de 150 lojas de moda praia.

Moda São Gonçalo – além do tradicional jeans, já conhecido por lojistas de todo o país, ali também são produzidas moda feminina e surfwear. O Pólo foi criado em novembro de 2005, com aproximadamente 200 empresas. Uma produção multisegmentada de jeans, moda praia, lingerie, surfware e casual. No mesmo ano foi inaugurado o Shopping das Fábricas, no Bairro de Nova Cidade. Além de fornecer para o mercado interno o pólo exporta basicamente para EUA, Portugal e Itália.

Moda de Campos – conta com 100 empresas formais e tem produção bem diversificada embora o forte ainda seja o jeans. Malharia, moda íntima e peças customizadas em ateliês são os demais produtos oferecidos pelo pólo que hoje gera cerca de 2.500 empregos.

Acessórios – Calçados, Bolsas e Similares do Rio – é formado por mais de 300 empresas no município do Rio de Janeiro, sendo que cerca de 60% produz calçados, e o restante, bolsas e outros artefatos. As empresas, na maioria de pequeno porte, geram 10 mil empregos diretos e indiretos. Produtos artesanais e diferenciados de grifes são produzidos neste pólo.

Têxtil do Rio – conta com aproximadamente 250 empresas que geram em média 5 mil empregos diretos na produção dos mais variados tipos de tecido, além de bordados e rendas. É formado por pequenas e médias empresas. A força das tecelagens pode ser avaliada nas exportações, onde 75% do que é produzido no Estado do Rio de Janeiro é vendido para outros Estados, e cerca de 5% segue para outros países.

Espírito Santo tem perto de 1.500 pequenas indústrias fabricantes de moda dia-a-dia, roupa esportiva e masculina. O Ceará conta com 2.600 empresas distribuídas por quatro cidades que se especializaram na produção de artigos de moda íntima e praia. No interior de Pernambuco existem 6.000 fábricas, produtoras de moda íntima, jeans, surfwear. No Sergipe, na região de Tobias Barreto, conta-se 1.300 confecções. Há ainda os já conhecidos pólos de Rio Grande do Sul, famoso pelo tricô, e o de Santa Catarina, com cerca de 6.000 indústrias, produtores de malharia circular.

O projeto Identidade do Sertão é resultado da integração do trabalho de mineiros e baianos, e vai representou os dois estados na Fashion Business. Apoiado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e pelo Sebrae, o projeto apresentou a produção artesanal das cooperativas de agricultura familiar de Salinas, em Minas Gerais, e Valente, na Bahia.

No Pará, a Heccostura é um grupo que conta com 11 mulheres do bairro do Jurunas e todas já trabalham com confecção de vestidos e roupas em geral que são comercializadas diretamente com o consumidor. Já a Associação Santa Clara reúne 11 mulheres do bairro do Guamá.

A proposta do Moda Pará é criar condições para que artesãs e bordadeiras locais tenham acesso às novas tendências da moda, aprendam mais técnicas de confecção e acabamento para que a produção local ganhe mercado.

O Projeto Faber também foi outro destaque do Pará, que levou para o Rio uma coleção de bolsas, sandálias e acessórios desenvolvida por artesãos da ilha do Marajó.

Em Goiás,  o governo tomou várias medidas como as alterações na área tributária. O mecanismo da substituição tributária (o ICMS é recolhido apenas quando o tecido entra no Estado e possibilita um crédito posterior do imposto pago no Estado de origem) estimula empresas locais a elevarem o valor agregado do produto.

Atualmente, o algodão produzido ali – Goiás é o segundo maior produtor do Brasil, com 130 mil toneladas por ano – viaja a São Paulo para se transformar em tecido e depois volta para virar roupa em Goiás. Daí sai novamente para outros Estados, principalmente do Norte, Nordeste e o Centro-Oeste: só 10% da produção fica nas lojas goianas. Segundo dados da Agicon, Goiás tem 4,6 mil confecções formais e outras 4 mil informais.

P.S.: Este post é uma reunião de informações retiradas do Sebrae, Fashion Business, Textila, ABIT, IEMI

15 Comentários

  1. sensacional, oli. devia publicar. guardei aqui pra ser vir de referência pra sempre. (sensacional meeesmo!)

  2. […] nu em revistaChega nas bancas a revista gay JuniorBalanço Moda Masculina :: Milão/Verão 2008Geografia da Moda Brasileira: a importância dos Pólos de ModaFORA DE MODA vai cobrir o Santa Catarina Moda ContemporâneaQual o seu figurino preferido do OSCAR […]

  3. Muito interessante este post!
    É bacana ver a moda brasileira ganhando reconhecimento além o eixo Rio/SP…
    Aproveito para deixar o link de um blog COLABORATIVO de moda de rua, que tem o objetivo de justamente retratar a moda nacional através do formato colaborativo, uma forma democrática de de retartar a moda brasileira.
    ESTILOBRASILEIRO.WORDPRESS.COM
    Passa lá!

  4. Somos representante comercial confeccionamos acessorios para lingeries em strass entre em contato conosco caso haja interesse

  5. […] sul é um super pólo de indústrias relacionadas à moda, desde malharias até fábricas de aviamentos e etiquetas. Essas empresas – 13 […]

  6. Estamos na construção de uma MULTIMARCAS de lingeries brasileiras, e este post foi fundamental.Parabens. Precisamos de espaço para trocar informações. somar. quem tiver informações sobre lingeries no Brasil e puder nos informar, agradecemos muito.

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  11. oiiii tudo bom???

    amei , ficou legal .

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  13. Vc conhece aqui, nosso polo de moda?
    Obrigada por responder muito gentil da sua parte, mas vc nem imagina a falta de profissionais
    que temos aqui, apesar da cidade já famosa em várias partes do Brasil, abraçõa…
    (24) 9954 1189

  14. Olá Ricardo,
    estava pesquisando algo sobre Geografia da Moda, pois eu e meus colegas do curso de Adm. Turismo da URI Santo Ângelo fomos responsáveis pelo “Moda Noroeste Gaúcho” Desfile de Lançamento Primavera Verão.
    O Evento Aconteceu dia 11 de novembro aqui em Santo Ângelo/RS e nós temos uma disciplina (Geografia do Turismo) em que a professora nos deu este trabalho já tivemos essa importante participação no mundo fashion.
    O Moda Noroeste Gaúcho é um projeto do SEBRAE aqui de nossa região e que nos incumbiu a tarefa, idealizada por nós alunos, de fazer este primeiro desfile deste projeto. A receptividde foi positiva e inclusive superou expectativas.
    Este material que vc esta apresentando aqui vem acrescentar muito.
    Obrigada.

  15. quero muito trabalhar com moda mais não sei onde começar a procurar, estou indo para o terceiro período no centro universitário plínio leite vcs poderiam me ajudar?


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